Investimentos do Funrigs avançam em rodovias estratégicas da Serra, com obras de pavimento, drenagem, sinalização, contenções e ponte, dentro do pacote de reconstrução da infraestrutura gaúcha após os danos provocados pelas enchentes de 2024.
O governo do Rio Grande do Sul informou, em publicação feita em 09 de junho de 2026, que aplica mais de R$ 1 bilhão na recuperação de rodovias e pontes da Serra, uma das regiões mais afetadas por danos na malha viária.
Os recursos vêm do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), programa criado para financiar ações de reconstrução no Estado, e correspondem a mais de 33% do valor destinado à recuperação de estradas pelo governo estadual.
As intervenções alcançam nove rodovias estaduais e contemplam serviços de pavimento, drenagem, sinalização e contenções de encostas, em trechos que sofreram impactos durante as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024.
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No conjunto do programa, a administração estadual prevê R$ 3,1 bilhões em 48 obras, entre recuperação de rodovias e implantação de pontes, com execução vinculada ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).
Na Serra, os trabalhos ficam sob responsabilidade do Daer, órgão ligado à Secretaria de Logística e Transportes (Selt), que coordena as intervenções em trechos considerados essenciais para restabelecer e qualificar a circulação regional.
Obras atingem rodovias estratégicas da Serra
Entre as rodovias contempladas estão ERS-355, ERS-373, ERS-431, ERS-437, ERS-444, ERS-448, ERS-486, RSC-453 e VRS-873, além da ponte sobre o Arroio Não Sabia, na ERS-441.
Também está prevista a implantação e sinalização da estrutura em Vista Alegre do Prata, com 155 metros de extensão, dentro do mesmo conjunto de obras financiado com recursos do Funrigs na região.
A lista reúne ligações importantes entre municípios serranos, áreas produtivas e corredores de acesso ao Litoral Norte, o que amplia o peso das intervenções para o transporte regional e para o deslocamento de moradores.
Pela atualização oficial do Plano Rio Grande, os lotes da Serra somam 306,6 quilômetros de extensão, além da ponte sobre o Arroio Não Sabia.
Na Rota do Sol, o investimento supera R$ 390 milhões em três trechos, com obras na ERS-486 e na RSC-453, duas rodovias relevantes para a ligação entre a Serra e o Litoral Norte.
O governo cita intervenções entre Tainhas e Terra de Areia, na ERS-486, com 54,17 quilômetros; entre Lajeado Grande e Tainhas, na RSC-453, com 39,45 quilômetros; e entre Caxias do Sul e Lajeado Grande, com 59,28 quilômetros.
Contenções buscam reduzir riscos em encostas
Além da recuperação do pavimento, os projetos preveem mais de 120 contenções em pontos considerados sensíveis, especialmente em áreas onde houve instabilidade de encostas durante o evento climático de 2024.
Esse tipo de intervenção busca reduzir riscos em trechos que tiveram bloqueios, deslizamentos e isolamento de comunidades, combinando reforço estrutural com medidas de drenagem e qualificação da infraestrutura rodoviária.
O secretário de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, afirmou que as contenções foram incluídas por serem importantes para ampliar a segurança dos trechos e responder às características de cada local.
“As contenções estão contempladas nos projetos porque são uma solução importante para reduzir riscos e garantir mais segurança. Em todos os projetos, incluímos medidas que respeitam o cenário local”, declarou Magalhães, ao comentar as obras na Serra.
Na avaliação do diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, as intervenções refletem necessidades identificadas após as chuvas extremas, com soluções de engenharia voltadas à segurança viária e ao enfrentamento dos efeitos climáticos.
Faustino afirmou que os projetos reúnem contenções e drenagem, duas frentes consideradas necessárias para melhorar a segurança das rodovias e reduzir a vulnerabilidade de trechos expostos a novos eventos severos.
Trechos concentram aportes milionários
Entre os maiores valores informados pelo governo está a RSC-453, no trecho entre Caxias do Sul e Lajeado Grande, que receberá R$ 136,7 milhões para obras em 59,28 quilômetros.
Outro lote da mesma rodovia, localizado entre Lajeado Grande e Tainhas, terá R$ 113,6 milhões aplicados em 39,45 quilômetros, reforçando a concentração de investimentos na Rota do Sol.
Na ERS-486, entre Tainhas e Terra de Areia, o aporte chega a R$ 130 milhões, em um trecho de 54,17 quilômetros que também integra o corredor entre a Serra e o Litoral Norte.
A ERS-431 aparece em dois lotes, um deles entre Bento Gonçalves e São Valentim do Sul, com R$ 100,9 milhões destinados a 22 quilômetros de recuperação.
No outro trecho da ERS-431, entre Dois Lajeados e o distrito de Santa Bárbara, o investimento informado é de R$ 84,82 milhões para obras ao longo de 20,17 quilômetros.
Também há intervenções na ERS-444, entre Monte Belo do Sul e Santa Tereza, onde estão previstos R$ 91,9 milhões para a recuperação de 13,28 quilômetros.
Na ERS-448, os trechos entre Nova Roma do Sul e Rio das Antas e entre Farroupilha e Rio das Antas recebem, respectivamente, R$ 55,2 milhões e R$ 62,8 milhões.
Ponte de 155 metros será implantada na ERS-441
Na ERS-441, o governo prevê R$ 17,36 milhões para a ponte sobre o Arroio Não Sabia, em Vista Alegre do Prata, estrutura que terá 155 metros de extensão.
A obra integra o pacote financiado pelo Funrigs na Serra e se soma às intervenções rodoviárias voltadas à recomposição da infraestrutura afetada pelas chuvas e por problemas estruturais associados ao evento climático.
Outros lotes incluem a ERS-437, com dois trechos entre Vila Flores, Rio da Prata e Santana, em Antônio Prado, que somam R$ 130,1 milhões em investimentos.
Na VRS-873, entre Morro Reuter e Santa Maria do Herval, estão previstos R$ 39,3 milhões para 13 quilômetros de obras, enquanto a ERS-373, em Gramado, receberá R$ 19,3 milhões em 6,55 quilômetros.
Já a ERS-355, entre Veranópolis e Fagundes Varela, aparece no pacote com R$ 56 milhões para 23,29 quilômetros de requalificação, completando a relação de trechos informada pelo governo estadual.
Reconstrução integra resposta às enchentes de 2024
O pacote de obras foi associado pelo governo estadual à reconstrução após as enchentes de maio de 2024, que danificaram rodovias, pontes e encostas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Segundo a administração estadual, a prioridade é recuperar a trafegabilidade e ampliar a resiliência da infraestrutura, com intervenções capazes de reduzir riscos em áreas mais vulneráveis a novos eventos climáticos.
No Rio Grande do Sul, o Funrigs financia obras em várias regiões, com foco em rodovias e pontes afetadas pelo desastre climático, enquanto a Serra concentra parcela relevante dos recursos destinados às estradas.
A execução dos serviços inclui requalificação funcional do pavimento, melhorias de drenagem, nova sinalização e reforços estruturais em áreas suscetíveis a instabilidade, sob gestão do Daer e acompanhamento da Secretaria de Logística e Transportes.

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