Em Lontras, no Alto Vale do Itajaí, pai e filho apostaram no mogno africano, uma espécie exótica, em um hectare e meio de terra de fumo esgotada. Quinze anos depois, mesmo enfrentando formigas, geadas e secas, a floresta está de pé e as nascentes de água voltaram a brotar.
Um desejo simples uniu pai e filho na zona rural de Lontras, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, transformar uma área de pastagem degradada em floresta. Em 2009, em vez de seguir o caminho comum do eucalipto, a dupla apostou em uma escolha pouco convencional para a região, o mogno africano. A decisão contrariou até um professor de agronomia, que havia desaconselhado o plantio da espécie naquele clima.
O resultado aparece quinze anos depois, em uma floresta densa que cobre quase toda a propriedade. Segundo a reportagem da Vale Agrícola, foram plantadas 660 árvores em um hectare e meio, e hoje muitas passam de 16 metros de altura, com troncos que chegam a 50 centímetros de diâmetro. Onde antes a terra estava seca, a família afirma contar agora com cerca de seis nascentes de água.
A aposta no mogno africano em uma terra gasta

De acordo com a Vale Agrícola, seu Luís, eletricista aposentado, e o filho Daniel, engenheiro eletricista, procuravam uma área e acabaram comprando uma antiga lavoura de fumo meio abandonada.
-
Aos 37 anos, o brasileiro Moysés Bezerra da Rocha Gonçalves perdeu a vida em combate na linha de frente da guerra na Ucrânia, em uma morte que a família confirmou, teria ocorrido em 28 de maio e será sepultada longe de casa
-
A verificação de identidade humana pode nos deixar mais seguros online?
-
Toda vez que a neve derrete na Turquia ressurge no alto do Monte Lifos uma fortaleza de mais de 74 mil metros quadrados com torres e cisternas, e nenhum pesquisador conseguiu até hoje explicar quem viveu ali nem por que escolheram um pico tão inacessível
-
Ondas de até 11 metros avançam sobre Wellington e obrigam retirada de centenas na Nova Zelândia; prefeitura declara emergência, polícia fecha acessos ao litoral e moradores recebem alerta duro: quem ficar pode não ser resgatado em meio ao risco de maré violenta
A terra estava tão gasta que quase nada nascia ali, e o preço acessível pesou na escolha do casal de proprietários.
A definição da espécie, porém, fugiu do convencional.
Em 2009, em vez do eucalipto e do pínus, comuns na região, pai e filho foram pesquisar uma alternativa que consumisse menos água e tivesse, no futuro, melhor valor.
Chegaram ao mogno africano, uma árvore exótica de grande porte, raízes fortes e madeira valorizada.
O objetivo principal, segundo eles, não era ganhar dinheiro, mas fazer aquele terreno voltar a ter água.
O professor que desaconselhou e os percalços do plantio

Daniel, que estudava na universidade, perguntou a um professor sobre a espécie e ouviu que não havia material sobre o assunto e que ele não aconselhava plantar mogno africano ali. Foi a insistência do pai que destravou o projeto.
As primeiras mudas, de cerca de 20 centímetros, custaram 5 reais cada e vieram de Goiânia, mas passaram uma semana e meia na estrada e chegaram bastante danificadas.
Antes do plantio definitivo, a família fez um teste em Rio do Sul.
A natureza também cobrou seu preço ao longo dos anos.
De acordo com o relato, formigas predaram as folhas e mataram muitos exemplares, e ainda houve geadas e períodos de seca.
O mogno africano exige bastante água e calor e não sobrevive em locais áridos, o que torna o inverno catarinense um limitador.
Sem o frio, dizem pai e filho, as árvores estariam ainda mais desenvolvidas hoje.
Uma floresta de troncos de até 50 cm quinze anos depois
Quinze anos depois do plantio, o resultado obtido por pai e filho surpreende quem ouviu que aquilo não daria certo.
Na propriedade de um hectare e meio foram plantados 660 mognos, que já têm cerca de quinze anos.
Segundo a reportagem, parte das árvores passa de 16 metros de altura, com troncos que atingem de 40 a 50 centímetros de diâmetro na altura do peito, e chamam atenção por terem poucos galhos até perto da copa.
O trabalho braçal ficou quase todo com o pai, que abria covas de 40 por 40 por 40 centímetros e adubava a terra com antecedência.
Os problemas, garante a família, foram poucos.
A única doença observada é um cancro, que atrapalha levemente o desenvolvimento de algumas árvores, mas não compromete a madeira por dentro.
Até agora, raras foram derrubadas, em geral as que caíram com o vento ou estavam ruins.
A madeira do mogno africano praticamente não racha e é macia de trabalhar, boa para móveis, e os galhos podados viraram lenha.
O filho admite que não tem coragem de cortar uma árvore grande e diz que, se vivesse mais cem anos, deixaria tudo de pé.
Seis nascentes e uma poupança para o futuro
A maior recompensa, porém, não está na madeira.
De acordo com a família, o terreno não tinha água quando eles chegaram e hoje conta com cerca de seis nascentes, algo que não existia antes da floresta.
Além do mogno, pai e filho também plantaram cedro australiano e guanandi, aproveitando parte da madeira para móveis de uso pessoal, com acabamento claro e sem rachaduras.
Eles tratam a floresta como uma espécie de poupança para o futuro, mas fazem questão de dizer que a conversa não é só sobre dinheiro.
O valor comercial das árvores existe como possibilidade, caso um dia precisem, e não como renda já realizada, já que praticamente não houve corte.
O que pesa, no relato, é olhar para a propriedade recuperada e pensar no que fica para filhos e netos, para quem vier depois.
A trajetória desse pai e filho em Lontras mostra que recuperar uma terra esgotada é possível, com paciência e disposição para contrariar até um diagnóstico técnico.
O que era uma lavoura de fumo cansada virou, em quinze anos, uma floresta de mognos altos e seis nascentes de água, unindo um objetivo ambiental a uma reserva de valor para o futuro.
Vale lembrar que se trata de uma espécie exótica e de um projeto ainda sem colheita comercial, mas o resultado já visível no terreno fala por si.
E você, plantaria uma floresta em uma terra dada como perdida, mesmo sem garantia de retorno? Acha que histórias assim podem inspirar mais gente no campo a recuperar áreas degradadas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões sobre meio ambiente e produção, e compartilhe esta matéria com quem ama árvores e natureza.


Seja o primeiro a reagir!