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Um professor avisou que não ia dar certo, mas pai e filho plantaram 660 mognos africanos num terreno gasto de Lontras em 2009 e hoje têm uma floresta de troncos de até 50 cm e seis nascentes de água onde a terra antes estava seca

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/06/2026 às 14:09
Atualizado em 10/06/2026 às 14:11
Assista o vídeoEm Lontras, pai e filho plantaram 660 mognos africanos numa terra gasta e hoje têm uma floresta de árvores enormes e seis nascentes de água.
Em Lontras, pai e filho plantaram 660 mognos africanos numa terra gasta e hoje têm uma floresta de árvores enormes e seis nascentes de água.
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Em Lontras, no Alto Vale do Itajaí, pai e filho apostaram no mogno africano, uma espécie exótica, em um hectare e meio de terra de fumo esgotada. Quinze anos depois, mesmo enfrentando formigas, geadas e secas, a floresta está de pé e as nascentes de água voltaram a brotar.

Um desejo simples uniu pai e filho na zona rural de Lontras, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, transformar uma área de pastagem degradada em floresta. Em 2009, em vez de seguir o caminho comum do eucalipto, a dupla apostou em uma escolha pouco convencional para a região, o mogno africano. A decisão contrariou até um professor de agronomia, que havia desaconselhado o plantio da espécie naquele clima.

O resultado aparece quinze anos depois, em uma floresta densa que cobre quase toda a propriedade. Segundo a reportagem da Vale Agrícola, foram plantadas 660 árvores em um hectare e meio, e hoje muitas passam de 16 metros de altura, com troncos que chegam a 50 centímetros de diâmetro. Onde antes a terra estava seca, a família afirma contar agora com cerca de seis nascentes de água.

A aposta no mogno africano em uma terra gasta

Em Lontras, pai e filho plantaram 660 mognos africanos numa terra gasta e hoje têm uma floresta de árvores enormes e seis nascentes de água.
A história começa com a compra de um terreno barato e cansado. 

De acordo com a Vale Agrícola, seu Luís, eletricista aposentado, e o filho Daniel, engenheiro eletricista, procuravam uma área e acabaram comprando uma antiga lavoura de fumo meio abandonada.

A terra estava tão gasta que quase nada nascia ali, e o preço acessível pesou na escolha do casal de proprietários.

A definição da espécie, porém, fugiu do convencional. 

Em 2009, em vez do eucalipto e do pínus, comuns na região, pai e filho foram pesquisar uma alternativa que consumisse menos água e tivesse, no futuro, melhor valor.

Chegaram ao mogno africano, uma árvore exótica de grande porte, raízes fortes e madeira valorizada.

O objetivo principal, segundo eles, não era ganhar dinheiro, mas fazer aquele terreno voltar a ter água.

O professor que desaconselhou e os percalços do plantio

Em Lontras, pai e filho plantaram 660 mognos africanos numa terra gasta e hoje têm uma floresta de árvores enormes e seis nascentes de água.
O ponto de partida quase foi um balde de água fria. 

Daniel, que estudava na universidade, perguntou a um professor sobre a espécie e ouviu que não havia material sobre o assunto e que ele não aconselhava plantar mogno africano ali. Foi a insistência do pai que destravou o projeto.

As primeiras mudas, de cerca de 20 centímetros, custaram 5 reais cada e vieram de Goiânia, mas passaram uma semana e meia na estrada e chegaram bastante danificadas.

Antes do plantio definitivo, a família fez um teste em Rio do Sul.

A natureza também cobrou seu preço ao longo dos anos.

De acordo com o relato, formigas predaram as folhas e mataram muitos exemplares, e ainda houve geadas e períodos de seca.

O mogno africano exige bastante água e calor e não sobrevive em locais áridos, o que torna o inverno catarinense um limitador.

Sem o frio, dizem pai e filho, as árvores estariam ainda mais desenvolvidas hoje.

Uma floresta de troncos de até 50 cm quinze anos depois

Quinze anos depois do plantio, o resultado obtido por pai e filho surpreende quem ouviu que aquilo não daria certo. 

Na propriedade de um hectare e meio foram plantados 660 mognos, que já têm cerca de quinze anos.

Segundo a reportagem, parte das árvores passa de 16 metros de altura, com troncos que atingem de 40 a 50 centímetros de diâmetro na altura do peito, e chamam atenção por terem poucos galhos até perto da copa.

O trabalho braçal ficou quase todo com o pai, que abria covas de 40 por 40 por 40 centímetros e adubava a terra com antecedência.

Os problemas, garante a família, foram poucos. 

A única doença observada é um cancro, que atrapalha levemente o desenvolvimento de algumas árvores, mas não compromete a madeira por dentro.

Até agora, raras foram derrubadas, em geral as que caíram com o vento ou estavam ruins.

A madeira do mogno africano praticamente não racha e é macia de trabalhar, boa para móveis, e os galhos podados viraram lenha.

O filho admite que não tem coragem de cortar uma árvore grande e diz que, se vivesse mais cem anos, deixaria tudo de pé.

Seis nascentes e uma poupança para o futuro

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A maior recompensa, porém, não está na madeira. 

De acordo com a família, o terreno não tinha água quando eles chegaram e hoje conta com cerca de seis nascentes, algo que não existia antes da floresta.

Além do mogno, pai e filho também plantaram cedro australiano e guanandi, aproveitando parte da madeira para móveis de uso pessoal, com acabamento claro e sem rachaduras.

Eles tratam a floresta como uma espécie de poupança para o futuro, mas fazem questão de dizer que a conversa não é só sobre dinheiro. 

O valor comercial das árvores existe como possibilidade, caso um dia precisem, e não como renda já realizada, já que praticamente não houve corte.

O que pesa, no relato, é olhar para a propriedade recuperada e pensar no que fica para filhos e netos, para quem vier depois.

A trajetória desse pai e filho em Lontras mostra que recuperar uma terra esgotada é possível, com paciência e disposição para contrariar até um diagnóstico técnico. 

O que era uma lavoura de fumo cansada virou, em quinze anos, uma floresta de mognos altos e seis nascentes de água, unindo um objetivo ambiental a uma reserva de valor para o futuro.

Vale lembrar que se trata de uma espécie exótica e de um projeto ainda sem colheita comercial, mas o resultado já visível no terreno fala por si.

E você, plantaria uma floresta em uma terra dada como perdida, mesmo sem garantia de retorno? Acha que histórias assim podem inspirar mais gente no campo a recuperar áreas degradadas? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões sobre meio ambiente e produção, e compartilhe esta matéria com quem ama árvores e natureza.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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