Os dados foram apresentados por autoridades chinesas no 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, em Macau, nesta quinta. A China propôs uma nova etapa de cooperação em infraestrutura verde e digital com a América Latina. Vale notar que os números e a avaliação positiva partem do próprio governo chinês, anfitrião do encontro.
A China reafirmou o compromisso de longo prazo com a América Latina e o Caribe durante um fórum em Macau, e propôs uma nova etapa de cooperação em infraestrutura verde e digital. Segundo o portal Brasil 247, o anúncio ocorreu no 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, realizado nesta quinta, 11 de junho de 2026, com autoridades de governo, organismos internacionais e executivos de grandes empresas. As mensagens partiram de representantes do governo chinês.
Entre os destaques apresentados pela China estão um comércio recorde com a América Latina e a promessa de mais investimentos na região. De acordo com o diplomata Zhang Run, o intercâmbio comercial entre os dois lados chegou a US$ 549 bilhões, cerca de R$ 3 trilhões, em 2025, com importações chinesas em alta e quase um milhão de empregos ligados a projetos chineses. Os números, porém, foram apresentados pelo próprio governo chinês, anfitrião do encontro.
China reafirma o compromisso com a América Latina

foto: brasil247
O recado político central do fórum foi dado por Zhang Run, diretor do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da China. Segundo o material, ele citou uma mensagem do presidente Xi Jinping à 10ª Cúpula da CELAC e afirmou que o país manterá seu compromisso histórico com a região. Nas palavras dele, a China seria “sempre uma boa amiga e uma boa parceira” dos países da América Latina e do Caribe.
-
Embraer compra fatia da Safran Cabin e passa a controlar 100% da EAI no México, fabricante de cozinhas, bagageiros, lavatórios e pisos de aviões, em movimento para reduzir dependência de fornecedores, proteger margens e recuperar confiança após queda das ações em 2026 no setor aéreo mundial cada vez mais competitivo
-
BR-319, a rodovia mais polêmica da Amazônia, receberá investimentos bilionários para R$ 6,7 bilhões na estrada e R$ 2,9 bilhões na governança territorial numa tentativa de destravar um dos projetos mais sensíveis do Brasil
-
Somente quatro PPPs de saneamento prometem injetar R$ 20,3 bilhões a 477 municípios brasileiros e fazer de 2026 o ano recorde do setor
-
BNDES libera R$ 12,3 bilhões para uma das maiores obras urbanas do Brasil, que promete receber até 600 mil passageiros por dia e cortar mais de 200 mil toneladas de CO₂ por ano
De acordo com Zhang Run, mesmo em um mundo marcado por conflitos, as relações entre a China e a América Latina seguem avançando com estabilidade. O diplomata destacou que, só no último ano, Xi Jinping teria realizado mais de dez conversas com líderes da região, incluindo representantes de Brasil, Colômbia, Chile, Cuba e Uruguai. Ele também afirmou que a 10ª Cúpula da CELAC, na Colômbia, fez pela primeira vez uma avaliação positiva da cooperação com a China em seu documento final.
Comércio recorde e os números apresentados pela China

Para sustentar o discurso, a China apresentou números de comércio com a América Latina. Segundo Zhang Run, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 549 bilhões em 2025 e, nos cinco primeiros meses de 2026, chegou a US$ 247,3 bilhões, alta de 17,6% ante o mesmo período do ano anterior. O dado mais destacado por ele foi o crescimento de 27,6% nas importações chinesas vindas da região, que somaram US$ 120 bilhões.
É importante lembrar que esses números e a leitura positiva partem do próprio governo chinês, no fórum que ele organizou. Segundo Zhang, o resultado mostraria um equilíbrio maior nas relações comerciais, e pesquisas recentes indicariam uma percepção cada vez mais favorável à China na região. O diplomata também citou a isenção de vistos para cidadãos de Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai e a ampliação de voos diretos, inclusive com o Brasil.
Chancay, metrô de Bogotá e os três pilares da nova fase
A parte de infraestrutura ficou a cargo de Wang Qi, dirigente do Departamento de Investimentos Externos e Cooperação Econômica do Ministério do Comércio da China. Segundo o material, ele afirmou que projetos da Iniciativa Cinturão e Rota criaram uma rede de cooperação em transportes, energia, telecomunicações e desenvolvimento urbano na América Latina.
Entre os exemplos, citou o Porto de Chancay, no Peru, que teria reduzido o transporte marítimo entre o país e a Ásia de 35 para 23 dias, e a Linha 1 do Metrô de Bogotá, na Colômbia, que deve encurtar deslocamentos de mais de duas horas para 27 minutos.
Segundo Wang Qi, projetos de empresas chinesas já teriam ajudado a criar quase um milhão de empregos na região, além de hospitais, escolas, pontes, aeroportos, estradas e portos. Ele defendeu uma nova fase apoiada em três pilares, segundo o material: a integração entre infraestrutura e indústria, a transição ecológica, com energia limpa e finanças verdes, e a digitalização, com a passagem de uma conectividade física para uma conectividade digital. Tudo isso, vale frisar, dentro da visão apresentada pela própria China.
Gigantes chinesas avançam, e a parceria divide opiniões
O fórum aconteceu em meio à presença crescente de grandes grupos chineses de infraestrutura na América Latina. Segundo o material, participaram representantes de PowerChina, China Energy Engineering, China Railway Construction Corporation, China Harbour Engineering e Huawei, em uma estratégia que combina obras tradicionais com energia limpa, redes inteligentes e digitalização.
Na abertura, Li Chenggang, representante de Comércio da China, defendeu mais multilateralismo, liberalização do comércio e cooperação em áreas como redes 5G, centros de dados e cidades inteligentes.
Representando a CELAC, o ministro das Obras Públicas da Guiana, Juan Anthony Edghill, elogiou o avanço da parceria desde a criação do fórum, em 2014, em Brasília. Ele afirmou que a região tem testemunhado “um crescimento exponencial” da agenda de cooperação.
Ainda assim, é preciso lembrar que todo esse relato parte de um evento organizado pela China, e que a aproximação ocorre em meio à disputa geopolítica global, acompanhada com entusiasmo por uns e com cautela por outros, sobretudo quanto a dependência e endividamento.
No fim, o 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, em Macau, deixou claro o tamanho da aposta da China na América Latina, com números recordes e a promessa de uma nova fase de cooperação. O cenário, porém, foi desenhado a partir da ótica chinesa, e o real alcance dessa parceria vai depender da execução dos projetos e de como cada país da região conduzir a relação. Entre o entusiasmo e a cautela, o que está em jogo é o peso da China no futuro econômico da América Latina.
E você, como enxerga a presença cada vez maior da China na América Latina, uma oportunidade de desenvolvimento ou um motivo de cautela? Comente sua opinião e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes visões.
