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Enquanto o mundo se fecha em conflitos, a China abriu o cofre na América Latina, comércio recorde de 549 bilhões de dólares em 2025, importações em alta de 27,6% e quase um milhão de empregos, e cravou no fórum de Macau que veio para ficar na região

Publicado em 11/06/2026 às 18:15
Atualizado em 11/06/2026 às 18:17
No fórum de Macau, a China prometeu nova fase de cooperação em infraestrutura com a América Latina e citou comércio recorde de US$ 549 bilhões. imagem ilustrativa
No fórum de Macau, a China prometeu nova fase de cooperação em infraestrutura com a América Latina e citou comércio recorde de US$ 549 bilhões. imagem ilustrativa
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Os dados foram apresentados por autoridades chinesas no 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, em Macau, nesta quinta. A China propôs uma nova etapa de cooperação em infraestrutura verde e digital com a América Latina. Vale notar que os números e a avaliação positiva partem do próprio governo chinês, anfitrião do encontro.

A China reafirmou o compromisso de longo prazo com a América Latina e o Caribe durante um fórum em Macau, e propôs uma nova etapa de cooperação em infraestrutura verde e digital. Segundo o portal Brasil 247, o anúncio ocorreu no 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, realizado nesta quinta, 11 de junho de 2026, com autoridades de governo, organismos internacionais e executivos de grandes empresas. As mensagens partiram de representantes do governo chinês.

Entre os destaques apresentados pela China estão um comércio recorde com a América Latina e a promessa de mais investimentos na região. De acordo com o diplomata Zhang Run, o intercâmbio comercial entre os dois lados chegou a US$ 549 bilhões, cerca de R$ 3 trilhões, em 2025, com importações chinesas em alta e quase um milhão de empregos ligados a projetos chineses. Os números, porém, foram apresentados pelo próprio governo chinês, anfitrião do encontro.

China reafirma o compromisso com a América Latina


No fórum de Macau, a China prometeu nova fase de cooperação em infraestrutura com a América Latina e citou comércio recorde de US$ 549 bilhões.  
foto: brasil247
No fórum de Macau, a China prometeu nova fase de cooperação em infraestrutura com a América Latina e citou comércio recorde de US$ 549 bilhões. 
foto: brasil247

O recado político central do fórum foi dado por Zhang Run, diretor do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da China. Segundo o material, ele citou uma mensagem do presidente Xi Jinping à 10ª Cúpula da CELAC e afirmou que o país manterá seu compromisso histórico com a região. Nas palavras dele, a China seria “sempre uma boa amiga e uma boa parceira” dos países da América Latina e do Caribe.

De acordo com Zhang Run, mesmo em um mundo marcado por conflitos, as relações entre a China e a América Latina seguem avançando com estabilidade. O diplomata destacou que, só no último ano, Xi Jinping teria realizado mais de dez conversas com líderes da região, incluindo representantes de Brasil, Colômbia, Chile, Cuba e Uruguai. Ele também afirmou que a 10ª Cúpula da CELAC, na Colômbia, fez pela primeira vez uma avaliação positiva da cooperação com a China em seu documento final.

Comércio recorde e os números apresentados pela China

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

Para sustentar o discurso, a China apresentou números de comércio com a América Latina. Segundo Zhang Run, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 549 bilhões em 2025 e, nos cinco primeiros meses de 2026, chegou a US$ 247,3 bilhões, alta de 17,6% ante o mesmo período do ano anterior. O dado mais destacado por ele foi o crescimento de 27,6% nas importações chinesas vindas da região, que somaram US$ 120 bilhões.

É importante lembrar que esses números e a leitura positiva partem do próprio governo chinês, no fórum que ele organizou. Segundo Zhang, o resultado mostraria um equilíbrio maior nas relações comerciais, e pesquisas recentes indicariam uma percepção cada vez mais favorável à China na região. O diplomata também citou a isenção de vistos para cidadãos de Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai e a ampliação de voos diretos, inclusive com o Brasil.

Chancay, metrô de Bogotá e os três pilares da nova fase

A parte de infraestrutura ficou a cargo de Wang Qi, dirigente do Departamento de Investimentos Externos e Cooperação Econômica do Ministério do Comércio da China. Segundo o material, ele afirmou que projetos da Iniciativa Cinturão e Rota criaram uma rede de cooperação em transportes, energia, telecomunicações e desenvolvimento urbano na América Latina.

Entre os exemplos, citou o Porto de Chancay, no Peru, que teria reduzido o transporte marítimo entre o país e a Ásia de 35 para 23 dias, e a Linha 1 do Metrô de Bogotá, na Colômbia, que deve encurtar deslocamentos de mais de duas horas para 27 minutos.

Segundo Wang Qi, projetos de empresas chinesas já teriam ajudado a criar quase um milhão de empregos na região, além de hospitais, escolas, pontes, aeroportos, estradas e portos. Ele defendeu uma nova fase apoiada em três pilares, segundo o material: a integração entre infraestrutura e indústria, a transição ecológica, com energia limpa e finanças verdes, e a digitalização, com a passagem de uma conectividade física para uma conectividade digital. Tudo isso, vale frisar, dentro da visão apresentada pela própria China.

Gigantes chinesas avançam, e a parceria divide opiniões

O fórum aconteceu em meio à presença crescente de grandes grupos chineses de infraestrutura na América Latina. Segundo o material, participaram representantes de PowerChina, China Energy Engineering, China Railway Construction Corporation, China Harbour Engineering e Huawei, em uma estratégia que combina obras tradicionais com energia limpa, redes inteligentes e digitalização.

Na abertura, Li Chenggang, representante de Comércio da China, defendeu mais multilateralismo, liberalização do comércio e cooperação em áreas como redes 5G, centros de dados e cidades inteligentes.

Representando a CELAC, o ministro das Obras Públicas da Guiana, Juan Anthony Edghill, elogiou o avanço da parceria desde a criação do fórum, em 2014, em Brasília. Ele afirmou que a região tem testemunhado “um crescimento exponencial” da agenda de cooperação.

Ainda assim, é preciso lembrar que todo esse relato parte de um evento organizado pela China, e que a aproximação ocorre em meio à disputa geopolítica global, acompanhada com entusiasmo por uns e com cautela por outros, sobretudo quanto a dependência e endividamento.

No fim, o 12º Fórum de Infraestrutura China-CELAC, em Macau, deixou claro o tamanho da aposta da China na América Latina, com números recordes e a promessa de uma nova fase de cooperação. O cenário, porém, foi desenhado a partir da ótica chinesa, e o real alcance dessa parceria vai depender da execução dos projetos e de como cada país da região conduzir a relação. Entre o entusiasmo e a cautela, o que está em jogo é o peso da China no futuro econômico da América Latina.

E você, como enxerga a presença cada vez maior da China na América Latina, uma oportunidade de desenvolvimento ou um motivo de cautela? Comente sua opinião e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes visões.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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