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200 mil antenas espalhadas por 200 mil km² podem transformar montanhas em uma armadilha planetária para neutrinos, raios cósmicos e partículas que chegam com energia impossível de reproduzir na Terra

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 11/05/2026 às 18:55
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200 mil antenas espalhadas por 200 mil km²
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Projeto GRAND quer usar 200 mil antenas para detectar neutrinos e partículas cósmicas extremas em uma área gigantesca.

Em um dos projetos mais ambiciosos da física astroparticular moderna, a GRAND Collaboration trabalha para transformar grandes áreas terrestres em uma espécie de antena planetária para partículas quase invisíveis vindas do Universo profundo. Segundo artigo apresentado no ICRC 2023 e publicado pela Proceedings of Science em 27 de setembro de 2024, o Giant Radio Array for Neutrino Detection, GRAND, é um observatório planejado para detectar neutrinos de ultra-alta energia, raios cósmicos e raios gama, com uma configuração final prevista de 200 mil antenas de rádio distribuídas por 200 mil km² em subarranjos espalhados pelo mundo.

A ideia parece saída da ficção científica porque o GRAND não depende de telescópios tradicionais para observar o céu. A estratégia do projeto é captar a emissão de rádio gerada por chuveiros de partículas na atmosfera, produzidos quando partículas de energia extrema interagem com o ar ou com a crosta terrestre. O desenho previsto divide o sistema em cerca de 20 subarranjos de aproximadamente 10 mil km² cada, criando uma estrutura de observação muito maior que qualquer detector convencional de laboratório.

Projeto GRAND quer criar o maior detector de neutrinos já planejado

O nome GRAND significa Giant Radio Array for Neutrino Detection. O projeto foi concebido por uma colaboração internacional de pesquisadores que busca detectar partículas extremamente raras usando uma abordagem completamente diferente dos observatórios tradicionais.

Em vez de depender de grandes tanques subterrâneos ou detectores submersos no oceano, o GRAND pretende usar milhares de antenas distribuídas em regiões montanhosas remotas.

A escala do projeto é difícil de visualizar. Os planos completos falam em até 200 mil antenas espalhadas por cerca de 200 mil km², área semelhante ao tamanho de países inteiros ou grandes estados brasileiros.

Essa dimensão é necessária porque neutrinos de ultra-alta energia quase nunca interagem com a matéria. Detectá-los exige observar áreas gigantescas por longos períodos.

Neutrinos são partículas fantasmas que atravessam planetas inteiros quase sem colisão

Os neutrinos são frequentemente chamados de “partículas fantasmas”. Eles possuem massa extremamente pequena e interagem muito pouco com a matéria. Trilhões deles atravessam o corpo humano a cada segundo sem deixar qualquer efeito perceptível.

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Isso torna sua detecção extremamente difícil. Na maioria das vezes, eles atravessam planetas inteiros praticamente sem colidir com nada. O GRAND pretende usar montanhas como elemento estratégico do sistema.

A ideia é que neutrinos ultraenergéticos atravessem a Terra e eventualmente interajam próximo às encostas montanhosas, gerando partículas secundárias.

Essas partículas produziriam chuvas atmosféricas capazes de emitir sinais de rádio detectáveis pelas antenas espalhadas pelo terreno.

Atmosfera terrestre vira uma tela gigante para registrar colisões cósmicas

Quando partículas de energia extrema entram na atmosfera, elas desencadeiam cascatas de partículas secundárias.

Essas cascatas emitem sinais de rádio muito rápidos e fracos. O papel das antenas é captar esses sinais e permitir que cientistas reconstruam a trajetória e a energia do evento original.

Na prática, o projeto transforma a própria atmosfera em uma gigantesca superfície de observação cósmica.

Um dos motivos do interesse científico é a energia absurda envolvida. Alguns neutrinos e raios cósmicos carregam energias milhões de vezes superiores às produzidas em aceleradores como o CERN.

Esses eventos podem revelar fenômenos extremos ligados a buracos negros supermassivos, explosões cósmicas violentas e objetos ainda pouco compreendidos.

Cientistas querem descobrir origem dos raios cósmicos mais extremos do Universo

Uma das grandes perguntas da astrofísica moderna envolve justamente a origem dos raios cósmicos ultraenergéticos.

Os cientistas sabem que eles chegam à Terra, mas ainda não entendem completamente quais objetos conseguem acelerá-los a energias tão absurdas. Buracos negros, núcleos ativos de galáxias e explosões estelares estão entre os principais candidatos.

Para funcionar corretamente, o GRAND precisa operar em áreas extremamente silenciosas do ponto de vista eletromagnético.

Interferências produzidas por cidades, antenas de telecomunicações e equipamentos eletrônicos podem atrapalhar os sinais procurados. Por isso, regiões montanhosas isoladas aparecem como candidatas ideais para receber parte das antenas.

Sistema será modular e construído em etapas menores

O projeto completo ainda está em desenvolvimento e deve avançar em fases. Antes da instalação massiva das 200 mil antenas, os pesquisadores trabalham em protótipos menores para validar tecnologia, algoritmos e métodos de detecção.

Essas etapas ajudam a verificar se a abordagem realmente consegue identificar neutrinos ultraenergéticos com eficiência. O GRAND faz parte de uma tendência crescente da astronomia moderna: usar ondas de rádio para investigar fenômenos extremos.

Radiotelescópios gigantes já estudam buracos negros, galáxias distantes e sinais cósmicos misteriosos. O diferencial aqui é usar rádio para detectar partículas quase invisíveis. Isso amplia enormemente as possibilidades de observação do Universo profundo.

Detectar neutrinos pode revelar regiões invisíveis do cosmos

Os neutrinos conseguem atravessar regiões que bloqueiam luz, raios X e outras formas de radiação. Isso significa que eles carregam informações sobre ambientes cósmicos extremos normalmente inacessíveis aos telescópios convencionais.

Capturá-los pode ajudar cientistas a enxergar partes ocultas do Universo. O GRAND reúne áreas científicas extremamente complexas.

Ilustração – CPG7

A iniciativa combina física de partículas, radioastronomia, computação, análise de sinais e engenharia de larga escala. Além disso, o volume de dados esperado exige sistemas avançados de inteligência artificial e processamento distribuído.

Observatório pode ajudar a entender os eventos mais violentos já registrados no cosmos

Os cientistas esperam que o sistema ajude a rastrear fenômenos ligados a:

  • explosões de raios gama
  • colisões cósmicas extremas
  • buracos negros ativos
  • jatos relativísticos
  • eventos energéticos desconhecidos

Esses fenômenos estão entre os mais violentos já observados no Universo. O aspecto mais impressionante do projeto talvez seja sua dimensão.

Em vez de um único telescópio, o GRAND funciona como uma infraestrutura distribuída em escala continental. É um exemplo de como a ciência moderna passou a construir sistemas gigantescos para responder perguntas fundamentais sobre origem, estrutura e comportamento do Universo.

As 200 mil antenas podem transformar montanhas em uma máquina de observar partículas invisíveis

Se o projeto atingir sua configuração completa, montanhas espalhadas pelo planeta poderão funcionar como parte de um detector cósmico gigantesco.

A proposta parece futurista porque transforma elementos naturais da Terra em componentes ativos de uma máquina científica global. O objetivo final é capturar partículas tão raras e energéticas que podem carregar pistas sobre os eventos mais extremos já produzidos no cosmos.

Você imaginava que montanhas inteiras poderiam virar parte de um detector planetário criado para capturar partículas quase invisíveis vindas das regiões mais violentas do Universo?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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