Terminal russo na Península de Yamal opera três trens com capacidade total de 16,5 milhões de toneladas anuais. Em 2024 superou o projeto e exportou 21,2 milhões — o equivalente a 287 carregamentos de navios quebra-gelo.
O Yamal LNG, joint-venture liderada pela russa Novatek na cidade de Sabetta, fechou 2024 com recorde de exportação. A informação aparece no Global Energy Monitor.
De acordo com o relatório, foram 21,2 milhões de toneladas exportadas em 287 viagens. Em comparação com 2023, houve alta de 5%.
Segundo a Novatek, a marca representa aumento de 2,5% sobre o pico anterior de 2022. Por consequência, o terminal entra em 2026 com volume operacional acima da capacidade nominal.
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Yamal LNG e os 287 carregamentos: como o quebra-gelo viabiliza o Ártico
Conforme dados públicos, o Yamal LNG depende de uma frota de 15 navios quebra-gelo Ark7. De fato, esses navios foram desenhados para o gelo siberiano com até 2,1 metros de espessura.

De acordo com o Wikipedia, cada navio carrega cerca de 170 mil m³ de GNL. Em paralelo, parte da frota viaja pelo leste, via Rota do Mar do Norte.
Em outras palavras, o terminal funciona o ano inteiro. A logística marítima do Yamal LNG é uma das maiores operações árticas comerciais do mundo.
Por sua vez, a Novatek detém 50,1% do projeto. Acionistas chineses (CNPC e Silk Road Fund) e a francesa TotalEnergies somam os 49,9% restantes.
União Europeia comprou 15 milhões de toneladas do Yamal LNG em 2025
De acordo com a Real Instituto Elcano, 15 milhões de toneladas foram para terminais europeus em 2025. O volume representa cerca de um sétimo das importações de GNL da União Europeia.

Em paralelo, esse volume representa 76% das exportações globais do terminal em 2025. Por consequência, o terminal russo segue como peça-chave do sistema energético europeu mesmo após pacotes de sanções.
De fato, o GNL russo não está sob embargo total. Em comparação, o petróleo russo enfrenta teto de preço desde 2022.
Por outro lado, a Comissão Europeia anunciou intenção de banir todas as importações de GNL russo até 2027. Conforme analistas, a meta depende de capacidade alternativa nos EUA e Catar.
Arctic LNG 2: o projeto vizinho que está parado por sanções
Em paralelo ao sucesso do terminal, a Novatek tenta destravar o Arctic LNG 2. Conforme o Offshore Technology, o projeto está em fase avançada, mas trava em sanções.

De acordo com a empresa, a falta de navios quebra-gelo de nova geração é o principal gargalo. Em paralelo, sanções de 2022 bloquearam acesso a tecnologia ocidental de liquefação.
Conforme a Offshore Technology, o Arctic LNG 2 deveria adicionar 19,8 Mt anuais à produção russa. Por sua vez, o projeto está em escala 0% nessa meta.
De fato, o impasse é técnico e geopolítico. Em paralelo, a Rússia anunciou planos de construir frota própria de quebra-gelos sem componentes ocidentais até 2030.
Sabetta: cidade artificial no Círculo Polar Ártico
Sabetta é uma cidade portuária construída do zero pelo projeto a planta russa. Conforme dados oficiais, abriga cerca de 30 mil trabalhadores rotativos.

De acordo com a Technip Energies, parceiro do projeto, o terminal foi entregue em 2017 após apenas 5 anos de construção. Em comparação, projetos similares no Catar levam 10 anos.
Em paralelo, a temperatura média em Sabetta fica abaixo de -20 °C entre novembro e março. Por consequência, toda a infraestrutura tem isolamento térmico industrial.
Por sua vez, a planta opera com gás extraído dos campos South-Tambeyskoye, também no Yamal. Os campos contêm reservas estimadas em 4,9 trilhões de m³ de gás natural.
esse projeto em números
- 21,2 milhões de toneladas exportadas em 2024 — recorde
- 287 carregamentos de navios quebra-gelo em 2024
- 15 navios Ark7 na frota dedicada
- 15 Mt compradas pela União Europeia em 2025
- 76% das exportações globais do terminal vão para a UE
- 4,9 trilhões de m³ de reservas de gás no campo South-Tambeyskoye
Em comparação, o terminal de Sabine Pass nos EUA exporta cerca de 30 milhões de toneladas anuais. Por outro lado, o terminal russo é a maior operação ártica do gênero.
Outras operações árticas russas seguem em escala parecida. O novo quebra-gelo nuclear russo Lider de 150 MW é parte da mesma estratégia.
E o Brasil? Como o gás russo afeta o mercado nacional
O Brasil não compra GNL russo diretamente. Conforme a ANP, a maior parte do GNL importado pelo Brasil vem dos EUA, Catar e Trindade e Tobago.
De acordo com a Petrobras, o pré-sal brasileiro tem reservas de gás associado de cerca de 7 trilhões de m³. Por consequência, o Brasil pode reduzir importações ao longo da próxima década.
Em paralelo, o caso do complexo mostra a complexidade da geopolítica do gás. Por sua vez, o Brasil ainda depende de cadeias estrangeiras para liquefação e regaseificação.
Veja como o cenário energético global se desdobra em recentes movimentos americanos em minerais críticos no deserto de Utah.
Em paralelo, executivos brasileiros do setor de gás visitam Sabetta como referência operacional. Conforme a Cigás, parte do conhecimento técnico russo entrou em estudos de viabilidade brasileiros.
De fato, o essa operação estabeleceu padrão global para terminais árticos. Por consequência, países como o Canadá e a Noruega estudam replicar parte do modelo construtivo.
Ressalva: o terminal depende de janelas de gelo
De acordo com a Novatek, parte das exportações depende de janelas favoráveis na Rota do Mar do Norte. Em paralelo, mudanças climáticas mudam essas janelas a cada ano.
Por outro lado, o futuro das exportações depende de sanções. Conforme a Comissão Europeia, o bloqueio total a partir de 2027 reduziria 70% do mercado externo do complexo russo.
Será que o Brasil terá maturidade industrial para exportar gás natural liquefeito na próxima década? O caso a planta mostra o modelo: poço, liquefação, navio especializado.
Ainda assim, o terminal segue como referência ártica do setor. Por consequência, executivos de empresas brasileiras visitam Sabetta como benchmark logístico.

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