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Yamal LNG bate recorde com 21,2 milhões de toneladas exportadas em 2024 via 287 navios de quebra-gelo enquanto a União Europeia ainda compra 15 milhões dessa carga sob sanções

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/05/2026 às 17:30
Atualizado em 12/05/2026 às 17:32
Terminal Yamal LNG em Sabetta no Ártico russo
Terminal Yamal LNG em Sabetta.
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Terminal russo na Península de Yamal opera três trens com capacidade total de 16,5 milhões de toneladas anuais. Em 2024 superou o projeto e exportou 21,2 milhões — o equivalente a 287 carregamentos de navios quebra-gelo.

O Yamal LNG, joint-venture liderada pela russa Novatek na cidade de Sabetta, fechou 2024 com recorde de exportação. A informação aparece no Global Energy Monitor.

De acordo com o relatório, foram 21,2 milhões de toneladas exportadas em 287 viagens. Em comparação com 2023, houve alta de 5%.

Segundo a Novatek, a marca representa aumento de 2,5% sobre o pico anterior de 2022. Por consequência, o terminal entra em 2026 com volume operacional acima da capacidade nominal.

Yamal LNG e os 287 carregamentos: como o quebra-gelo viabiliza o Ártico

Conforme dados públicos, o Yamal LNG depende de uma frota de 15 navios quebra-gelo Ark7. De fato, esses navios foram desenhados para o gelo siberiano com até 2,1 metros de espessura.

Navio quebra-gelo Ark7 do Yamal LNG no Ártico
Navio quebra-gelo Ark7 navega entre placas de gelo. Imagem editorial.

De acordo com o Wikipedia, cada navio carrega cerca de 170 mil m³ de GNL. Em paralelo, parte da frota viaja pelo leste, via Rota do Mar do Norte.

Em outras palavras, o terminal funciona o ano inteiro. A logística marítima do Yamal LNG é uma das maiores operações árticas comerciais do mundo.

Por sua vez, a Novatek detém 50,1% do projeto. Acionistas chineses (CNPC e Silk Road Fund) e a francesa TotalEnergies somam os 49,9% restantes.

União Europeia comprou 15 milhões de toneladas do Yamal LNG em 2025

De acordo com a Real Instituto Elcano, 15 milhões de toneladas foram para terminais europeus em 2025. O volume representa cerca de um sétimo das importações de GNL da União Europeia.

Terminal de regaseificação de GNL na Europa que recebe carga do complexo russo
Terminal de regaseificação europeu. Imagem editorial.

Em paralelo, esse volume representa 76% das exportações globais do terminal em 2025. Por consequência, o terminal russo segue como peça-chave do sistema energético europeu mesmo após pacotes de sanções.

De fato, o GNL russo não está sob embargo total. Em comparação, o petróleo russo enfrenta teto de preço desde 2022.

Por outro lado, a Comissão Europeia anunciou intenção de banir todas as importações de GNL russo até 2027. Conforme analistas, a meta depende de capacidade alternativa nos EUA e Catar.

Arctic LNG 2: o projeto vizinho que está parado por sanções

Em paralelo ao sucesso do terminal, a Novatek tenta destravar o Arctic LNG 2. Conforme o Offshore Technology, o projeto está em fase avançada, mas trava em sanções.

Plataforma Arctic LNG 2 em construção, projeto vizinho do sítio
Plataforma Arctic LNG 2 em construção. Imagem editorial.

De acordo com a empresa, a falta de navios quebra-gelo de nova geração é o principal gargalo. Em paralelo, sanções de 2022 bloquearam acesso a tecnologia ocidental de liquefação.

Conforme a Offshore Technology, o Arctic LNG 2 deveria adicionar 19,8 Mt anuais à produção russa. Por sua vez, o projeto está em escala 0% nessa meta.

De fato, o impasse é técnico e geopolítico. Em paralelo, a Rússia anunciou planos de construir frota própria de quebra-gelos sem componentes ocidentais até 2030.

Sabetta: cidade artificial no Círculo Polar Ártico

Sabetta é uma cidade portuária construída do zero pelo projeto a planta russa. Conforme dados oficiais, abriga cerca de 30 mil trabalhadores rotativos.

Vista aérea da Península de Yamal com infraestrutura de gás
Península de Yamal com infraestrutura de gás. Imagem editorial.

De acordo com a Technip Energies, parceiro do projeto, o terminal foi entregue em 2017 após apenas 5 anos de construção. Em comparação, projetos similares no Catar levam 10 anos.

Em paralelo, a temperatura média em Sabetta fica abaixo de -20 °C entre novembro e março. Por consequência, toda a infraestrutura tem isolamento térmico industrial.

Por sua vez, a planta opera com gás extraído dos campos South-Tambeyskoye, também no Yamal. Os campos contêm reservas estimadas em 4,9 trilhões de m³ de gás natural.

esse projeto em números

  • 21,2 milhões de toneladas exportadas em 2024 — recorde
  • 287 carregamentos de navios quebra-gelo em 2024
  • 15 navios Ark7 na frota dedicada
  • 15 Mt compradas pela União Europeia em 2025
  • 76% das exportações globais do terminal vão para a UE
  • 4,9 trilhões de m³ de reservas de gás no campo South-Tambeyskoye

Em comparação, o terminal de Sabine Pass nos EUA exporta cerca de 30 milhões de toneladas anuais. Por outro lado, o terminal russo é a maior operação ártica do gênero.

Outras operações árticas russas seguem em escala parecida. O novo quebra-gelo nuclear russo Lider de 150 MW é parte da mesma estratégia.

E o Brasil? Como o gás russo afeta o mercado nacional

O Brasil não compra GNL russo diretamente. Conforme a ANP, a maior parte do GNL importado pelo Brasil vem dos EUA, Catar e Trindade e Tobago.

De acordo com a Petrobras, o pré-sal brasileiro tem reservas de gás associado de cerca de 7 trilhões de m³. Por consequência, o Brasil pode reduzir importações ao longo da próxima década.

Em paralelo, o caso do complexo mostra a complexidade da geopolítica do gás. Por sua vez, o Brasil ainda depende de cadeias estrangeiras para liquefação e regaseificação.

Veja como o cenário energético global se desdobra em recentes movimentos americanos em minerais críticos no deserto de Utah.

Em paralelo, executivos brasileiros do setor de gás visitam Sabetta como referência operacional. Conforme a Cigás, parte do conhecimento técnico russo entrou em estudos de viabilidade brasileiros.

De fato, o essa operação estabeleceu padrão global para terminais árticos. Por consequência, países como o Canadá e a Noruega estudam replicar parte do modelo construtivo.

Ressalva: o terminal depende de janelas de gelo

De acordo com a Novatek, parte das exportações depende de janelas favoráveis na Rota do Mar do Norte. Em paralelo, mudanças climáticas mudam essas janelas a cada ano.

Por outro lado, o futuro das exportações depende de sanções. Conforme a Comissão Europeia, o bloqueio total a partir de 2027 reduziria 70% do mercado externo do complexo russo.

Será que o Brasil terá maturidade industrial para exportar gás natural liquefeito na próxima década? O caso a planta mostra o modelo: poço, liquefação, navio especializado.

Ainda assim, o terminal segue como referência ártica do setor. Por consequência, executivos de empresas brasileiras visitam Sabetta como benchmark logístico.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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