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Cientistas alemães encontraram um vômito de 290 milhões de anos e descobriram um predador que ninguém imaginava existir antes dos dinossauros…

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 17/04/2026 às 06:00
Atualizado em 17/04/2026 às 06:03
Reconstrução paleo-arte de um sinapsídeo predador no Permiano alemão há 290 milhões de anos.
Predador de topo do Permiano caçava pequenos répteis 50 milhões de anos antes dos dinossauros — análise do vômito fossilizado MNG 17001 confirmou múltiplas presas em uma única refeição.
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Encontrado em Bromacker, na Turíngia alemã, o nódulo MNG 17001 de apenas 5 centímetros guardava 41 fragmentos ósseos de pelo menos três pequenos répteis devorados há 290 milhões de anos — um retrato congelado da cadeia alimentar do Permiano que muda o que se sabia sobre os predadores de topo antes dos dinossauros

Em uma pequena rocha alemã, paleontólogos encontraram a evidência mais antiga já registrada de uma refeição interrompida em terra firme. O vômito fossilizado de 290 milhões de anos apresentado pela equipe do Museum für Naturkunde de Berlim revela detalhes inéditos sobre como predadores de topo se comportavam 50 milhões de anos antes dos primeiros dinossauros aparecerem no planeta.

O nódulo, catalogado como MNG 17001, foi descrito em estudo publicado em 2 de março de 2026 na revista Scientific Reports, do grupo Nature. A descoberta saiu do sítio paleontológico de Bromacker, no Geoparque Inselsberg, em uma região da Turíngia que costuma preservar fósseis terrestres com qualidade rara no mundo.

“Este nódulo é o exemplo mais antigo conhecido de vômito fossilizado num ambiente terrestre — uma fotografia instantânea de uma cadeia alimentar pré-histórica”, afirmou o paleontólogo Arnaud Rebillard, líder da pesquisa. A informação é importante porque, até agora, registros desse tipo eram quase sempre marinhos.

O que estava dentro do vômito fossilizado de 290 milhões de anos

O regurgitalito mede apenas 5 centímetros de diâmetro. Por trás do tamanho discreto, ele guarda 41 fragmentos ósseos, todos com menos de 2 centímetros.

Os fragmentos pertencem a pelo menos três indivíduos, de mais de uma espécie. Aparecem partes de crânio, mandíbula e membros.

Por isso, os pequenos vertebrados consumidos foram identificados como Eudibamus e Thuringothyris, tetrápodes reptilianos ágeis que viviam de insetos e material vegetal nas planícies fluviais do Permiano alemão.

  • 41 fragmentos de osso, todos com menos de 2 centímetros
  • Pelo menos 3 indivíduos identificados, de espécies diferentes
  • Predador devorou e regurgitou uma refeição completa em pouco tempo
  • Os ossos vieram de Eudibamus e Thuringothyris, presas pequenas e ágeis
  • Tudo preservado em rocha sedimentar de planícies fluviais alemãs
Vômito fossilizado MNG 17001 com fragmentos ósseos visíveis em rocha
O nódulo de 5 centímetros guardava 41 fragmentos ósseos de pelo menos três pequenos répteis.

Como cientistas alemães identificaram o regurgitalito

A primeira pista foi a estrutura do nódulo. “A densidade compacta dos ossos levou a equipe a suspeitar imediatamente de material expelido pelo sistema digestivo, antes mesmo das análises detalhadas”, explicou Rebillard.

A confirmação científica veio com um scanner de alta precisão, capaz de tomografar o nódulo sem destruí-lo. Por consequência, o exame revelou alinhamentos compatíveis com a passagem dos ossos pelo sistema digestivo.

Outro detalhe descartou a hipótese de coprólito, termo técnico para fezes fossilizadas: o baixo teor de fósforo e a ausência de matriz sedimentar típica indicam regurgitação, não digestão completa.

Por isso, o material recebeu a classificação de regurgitalito. Trata-se de uma forma de evidência rara: enquanto coprólitos aparecem com frequência no registro fóssil, vômitos preservados são quase sempre marinhos e raramente terrestres.

Paleontólogos analisam vômito fossilizado em laboratório com scanner
A análise por escaneamento preservou o nódulo intacto e revelou alinhamentos compatíveis com movimento no sistema digestivo.

Quem foi o predador por trás do vômito fossilizado

A grande pergunta sem resposta definitiva é: quem comeu? A equipe não consegue cravar com 100% de certeza a identidade do caçador, mas estreitou para dois suspeitos.

O primeiro é o Dimetrodon teutonis, predador com a icônica vela dorsal e um dos maiores vertebrados terrestres do início do Permiano alemão. Por outro lado, o segundo é o Tambacarnifex unguifalcatus, caçador menor mas com mandíbulas robustas e garras afiadas.

Os dois pertenciam ao grupo dos sinapsídeos, ancestrais distantes dos atuais mamíferos. Apareceram nos ecossistemas alemães do Permiano antes mesmo dos dinossauros existirem como linhagem evolutiva.

“A leitura do regurgitalito indica que o predador de topo no início do Permiano não se limitava a presas grandes — pequenos vertebrados também entravam no menu, um ‘generalista’ entre carnívoros”, escreve a equipe no estudo.

Esse comportamento generalista contraria parte da literatura paleontológica, que costuma retratar grandes predadores do Permiano como caçadores especializados em presas grandes. Outros estudos recentes, como a reconstrução do Spinosaurus mirabilis no Saara, também sugerem dietas mais flexíveis em predadores ancestrais.

Reconstrução do Dimetrodon teutonis com vela dorsal no Permiano alemão
Com sua característica vela dorsal, o Dimetrodon teutonis é um dos dois principais suspeitos por trás do nódulo MNG 17001.

Por que o sítio de Bromacker preserva fósseis tão raros

O vômito fossilizado veio do sítio paleontológico de Bromacker, dentro do Geoparque Inselsberg, na Turíngia central.

A região guarda camadas rochosas de planícies de inundação sazonais. Quando rios transbordavam, lodo fino e sedimentos sufocavam rapidamente animais e restos orgânicos, garantindo soterramento veloz.

É essa combinação de ambiente fluvial e soterramento rápido que faz Bromacker ser um dos poucos lugares do mundo onde fósseis terrestres do início do Permiano aparecem em estado de conservação excepcional.

O nódulo MNG 17001 foi preparado pela equipe do Museum für Naturkunde em Berlim e está atualmente guardado na Friedenstein Stiftung, em Gotha, segundo informaram os pesquisadores. Outros sítios famosos por preservar pequenos vertebrados incluem o que produziu o menor dinossauro do mundo na Patagônia argentina.

Sítio paleontológico de Bromacker em Turíngia, Alemanha
As camadas fluviais de Bromacker preservam fósseis terrestres do Permiano com qualidade rara no mundo.

O que essa descoberta muda sobre os ecossistemas pré-dinossauros

O vômito fossilizado de 290 milhões de anos não é apenas curiosidade. Por consequência, ele oferece evidência direta de uma refeição completa, algo que ossos isolados não conseguem entregar.

Pesquisadores estimam que o predador comeu três presas em uma única refeição e regurgitou os pedaços indigestos rapidamente, antes que o suco gástrico os dissolvesse por completo.

Por isso, predadores topo do início do Permiano funcionavam mais como oportunistas generalistas do que como especialistas em uma única presa. Um insight valioso para reconstruir cadeias alimentares de 50 milhões de anos antes dos dinossauros.

“A descoberta amplia o que sabemos sobre comportamento alimentar em sinapsídeos primitivos”, explicou Mark MacDougall, professor assistente de Biologia na Brandon University, no Canadá, em vídeo de divulgação científica.

O paper está aberto para a comunidade científica analisar e replicar. Ainda assim, há limitações importantes que a própria equipe lista: o regurgitalito documenta um único evento alimentar e não permite generalizar a dieta de toda a fauna predatória do Permiano.

Vale lembrar também que a atribuição do predador, entre Dimetrodon ou Tambacarnifex, ainda é uma hipótese trabalhada com base em comparações indiretas: o tamanho dos fragmentos, as espécies locais e a anatomia das mandíbulas conhecidas. Como outras descobertas surpreendentes feitas no Brasil, como o novo rincossauro com bico de papagaio de 230 milhões de anos, o achado alemão deve passar por novas análises nos próximos meses para refinar conclusões. Para detalhes técnicos completos, vale acessar a reportagem do O Cafezinho e a cobertura do R7 Notícias sobre a publicação no Scientific Reports.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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