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Bitucas de cigarro que iriam para o lixo viraram tijolos ecológicos para construção de casas em projeto de estudantes da Argentina; os blocos de encaixe usam 60% de material reciclado, reduzem mais de 50% do cimento e custam metade de um tijolo comum

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Escrito por Carla Teles Publicado em 02/07/2026 às 18:33 Atualizado em 02/07/2026 às 18:35
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Tijolos ecológicos usam bitucas de cigarro, blocos de encaixe, material reciclado e menos cimento na Argentina. Imagem: Ilustração/Divulgação
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Finalista do Samsung Solve for Tomorrow em 2024, o Bastet Haus foi criado por estudantes argentinos da Escola Nacional Adolfo Pérez Esquivel. Segundo o programa, os tijolos ecológicos usam celulose extraída de bitucas tratadas, têm encaixe modular, reduziram mais de 50% do cimento e custam cerca de metade do convencional.

Os tijolos ecológicos desenvolvidos por estudantes da Argentina transformam resíduos de cigarro em blocos de encaixe para construção de casas. O projeto Bastet Haus, finalista do Samsung Solve for Tomorrow em 2024, combina reciclagem, engenharia e redução de custo em um protótipo voltado à construção acessível.

A proposta foi desenvolvida por alunos do quinto ano do ensino médio da Escola Nacional Adolfo Pérez Esquivel, em Buenos Aires, com orientação do professor Agustín Pascua. O material parte da celulose extraída de bitucas de cigarro tratadas e usa formato intertravado, parecido com blocos de montar, para facilitar a execução de módulos.

Projeto nasceu dentro de um programa STEM

tijolos ecológicos usam bitucas de cigarro, blocos de encaixe, material reciclado e menos cimento na Argentina.
Imagem:  Solve for Tomorrow

O Bastet Haus foi apresentado no Samsung Solve for Tomorrow, programa que incentiva projetos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática em escolas da América Latina. A iniciativa aparece como finalista de 2024 na Argentina, Paraguai e Uruguai, dentro de uma proposta educacional ligada a problemas reais.

O projeto não trata apenas de reciclagem simbólica. A ideia central é transformar um resíduo urbano difícil de reaproveitar em material de construção com função prática, testado em laboratório e pensado para montagem simples.

Bitucas passaram por tratamento antes da mistura

As bitucas de cigarro não foram usadas diretamente como lixo misturado ao cimento. Segundo o material do programa, a celulose foi extraída a partir das pontas de cigarro, depois de um processo ligado ao projeto anterior Collisafe, vencedor do Solve for Tomorrow em 2022 nos mesmos países.

Nesse processo, as bitucas foram seladas em recipiente com o fungo Pleurotus ostreatus, conhecido como cogumelo ostra. Em 25 dias no escuro, as substâncias tóxicas se decompuseram, permitindo que a celulose fosse reaproveitada em uma nova etapa de desenvolvimento.

Tijolos ecológicos foram testados em laboratório

O projeto avançou para testes em laboratório na Faculdade de Engenharia da Universidade Nacional do Centro da Província de Buenos Aires, a UNICEN, instituição à qual a escola é afiliada. A equipe avaliou diferentes protótipos até chegar a uma composição considerada mais eficiente.

Segundo o relato do professor Agustín Pascua, os resultados dos modelos intertravados foram positivos. Os tijolos ecológicos apresentaram resistência igual ou superior às opções tradicionais disponíveis no mercado, conforme os testes mencionados pelo programa.

Blocos de encaixe reduzem mão de obra

Após confirmar a viabilidade da produção dos tijolos, os estudantes passaram a analisar como reduzir custos de mão de obra. A solução encontrada foi o design intertravado, inspirado em blocos de encaixe, permitindo montar paredes em módulos.

Esse formato pode facilitar a construção porque reduz a complexidade da execução. Em vez de depender apenas do assentamento tradicional, os blocos são pensados para encaixar entre si, abrindo espaço para construções menores que possam ser ampliadas ou modificadas depois.

Composição reduziu mais de 50% do cimento

tijolos ecológicos usam bitucas de cigarro, blocos de encaixe, material reciclado e menos cimento na Argentina.
Imagem:  Solve for Tomorrow

Para chegar ao protótipo sustentável, a equipe testou entre 10 e 15 variações de mistura. A fórmula indicada como melhor resultado foi composta por 60% de acetato, derivado da reação do ácido acético com a celulose do algodão, e 40% de outros materiais, como cimento.

Segundo Pascua, o projeto reduziu o uso de cimento em mais de 50% em comparação com um tijolo convencional. Esse ponto é importante porque o cimento pesa no custo e no impacto ambiental da construção, especialmente quando usado em grande escala.

Custo ficou em metade do tijolo comum

A economia de custo também foi destacada pelo Samsung Solve for Tomorrow. Enquanto um tijolo comum custa cerca de 700 pesos argentinos, equivalentes a US$ 0,65 no material consultado, os tijolos Bastet Haus custam 350 pesos, ou US$ 0,33.

Essa diferença ajuda a explicar o interesse na proposta. Um bloco mais barato, mais leve e com material reciclado pode abrir margem para soluções habitacionais de menor custo, desde que futuras etapas confirmem desempenho em escala real.

Proposta mira casas simples e módulos ampliáveis

O projeto foi pensado para construção de casas, mas a fonte não informa que residências completas já tenham sido erguidas com os blocos. O que existe, até o momento, é um protótipo testado, com planos de continuar o desenvolvimento para paredes e casas inteiras.

A lógica modular permite começar com uma construção menor e ampliar depois, de forma semelhante a sistemas pré-fabricados. A diferença está no formato de encaixe, que busca tornar o processo mais simples e econômico para aplicações futuras.

Ideia combina reciclagem e construção acessível

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O Bastet Haus une dois problemas urbanos: o descarte de bitucas de cigarro e o custo de materiais de construção. Ao transformar celulose tratada em parte de um bloco construtivo, o projeto tenta dar função a um resíduo que normalmente iria para aterros, ruas ou sistemas de coleta.

O professor Agustín Pascua também citou possibilidades de aplicação em municípios interessados em habitação social e em clientes individuais que queiram construir casas simples. A proposta, portanto, olha para construção acessível sem abandonar critérios de teste e resistência.

Projeto também avaliou gestão e escala

Além da formulação técnica, os estudantes analisaram formas de gerir o projeto como negócio. Segundo o material, a equipe discutiu possibilidades de atender municípios e também compradores individuais interessados em uma construção simples.

Esse ponto mostra que a iniciativa não ficou restrita ao laboratório. Para que tijolos ecológicos cheguem ao mercado, é preciso pensar em coleta de resíduos, tratamento da celulose, produção padronizada, logística, certificação, preço e aceitação do setor da construção.

O que ainda precisa avançar antes do mercado

tijolos ecológicos usam bitucas de cigarro, blocos de encaixe, material reciclado e menos cimento na Argentina.
Imagem:  Solve for Tomorrow

A fonte não informa certificação técnica para uso comercial, normas de engenharia atendidas, resistência em obras completas ou desempenho de longo prazo em paredes reais. Também não detalha escala de produção, capacidade mensal ou modelo industrial definitivo.

Essas etapas são decisivas para qualquer material de construção. Um protótipo promissor precisa passar por validações adicionais antes de ser usado em casas inteiras, principalmente quando envolve segurança estrutural, durabilidade e padronização.

Tijolos ecológicos mostram novo caminho para resíduos urbanos

O caso argentino mostra como resíduos urbanos podem entrar em projetos de construção quando há tratamento, teste e desenho adequado. As bitucas de cigarro deixam de ser apenas descarte e passam a compor uma solução experimental com menor custo, menor uso de cimento e formato modular.

Você usaria tijolos ecológicos feitos a partir de resíduos de cigarro tratados em uma construção real, caso eles passassem por certificações e testes completos? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse tipo de material reciclado pode ganhar espaço na construção civil.

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Carla Teles

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