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Com apenas 70 centímetros de comprimento e menos de 1 quilo, o menor dinossauro não aviano já encontrado viveu há 95 milhões de anos na Patagônia, ficou décadas esquecido em fragmentos e acaba de ser revelado em esqueleto quase completo na revista Nature

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 13/04/2026 às 17:00
Atualizado em 13/04/2026 às 17:02
Menor dinossauro não aviano Alnashetri na Patagônia argentina
O Alnashetri cerropoliciensis media 70 cm de comprimento e pesava menos de 1 kg. Viveu há 95 milhões de anos na Patagônia e seu esqueleto quase completo foi detalhado na Nature em 2026.
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Alnashetri cerropoliciensis media 70 cm, pesava menos de 1 kg e foi detalhado em esqueleto quase completo publicado na Nature em 2026, preenchendo uma lacuna de décadas na árvore evolutiva dos dinossauros

Os primeiros fragmentos apareceram em 2012, durante uma escavação na Patagônia argentina. Pedaços de ossos tão pequenos que pareciam pertencer a um lagarto — não a um dinossauro. Mais de uma década depois, a ciência finalmente reuniu as peças. O menor dinossauro não aviano já documentado acaba de ganhar um esqueleto quase completo, publicado na revista Nature no início de 2026, e o que ele revela sobre a evolução dos répteis surpreendeu até os paleontólogos mais experientes.

O Alnashetri cerropoliciensis viveu há 95 milhões de anos, media apenas 70 centímetros de comprimento e 40 centímetros de altura, e pesava aproximadamente 1 quilo. Para comparação, era menor que uma galinha doméstica moderna. Conforme relatou o Diário do Comércio, o achado reacende debates fundamentais sobre como a miniaturização moldou linhagens inteiras de répteis pré-históricos.

Paleontólogos escavando fósseis de dinossauro na Patagônia argentina

De fragmentos esquecidos a esqueleto quase completo: a longa jornada do menor dinossauro

A história do Alnashetri começa com frustração. Em 2012, paleontólogos encontraram ossos fragmentados em um sítio na Patagônia, mas o material era insuficiente para uma descrição completa. Os pedaços foram catalogados e ficaram aguardando novas escavações.

Somente em 2026, com a publicação na Nature, o esqueleto quase completo foi apresentado — incluindo ossos de pernas, braços e fragmentos corporais que permitiram reconstruir o animal pela primeira vez. Análises microscópicas dos ossos confirmaram que ao menos um exemplar era um adulto plenamente desenvolvido, descartando a hipótese de que os fósseis pertenciam a juvenis de outra espécie.

Dessa forma, o tamanho minúsculo do Alnashetri não era resultado de imaturidade — era um traço evolutivo estável da espécie. Pesquisadores encontraram pelo menos cinco indivíduos distintos no sítio, reforçando que a miniaturização representava uma estratégia reprodutiva consolidada.

Outras descobertas recentes também têm reescrito capítulos da paleontologia. Na China, embriões de dinossauro de 190 milhões de anos preservaram até proteínas raríssimas nos ossos, algo que pode mudar o que se sabe sobre a vida antes da eclosão.

Esqueleto fóssil de menor dinossauro em museu de paleontologia

O que o menor dinossauro revela sobre a evolução dos alvarezossauros

O Alnashetri pertence ao grupo dos alvarezossauros — dinossauros carnívoros bípedes que gradualmente reduziram seus braços ao longo de milhões de anos. Contudo, o exemplar da Patagônia mostra uma fase primitiva dessa linhagem, com braços proporcionalmente longos e dentes grandes, o oposto do que se observa em alvarezossauros mais recentes.

Conforme publicou o ScienceDaily, essa descoberta coloca o Alnashetri como uma espécie de “elo perdido” entre os dinossauros carnívoros convencionais e os alvarezossauros especializados que vieram depois.

Além disso, modelagens evolutivas indicam que a miniaturização ocorreu de forma independente em diferentes grupos de dinossauros ao redor do mundo:

  • Alnashetri (Patagônia) — carnívoro, 70 cm, 95 milhões de anos
  • Foskeia pelendonum (Espanha) — herbívoro bípede, 50 cm, 120-125 milhões de anos
  • Muttaburrasaurus (Austrália) — herbívoro parente do Foskeia, vários metros

Portanto, dinossauros minúsculos não eram exceções — eram uma estratégia evolutiva que surgiu repetidamente em continentes diferentes, tanto em carnívoros quanto em herbívoros.

Paisagem da Patagônia argentina com formações rochosas sedimentares

O que ainda falta responder sobre os dinossauros em miniatura

Apesar do avanço, os pesquisadores reconhecem limitações importantes. O esqueleto do Alnashetri ainda não está 100% completo — faltam partes do crânio que poderiam revelar detalhes sobre a dieta e os sentidos do animal. Além disso, o material se concentra em um único sítio na Patagônia, e ainda não se sabe se a espécie tinha distribuição mais ampla.

O debate sobre por que alguns dinossauros encolheram enquanto outros cresceram permanece em aberto. Uma hipótese sugere que a miniaturização permitia explorar nichos ecológicos inacessíveis para predadores maiores — como tocas, vegetação densa e caça de insetos. Contudo, faltam dados para confirmar se o Alnashetri de fato ocupava esses micro-habitats.

Na África do Sul, pegadas de 132 milhões de anos escondidas sob a maré mostram que a diversidade dos dinossauros no hemisfério sul era muito maior do que a ciência imaginava. Cada nova descoberta — seja um fóssil de 1 quilo na Patagônia ou rastros numa praia africana — acrescenta uma peça a um quebra-cabeça que levará décadas para ser completado.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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