O Spinosaurus mirabilis saiu dos fósseis do Saara como o maior predador fluvial do Cretáceo e a primeira espécie nova do gênero em mais de um século
Uma equipe de paleontólogos liderada pelo professor Paul Sereno, da University of Chicago, acaba de apresentar ao mundo uma criatura que ficou escondida por 95 milhões de anos sob as areias do deserto do Saara.
O Spinosaurus mirabilis é uma nova espécie de dinossauro com 12 metros de comprimento, peso de várias toneladas e uma crista cranial em formato de cimitarra que nenhum cientista esperava encontrar.
A descrição formal do animal saiu nas páginas da revista Science entre 21 e 23 de fevereiro de 2026.
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Além disso, essa é a primeira espécie nova inequívoca de Spinosaurus em mais de um século.
A crista em forma de cimitarra era colorida em vida e curvava para o céu como uma lâmina
O traço mais marcante do Spinosaurus mirabilis é a crista mediana no topo do crânio.
Diferente de qualquer outro espinossaurídeo conhecido, essa estrutura tem formato de cimitarra — uma lâmina curva como um sabre.
Segundo os pesquisadores, a crista era recoberta de queratina.
“Baseado na textura da superfície da crista e nos canais vasculares internos, acreditamos que a crista era recoberta de queratina. Essa característica de exibição era colorida vividamente em vida, curvando-se para o céu como um farol em forma de lâmina”, explicaram os autores do estudo.
Portanto, essa estrutura provavelmente servia para atrair parceiros ou intimidar rivais dentro da floresta tropical do Cretáceo.

A “garça infernal” de 12 metros caçava peixes em rios a mil quilômetros da costa
O professor Paul Sereno comparou o Spinosaurus mirabilis a uma “garça infernal” (hell heron).
Assim como as garças modernas, o animal vadeava em águas rasas usando suas pernas robustas.
Contudo, em vez de pegar pequenos peixes, o predador capturava presas de grande porte como o Mawsonia, um celacanto gigante.
“Envisiono esse dinossauro como uma espécie de garça infernal que não tinha problema em vadear com suas pernas robustas em dois metros de água, mas provavelmente passava a maior parte do tempo caçando armadilhas mais rasas para os muitos peixes grandes da época”, disse Sereno.
O habitat do Spinosaurus mirabilis era uma floresta interior cortada por rios, localizada entre 500 e 1.000 quilômetros da linha costeira marinha mais próxima.
Essa descoberta desafia a ideia de que todos os espinossaurídeos viviam exclusivamente em ambientes costeiros.
Das areias do Níger para a Science: como a descoberta aconteceu ao longo de décadas
A história do Spinosaurus mirabilis começa muito antes de 2026.
Nos anos 1950, geólogos franceses em busca de urânio encontraram os primeiros ossos fósseis na região de Gadoufaoua, no Níger.
Décadas depois, em novembro de 2019, a equipe de Sereno coletou fragmentos de crista e mandíbula na superfície do deserto.
Inicialmente, ninguém reconheceu o que aqueles pedaços representavam.
“A crista era tão grande e inesperada que inicialmente não a reconhecemos pelo que era quando a extraímos da superfície do deserto”, admitiram os autores.
Somente em 2022, com uma equipe maior e a descoberta de duas cristas adicionais, a novidade ficou clara.
- 2000, 2019, 2022: escavações nas localidades de Iguidi e Jenguebi
- Novembro 2019: primeira coleta de crista e mandíbula
- 2022: expedição confirma nova espécie com mais fósseis
- Fevereiro 2026: publicação na Science
Os fósseis vieram da Formação Farak, que é mais recente que a Formação Elrhaz, de onde veio o Suchomimus.
Isso indica que o Spinosaurus mirabilis é uma das últimas espinossaurídeas sobreviventes do registro fóssil.

Com o tamanho de um Tyrannosaurus rex, o Spinosaurus mirabilis ocupava um nicho completamente diferente
O Spinosaurus mirabilis media aproximadamente 12 metros de comprimento, tamanho comparável ao de um Tyrannosaurus rex.
Porém, enquanto o T-rex era um predador terrestre que caçava grandes herbívoros, o mirabilis se especializou em peixes.
Suas mandíbulas possuíam dentes entrelaçados, adaptados para agarrar presas escorregadias dentro da água.
Além do crânio com crista, o animal carregava uma grande vela dorsal nas costas, estrutura comum a outros espinossauros.
O Spinosaurus aegyptiacus, encontrado no Egito e Marrocos, habitava depósitos costeiros, sugerindo um estilo de vida mais aquático.
Já o mirabilis vivia no interior, desafiando a visão de que espinossaurídeos dependiam exclusivamente do mar.
Assim como mistérios cósmicos que desafiam o conhecimento atual, essa descoberta mostra que a paleontologia ainda guarda surpresas capazes de reescrever capítulos inteiros da história da vida na Terra.

O que os paleontólogos ainda não sabem sobre o Spinosaurus mirabilis
Apesar da relevância da descoberta, existem limitações importantes.
Os fósseis incluem ossos cranianos e pós-cranianos parciais de duas localidades, mas não há um esqueleto completo.
Dessa forma, estimativas precisas de peso e proporções corporais exatas além dos 12 metros permanecem incertas.
A interpretação do habitat como “florestado com rios” baseia-se na estratigrafia local dos primeiros 60 centímetros da Formação Farak.
A distância estimada de 500 a 1.000 quilômetros da costa é uma projeção, não uma medição direta.
Além disso, a ideia de “garça infernal” é especulativa, baseada na morfologia das pernas e no nicho alimentar.
Contudo, a Sci.News destaca que a descoberta expande significativamente o registro de espinossaurídeos para o Saara central.
O Natural History Museum de Londres e o laboratório de Paul Sereno em Chicago publicaram análises complementares sobre a nova espécie.
Mesmo com as lacunas, o Spinosaurus mirabilis já reescreve o que se sabia sobre a diversidade e distribuição dos grandes predadores do Cretáceo.

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