Imagem de satélite da Nasa reacendeu o interesse por um dos vulcões mais ativos de Kamchatka, em um registro que uniu pluma gigante, fluxos de lava e monitoramento constante no Círculo de Fogo do Pacífico.
Uma imagem de satélite da Nasa voltou a chamar atenção para o vulcão Klyuchevskoy, na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, ao registrar uma coluna eruptiva que alcançou cerca de 1.600 quilômetros sobre o Pacífico.
O episódio, observado em 1º de novembro de 2023, mostrou o vulcão liberando cinzas e gases em grande altitude, enquanto duas frentes de lava realçadas por falso colorido formavam um desenho que, visualmente, lembrava chifres.
Embora a cena tenha sido captada em 2023, o tema permanece atual porque o Klyuchevskoy segue entre os vulcões mais ativos de Kamchatka e voltou a apresentar atividade intensa em 2025.
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Em agosto daquele ano, novas imagens da Nasa mostraram correntes de cinzas se deslocando em direção ao Alasca, em mais um episódio acompanhado de alertas para a aviação.
O interesse científico em torno do Klyuchevskoy vai além do impacto visual das imagens.
Segundo o Programa Global de Vulcanismo do Instituto Smithsonian, ele é um estratovulcão ativo com erupções frequentes, mais de 100 erupções laterais nos últimos 3 mil anos e mudanças recorrentes na morfologia da cratera principal desde o fim do século 17.
A mesma base o descreve como o vulcão mais alto e mais ativo da península de Kamchatka.
Imagem da Nasa mostrou pluma de cinzas e fluxos de lava no Klyuchevskoy
A fotografia que impulsionou a repercussão recente foi obtida pelo sensor MODIS, a bordo do satélite Aqua, da Nasa, durante um momento de intensificação eruptiva no segundo semestre de 2023.

De acordo com o Observatório da Terra da agência espacial, a pluma de cinzas alcançou 12 quilômetros de altitude e se estendeu para leste-sudeste por aproximadamente 1.600 quilômetros.
Na versão em falso colorido publicada pela Nasa, as nuvens aparecem em azul, a pluma eruptiva surge em tons acinzentados e a lava ganha destaque em vermelho por causa do sinal no infravermelho de ondas curtas.
Esse processamento não altera o evento, mas facilita a distinção visual entre lava, nuvens e material expelido pelo vulcão.
Foi essa combinação de elementos que levou parte da cobertura internacional a descrever as duas frentes de lava como “chifres”.

Do ponto de vista geológico, porém, a imagem mostra fluxos de lava associados a uma fase eruptiva que também produziu cinzas em grande volume, com potencial de interferência nas rotas aéreas da região.
A Nasa informou que o código de aviação foi elevado ao nível vermelho durante aquele episódio, e reportagens da época relataram fechamento de escolas em duas cidades próximas como medida preventiva.
Vulcão Klyuchevskoy segue entre os mais monitorados de Kamchatka
O histórico eruptivo ajuda a explicar por que o Klyuchevskoy aparece com frequência em boletins científicos e imagens de satélite.
O Smithsonian registra que a fase eruptiva anterior terminou em novembro de 2022, e uma nova sequência de atividade começou em junho de 2023, com explosões estrombolianas, fluxos de lava e plumas de cinzas ao longo de vários meses.
Mais recentemente, o sistema voltou a se intensificar em abril de 2025.
Segundo relatórios do Programa Global de Vulcanismo e do grupo de resposta a erupções vulcânicas de Kamchatka, houve anomalias térmicas detectadas por satélite, fontes de lava na cratera do cume e incandescência visível.
A atividade eruptiva iniciada em abril de 2025 terminou em 16 de agosto daquele ano, embora o vulcão tenha permanecido com emissão de gás e vapor.
Ainda em agosto de 2025, o Observatório da Terra da Nasa publicou nova imagem mostrando correntes de cinzas saindo do Klyuchevskaya Sopka, outro nome usado para o mesmo vulcão.
Segundo a agência, as plumas observadas entre 4 e 13 de agosto chegaram a atingir até 9 quilômetros de altitude, e o centro de avisos para cinzas vulcânicas em Anchorage emitiu alertas vermelhos para a aviação em várias ocasiões.
Esse conjunto de registros recentes evita que o assunto fique restrito a uma imagem antiga.
A fotografia de 2023 continua relevante porque documenta uma fase expressiva do vulcão e, ao mesmo tempo, se conecta a um padrão eruptivo que permaneceu ativo nos anos seguintes e segue sendo monitorado por satélites e equipes especializadas.
Península de Kamchatka concentra uma das áreas vulcânicas mais ativas do planeta
A península de Kamchatka é uma das áreas vulcânicas mais conhecidas do mundo.
A Nasa informa que a região abriga mais de 300 vulcões, vários deles ativos, enquanto o Klyuchevskoy integra o sítio “Vulcões de Kamchatka”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
O Klyuchevskoy não está isolado.
O vulcão Bezymianny fica próximo a ele, e o Programa Global de Vulcanismo também menciona a presença de outros centros vulcânicos nas redondezas, como Ushkovsky e Tolbachik.
Esse agrupamento ajuda a explicar por que a área é observada de forma contínua por redes de monitoramento, especialmente quando há aumento de cinzas em altitude.
A atividade na península está ligada à posição de Kamchatka no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, faixa tectônica que contorna grande parte do oceano Pacífico.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, essa é a zona de maior atividade sísmica e vulcânica do planeta.
A National Geographic informa que cerca de 90% dos terremotos ocorrem ao longo desse cinturão e que aproximadamente 75% dos vulcões ativos da Terra se distribuem por ele.
Altura do vulcão e risco para a aviação ampliam a repercussão internacional
Outro dado que sustenta a repercussão internacional é a dimensão do Klyuchevskoy.
A cobertura da Nasa o define como o vulcão ativo mais alto da Eurásia, e o valor de altitude informado em reportagens recentes gira em torno de 4.754 metros acima do nível do mar.

Essa combinação entre altitude elevada e atividade frequente amplia a visibilidade do vulcão tanto em imagens orbitais quanto em sistemas de alerta para a aviação.
Em erupções desse tipo, o problema não se resume ao aspecto visual do fenômeno.
A Nasa lembra que as partículas de cinza vulcânica são pequenas, abrasivas e capazes de danificar aeronaves.
Por isso, observações por satélite são usadas por centros de aviso para orientar companhias aéreas e reduzir o risco de incidentes em rotas que cruzam o norte do Pacífico.
A imagem dos chamados “chifres do diabo” ganhou repercussão porque reuniu, em um único registro, a forma incomum dos fluxos de lava, a escala da pluma atmosférica e o contexto geológico de um dos sistemas vulcânicos mais ativos do planeta.
Mais do que uma foto incomum da Terra vista do espaço, o registro passou a ser tratado por agências e centros de monitoramento como mais um exemplo da atividade persistente de Kamchatka, uma das regiões mais observadas no estudo do vulcanismo.


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