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Visto do espaço, um vulcão colossal de quase 5 mil metros na Rússia lançou 1.600 km de fumaça sobre o Pacífico, forma “chifres do diabo” de lava e revela a força brutal do Anel de Fogo

Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/03/2026 às 14:34
Atualizado em 28/03/2026 às 14:37
Assista o vídeoImagem da Nasa mostra vulcão Klyuchevskoy com pluma de 1.600 km em Kamchatka, uma das áreas vulcânicas mais ativas do mundo. (Imagem: Ilustrativa)
Imagem da Nasa mostra vulcão Klyuchevskoy com pluma de 1.600 km em Kamchatka, uma das áreas vulcânicas mais ativas do mundo. (Imagem: Ilustrativa)
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Imagem de satélite da Nasa reacendeu o interesse por um dos vulcões mais ativos de Kamchatka, em um registro que uniu pluma gigante, fluxos de lava e monitoramento constante no Círculo de Fogo do Pacífico.

Uma imagem de satélite da Nasa voltou a chamar atenção para o vulcão Klyuchevskoy, na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, ao registrar uma coluna eruptiva que alcançou cerca de 1.600 quilômetros sobre o Pacífico.

O episódio, observado em 1º de novembro de 2023, mostrou o vulcão liberando cinzas e gases em grande altitude, enquanto duas frentes de lava realçadas por falso colorido formavam um desenho que, visualmente, lembrava chifres.

Embora a cena tenha sido captada em 2023, o tema permanece atual porque o Klyuchevskoy segue entre os vulcões mais ativos de Kamchatka e voltou a apresentar atividade intensa em 2025.

Em agosto daquele ano, novas imagens da Nasa mostraram correntes de cinzas se deslocando em direção ao Alasca, em mais um episódio acompanhado de alertas para a aviação.

O interesse científico em torno do Klyuchevskoy vai além do impacto visual das imagens.

Segundo o Programa Global de Vulcanismo do Instituto Smithsonian, ele é um estratovulcão ativo com erupções frequentes, mais de 100 erupções laterais nos últimos 3 mil anos e mudanças recorrentes na morfologia da cratera principal desde o fim do século 17.

A mesma base o descreve como o vulcão mais alto e mais ativo da península de Kamchatka.

Imagem da Nasa mostrou pluma de cinzas e fluxos de lava no Klyuchevskoy

A fotografia que impulsionou a repercussão recente foi obtida pelo sensor MODIS, a bordo do satélite Aqua, da Nasa, durante um momento de intensificação eruptiva no segundo semestre de 2023.

Imagem: Reprodução/Nasa
Imagem: Reprodução/Nasa

De acordo com o Observatório da Terra da agência espacial, a pluma de cinzas alcançou 12 quilômetros de altitude e se estendeu para leste-sudeste por aproximadamente 1.600 quilômetros.

Na versão em falso colorido publicada pela Nasa, as nuvens aparecem em azul, a pluma eruptiva surge em tons acinzentados e a lava ganha destaque em vermelho por causa do sinal no infravermelho de ondas curtas.

Esse processamento não altera o evento, mas facilita a distinção visual entre lava, nuvens e material expelido pelo vulcão.

Foi essa combinação de elementos que levou parte da cobertura internacional a descrever as duas frentes de lava como “chifres”.

“Chifres do Diabo” - Erupção foi registrada via satélite - Observatório Terrestre da NASA/Wanmei Liang e Lauren Dauphin
“Chifres do Diabo” – Erupção foi registrada via satélite – Observatório Terrestre da NASA/Wanmei Liang e Lauren Dauphin

Do ponto de vista geológico, porém, a imagem mostra fluxos de lava associados a uma fase eruptiva que também produziu cinzas em grande volume, com potencial de interferência nas rotas aéreas da região.

A Nasa informou que o código de aviação foi elevado ao nível vermelho durante aquele episódio, e reportagens da época relataram fechamento de escolas em duas cidades próximas como medida preventiva.

Vulcão Klyuchevskoy segue entre os mais monitorados de Kamchatka

O histórico eruptivo ajuda a explicar por que o Klyuchevskoy aparece com frequência em boletins científicos e imagens de satélite.

O Smithsonian registra que a fase eruptiva anterior terminou em novembro de 2022, e uma nova sequência de atividade começou em junho de 2023, com explosões estrombolianas, fluxos de lava e plumas de cinzas ao longo de vários meses.

Mais recentemente, o sistema voltou a se intensificar em abril de 2025.

Segundo relatórios do Programa Global de Vulcanismo e do grupo de resposta a erupções vulcânicas de Kamchatka, houve anomalias térmicas detectadas por satélite, fontes de lava na cratera do cume e incandescência visível.

A atividade eruptiva iniciada em abril de 2025 terminou em 16 de agosto daquele ano, embora o vulcão tenha permanecido com emissão de gás e vapor.

Ainda em agosto de 2025, o Observatório da Terra da Nasa publicou nova imagem mostrando correntes de cinzas saindo do Klyuchevskaya Sopka, outro nome usado para o mesmo vulcão.

Segundo a agência, as plumas observadas entre 4 e 13 de agosto chegaram a atingir até 9 quilômetros de altitude, e o centro de avisos para cinzas vulcânicas em Anchorage emitiu alertas vermelhos para a aviação em várias ocasiões.

Esse conjunto de registros recentes evita que o assunto fique restrito a uma imagem antiga.

A fotografia de 2023 continua relevante porque documenta uma fase expressiva do vulcão e, ao mesmo tempo, se conecta a um padrão eruptivo que permaneceu ativo nos anos seguintes e segue sendo monitorado por satélites e equipes especializadas.

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Península de Kamchatka concentra uma das áreas vulcânicas mais ativas do planeta

A península de Kamchatka é uma das áreas vulcânicas mais conhecidas do mundo.

A Nasa informa que a região abriga mais de 300 vulcões, vários deles ativos, enquanto o Klyuchevskoy integra o sítio “Vulcões de Kamchatka”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

O Klyuchevskoy não está isolado.

O vulcão Bezymianny fica próximo a ele, e o Programa Global de Vulcanismo também menciona a presença de outros centros vulcânicos nas redondezas, como Ushkovsky e Tolbachik.

Esse agrupamento ajuda a explicar por que a área é observada de forma contínua por redes de monitoramento, especialmente quando há aumento de cinzas em altitude.

A atividade na península está ligada à posição de Kamchatka no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, faixa tectônica que contorna grande parte do oceano Pacífico.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, essa é a zona de maior atividade sísmica e vulcânica do planeta.

A National Geographic informa que cerca de 90% dos terremotos ocorrem ao longo desse cinturão e que aproximadamente 75% dos vulcões ativos da Terra se distribuem por ele.

Altura do vulcão e risco para a aviação ampliam a repercussão internacional

Outro dado que sustenta a repercussão internacional é a dimensão do Klyuchevskoy.

A cobertura da Nasa o define como o vulcão ativo mais alto da Eurásia, e o valor de altitude informado em reportagens recentes gira em torno de 4.754 metros acima do nível do mar.

Vulcão Klyuchevskoi, na península de Kamchatka (Imagem: GENNADY TEPLITSKIY / Shutterstock.com)
Vulcão Klyuchevskoi, na península de Kamchatka (Imagem: GENNADY TEPLITSKIY / Shutterstock.com)

Essa combinação entre altitude elevada e atividade frequente amplia a visibilidade do vulcão tanto em imagens orbitais quanto em sistemas de alerta para a aviação.

Em erupções desse tipo, o problema não se resume ao aspecto visual do fenômeno.

A Nasa lembra que as partículas de cinza vulcânica são pequenas, abrasivas e capazes de danificar aeronaves.

Por isso, observações por satélite são usadas por centros de aviso para orientar companhias aéreas e reduzir o risco de incidentes em rotas que cruzam o norte do Pacífico.

A imagem dos chamados “chifres do diabo” ganhou repercussão porque reuniu, em um único registro, a forma incomum dos fluxos de lava, a escala da pluma atmosférica e o contexto geológico de um dos sistemas vulcânicos mais ativos do planeta.

Mais do que uma foto incomum da Terra vista do espaço, o registro passou a ser tratado por agências e centros de monitoramento como mais um exemplo da atividade persistente de Kamchatka, uma das regiões mais observadas no estudo do vulcanismo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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