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Do espaço, deserto na fronteira entre Egito e Sudão exibe círculos verdes gigantes de cerca de 1 km no coração do Saara, marcas da agricultura intensiva por pivô central sustentada por água de aquíferos subterrâneos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 13/04/2026 às 18:25 Atualizado em 13/04/2026 às 18:28
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Crop Circles in Sharq El Owainat – NASA
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Imagens de satélite revelam círculos verdes no deserto do Sudão e mostram como aquíferos subterrâneos sustentam agricultura em regiões áridas.

Em registros de satélite analisados ao longo dos anos 2000 e 2010 e amplamente divulgados pela NASA Earth Observatory e, mais tarde, em imagens de Sharq El Owainat, o Saara passou a revelar um fenômeno que, à primeira vista, parece artificial demais para ser real: círculos verdes quase perfeitos surgindo em plena faixa desértica próxima à fronteira entre Egito e Sudão e no sudoeste do Egito, em uma das regiões mais áridas do planeta.

Essas formações, visíveis do espaço com nitidez impressionante, chegam a atingir cerca de 1 quilômetro de diâmetro e criam um contraste extremo com o ambiente ao redor, dominado por areia, rochas e precipitação quase nula. O padrão geométrico repetitivo não é resultado de um processo natural: segundo a própria NASA Earth Observatory, trata-se de um sistema de irrigação por pivô central, no qual a água é bombeada de poços no centro de cada área cultivada e distribuída por longos braços rotativos.

O que essas imagens revelam é uma tecnologia capaz de transformar áreas consideradas praticamente inóspitas em zonas produtivas, sustentando plantações no deserto com engenharia hídrica, energia e extração de água subterrânea do Sistema Aquífero Arenito Nubiano. Em termos práticos, é esse arranjo técnico que permite manter agricultura em escala em trechos do Saara onde, sem irrigação artificial, a produção simplesmente não se sustentaria.

O que são os círculos verdes e como eles se formam

Os círculos observados nas imagens de satélite são resultado do uso de irrigação por pivô central, um método agrícola que consiste em um equipamento rotativo instalado em torno de um ponto fixo. Esse equipamento distribui água de forma uniforme enquanto gira, criando plantações com formato circular.

O sistema funciona a partir de um braço metálico longo, que pode atingir centenas de metros, equipado com aspersores que liberam água ao longo de sua extensão. À medida que o equipamento gira em torno de um eixo central, ele irriga toda a área ao redor, formando um círculo quase perfeito quando visto de cima.

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Esse tipo de irrigação é especialmente eficiente em regiões planas e abertas, como o deserto sudanês, onde não há obstáculos naturais significativos.

O resultado visual é impressionante: áreas agrícolas verdes e densas cercadas por um ambiente completamente árido, criando padrões que parecem desenhados com precisão geométrica sobre a paisagem.

Aquíferos subterrâneos sustentam a agricultura no deserto

O elemento mais crítico para o funcionamento desses sistemas não está na superfície, mas abaixo dela. A água utilizada na irrigação não vem de rios ou chuvas frequentes, mas sim de aquíferos subterrâneos profundos, muitos dos quais são classificados como aquíferos fósseis.

Esses reservatórios foram formados ao longo de milhares ou até milhões de anos, em períodos em que o clima da região era muito mais úmido do que o atual. No caso do norte da África, esses aquíferos armazenam água acumulada durante fases antigas do Saara, quando a região possuía lagos, vegetação e clima mais favorável à vida.

Ao perfurar o solo em profundidades que podem ultrapassar centenas de metros, é possível acessar essas reservas e bombear água para a superfície. Essa água então alimenta os sistemas de pivô central, permitindo a irrigação contínua das plantações. Esse processo é o que torna possível a existência desses círculos verdes em meio ao deserto.

Dimensões técnicas e escala das operações agrícolas

Cada círculo visível nas imagens de satélite pode atingir entre 500 metros e 1 quilômetro de diâmetro, dependendo do tamanho do sistema instalado. Isso significa que uma única unidade pode irrigar dezenas de hectares de terra.

Quando múltiplos sistemas são instalados próximos uns dos outros, o resultado é um mosaico de círculos verdes que se espalha por grandes extensões do deserto. Essas áreas são utilizadas para o cultivo de culturas como:

  • Trigo
  • Milho
  • Alfafa
  • Forragens para pecuária

A escala dessas operações pode ser significativa, com projetos agrícolas ocupando centenas ou até milhares de hectares em regiões anteriormente consideradas improdutivas.

Contraste visual extremo chama atenção da NASA e de pesquisadores

As imagens capturadas por satélites e analisadas por instituições como a NASA chamam atenção não apenas pela funcionalidade dos sistemas, mas pelo impacto visual que produzem.

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Do ponto de vista orbital, os círculos verdes se destacam de forma intensa contra o fundo arenoso do deserto. Esse contraste é tão marcante que essas áreas se tornaram exemplos frequentes em estudos sobre uso da terra e transformação de paisagens por atividade humana.

Além disso, esses padrões geométricos ajudam pesquisadores a identificar rapidamente áreas de agricultura intensiva em regiões áridas, facilitando o monitoramento de recursos hídricos e uso do solo.

Limitações e riscos do uso de aquíferos fósseis

Apesar do sucesso técnico desses sistemas, há um ponto crítico que vem sendo debatido por especialistas: a sustentabilidade do uso de aquíferos fósseis.

Diferente de fontes renováveis, como rios e chuvas, esses aquíferos não são recarregados em escala significativa no clima atual do Saara. Isso significa que a água retirada é, na prática, um recurso finito.

O uso intensivo desses reservatórios pode levar à redução progressiva dos níveis de água, aumentando o custo de extração e, eventualmente, tornando inviável a continuidade das operações agrícolas.

Esse fenômeno já foi observado em outras regiões do mundo onde aquíferos fósseis são explorados em larga escala.

Agricultura no deserto redefine limites da produção global

Mesmo com as limitações, os sistemas de irrigação por pivô central no deserto representam uma transformação significativa na forma como a agricultura pode ser praticada em ambientes extremos.

Eles demonstram que, com acesso a recursos subterrâneos e tecnologia adequada, é possível converter áreas áridas em zonas produtivas.

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Esse modelo tem sido replicado em diferentes partes do mundo, incluindo regiões da Arábia Saudita, Líbia e Estados Unidos, sempre com base na mesma lógica: uso intensivo de água subterrânea combinado com sistemas mecanizados de irrigação.

Os círculos verdes no deserto do Sudão mostram até onde a engenharia e a tecnologia podem ir para superar limitações naturais, mas também levantam questões importantes sobre sustentabilidade e uso de recursos finitos.

Na sua visão, esse tipo de agricultura representa uma solução viável para o futuro ou um modelo que pode esgotar rapidamente os recursos naturais que o sustentam?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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