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Vídeo de IA divulgado por embaixada do Irã mostra Cristo Redentor derrubando a Estátua da Liberdade após ameaça de tarifa de 25% ao Brasil e transforma cartões-postais em símbolos de uma nova batalha política entre Brasília e Washington

Escrito por Carla Teles
Publicado em 02/06/2026 às 19:29
Atualizado em 02/06/2026 às 19:32
Vídeo de IA divulgado por embaixada do Irã mostra Cristo Redentor derrubando a Estátua da Liberdade após ameaça de tarifa de 25% ao Brasil e transforma cartões-postais em símbolos de
Vídeo de IA da propaganda do Irã mostra o Cristo Redentor derrubando a Estátua da Liberdade após o tarifaço dos EUA ao Brasil. Veja o que está por trás da peça. Imagem: X
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Uma embaixada do Irã publicou um vídeo de inteligência artificial em que o Cristo Redentor luta e derrota a Estátua da Liberdade, jogando o monumento americano montanha abaixo. A peça de propaganda surge logo após o governo Trump ameaçar impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, em meio a tensões diplomáticas crescentes.

O Cristo Redentor, um dos cartões-postais mais reconhecidos do mundo, virou personagem de uma propaganda de guerra inesperada. Em um vídeo feito com inteligência artificial e divulgado nesta segunda-feira (1º) pela Embaixada do Irã na Tunísia, o monumento brasileiro aparece lutando contra a Estátua da Liberdade, e saindo vitorioso. A peça foi postada na rede social X logo após o governo do presidente americano Donald Trump ameaçar impor uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.

As imagens mostram a Estátua da Liberdade, símbolo de Nova York, se aproximando do Cristo Redentor no Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, para desferir um soco. O Cristo, porém, bloqueia a agressão e revida em cheio, fazendo a “adversária” ser derrotada e cair em pedaços do alto da montanha. A legenda que acompanha o vídeo resume a mensagem: “Uma frente. Uma luta”. A propaganda insere o Brasil, sem que o país tenha participado, numa narrativa construída pelo Irã contra os Estados Unidos.

O que mostra o vídeo do Cristo Redentor

A peça de inteligência artificial tem uma narrativa visual simples e direta. O Cristo Redentor surge como figura defensiva e, ao mesmo tempo, vitoriosa: é atacado primeiro, mas reage e vence. A escolha do monumento brasileiro como protagonista não é aleatória, ela responde diretamente ao contexto da ameaça tarifária americana, transformando um símbolo nacional em representação do próprio Brasil dentro da disputa.

A Estátua da Liberdade, por sua vez, é retratada como a agressora derrotada, caindo despedaçada do Corcovado. A simbologia é evidente: o Irã constrói uma imagem em que os Estados Unidos atacam, mas acabam vencidos. Ao usar o Cristo Redentor nesse papel, a propaganda iraniana tenta associar o Brasil à sua própria narrativa de resistência contra Washington, mesmo sem qualquer envolvimento oficial do governo brasileiro na produção ou divulgação do conteúdo.

A estratégia de propaganda do Irã com inteligência artificial

O vídeo do Cristo Redentor não é um caso isolado. Em meio a um confronto direto do Irã com os Estados Unidos e Israel, o país passou a retratar disputas militares e tensões diplomáticas por meio de desenhos animados, vídeos satíricos e cenas fictícias criadas com auxílio de inteligência artificial. É uma forma moderna e de baixo custo de fazer propaganda de guerra, voltada especialmente para circular em redes sociais.

Essas peças têm sido compartilhadas pela mídia estatal iraniana e por embaixadas do Irã no Ocidente, com o objetivo de ironizar o desempenho dos Estados Unidos na guerra no Oriente Médio. O uso de plataformas como o X e o TikTok mostra que a estratégia mira o engajamento e a viralização, apostando que imagens chamativas e facilmente compartilháveis alcançam mais pessoas do que comunicados oficiais tradicionais. O Cristo Redentor, nesse caso, virou ferramenta de uma mensagem que vai muito além do Brasil.

O pano de fundo: a ameaça de tarifa de 25% ao Brasil

Para entender por que o Cristo Redentor entrou nessa narrativa, é preciso olhar o contexto diplomático. O vídeo surgiu logo após o governo Trump propor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil adotaria práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelos Estados Unidos. Segundo o Escritório de Comércio americano, o prazo para a aplicação das medidas vai até 15 de julho de 2026, embora o documento também inclua uma lista de itens isentos.

A tensão comercial rapidamente ganhou contornos políticos no Brasil. O presidente Lula criticou o tarifaço e associou a taxação a reuniões de membros da família Bolsonaro com o governo Trump. Do outro lado, o ex-presidente Donald Trump publicou, no mesmo dia da proposta, uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro. Esse cruzamento entre comércio, diplomacia e disputa política interna é o terreno sobre o qual a propaganda iraniana caiu, e o Cristo Redentor, sem pedir, virou símbolo dessa colisão.

Quando símbolos nacionais viram armas de narrativa

O episódio levanta uma questão interessante sobre o papel dos monumentos e cartões-postais na era das redes sociais e da inteligência artificial. O Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade são, antes de tudo, símbolos de identidade e de valores, fé, acolhimento, liberdade. Ao colocá-los para lutar, a propaganda os reduz a representações de Estados em conflito, esvaziando seu significado original em favor de uma mensagem política.

Esse fenômeno não é novo, mas a inteligência artificial o tornou muito mais rápido e acessível. Produzir uma cena realista de dois monumentos lutando, que antes exigiria equipes e orçamentos de cinema, hoje pode ser feito em minutos com ferramentas de IA. Isso multiplica a capacidade de qualquer ator, incluindo governos, de transformar símbolos alheios em peças de propaganda. O Brasil, nesse caso, viu seu monumento mais icônico ser usado numa disputa que não é sua, num lembrete de como a guerra de narrativas hoje atravessa fronteiras sem pedir licença.

O que esse caso revela sobre desinformação e geopolítica

Mais do que uma curiosidade viral, o vídeo do Cristo Redentor é um sintoma de como conflitos geopolíticos hoje se travam também no campo simbólico e digital. A facilidade de criar conteúdo persuasivo com inteligência artificial abre espaço para que mensagens políticas circulem disfarçadas de entretenimento, alcançando públicos que talvez nunca lessem uma análise diplomática.

O risco é que esse tipo de conteúdo confunda a linha entre informação e propaganda. Um vídeo de monumentos lutando pode parecer apenas uma brincadeira, mas carrega uma mensagem política deliberada, produzida por um Estado com objetivos específicos. Reconhecer a origem, o contexto e a intenção por trás dessas peças é essencial para não consumi-las de forma ingênua. No caso do Cristo Redentor, o que parece humor é, na prática, um movimento calculado dentro de uma guerra de narrativas global.

O que você achou do uso do Cristo Redentor nessa propaganda do Irã? Acha que o Brasil deveria se manifestar sobre ter seu monumento usado numa disputa que não é dele, ou é melhor ignorar? E sobre o uso de inteligência artificial para fazer propaganda política, preocupa ou é só mais uma forma de comunicação? Deixa sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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