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Velejador está disposto a quebrar um recorde histórico de ‘volta ao mundo ao contrário’, sozinho no trimarã, enfrentando 40 mil milhas contra ventos e correntes para superar a marca de 122 dias e 14 horas que resiste desde 2004

Publicado em 28/02/2026 às 08:44
Atualizado em 28/02/2026 às 08:45
Volta ao mundo, Recorde
Guirec Soudée está navegando contra o vento para dar volta ao mundo no sentido oposto. Foto: Instagram @guirecsoudeeadventure/ Reprodução e Guirec Soudée Adventures/ Divulgação
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Velejador francês Guirec Soudée tenta volta ao mundo à vela ao contrário desde 23 de dezembro de 2025, enfrenta 40 mil milhas contra ventos e busca superar recorde de 122 dias e 14 horas estabelecido em 2004

O francês Guirec Soudée iniciou em 23 de dezembro de 2025 uma volta ao mundo à vela no sentido contrário ao tradicional, a bordo do trimarã Ultim MACSF, com meta de percorrer 40 mil milhas e desafiar o recorde de 122 dias e 14 horas vigente desde 2004.

A proposta rompe com o percurso clássico da Vendée Globe, disputa de circunavegação em solitário e sem escalas.

Em vez de seguir o fluxo predominante de ventos e correntes, Soudée navega de este para oeste, enfrentando condições adversas ao longo de praticamente toda a rota.

O desafio impõe uma distância total estimada em 40 mil milhas, quase o dobro das 25 mil milhas percorridas na Vendée Globe tradicional.

A diferença ocorre porque, ao contrário do que se poderia imaginar, não é possível manter uma linha direta quando o vento sopra exatamente da direção pretendida.

Volta ao mundo à vela contra ventos e correntes exige rota ampliada em 45°

Na prática, a volta ao mundo à vela em sentido inverso obriga o velejador a alterar constantemente o ângulo do barco em relação ao vento.

Após contornar cada cabo, Soudée precisa ajustar sua navegação em até 45° para conseguir avançar.

Essa necessidade técnica explica por que o trajeto se torna mais extenso. Navegar contra ventos e correntes significa ampliar a rota, evitando a impossibilidade física de seguir diretamente rumo ao destino quando o vento sopra em sentido contrário.

Desde a largada, o francês enfrenta ventos contrários de forma contínua. A travessia representa uma navegação literal contra a maré, exigindo manobras frequentes e vigilância permanente.

63 dias de travessia e passagem pelo Cabo Leeuwin

Até o momento, já são 63 dias de jornada ao redor do planeta na direção oposta à tradicional. Soudée ultrapassou o Cabo Leeuwin, na Austrália, e segue agora em direção ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul.

A localização do trimarã pode ser acompanhada em tempo real no site oficial. O acompanhamento mostra a progressão do barco ao longo de uma rota marcada por condições severas e constantes ajustes de direção.

O desempenho do francês tem sido consistente, mesmo diante das tribulações impostas pela escolha do sentido inverso.

A tentativa insere seu nome entre os poucos que decidiram enfrentar a circunavegação nessa configuração.

Recorde de 122 dias e 14 horas permanece intacto desde 2004

O recorde da volta ao mundo à vela no sentido contrário pertence ao francês Jean Luc Van Den Heede. Em 2004, ele concluiu o percurso em 122 dias e 14 horas, navegando sozinho em um monocasco.

Desde então, a marca não foi superada. Em multicascos, apenas duas tentativas ocorreram. Yves Le Blevevem, em 2017, a bordo do Actual Ultim, e Romain Pilliard com Alex Pella, em 2021, no Use It Again, não completaram a travessia.

Ambas as investidas fracassaram na América do Sul. Soudée, no entanto, declarou sentir-se pronto para quebrar o recorde estabelecido há mais de duas décadas.

Momentos de tensão na costa sul da Austrália

A navegação contrária também impõe desafios pouco comuns na Vendée Globe tradicional. Em relato publicado no diário de bordo da MACSF, o velejador descreveu episódios de tensão ao longo da costa sul da Austrália.

Segundo ele, dividiu as águas com plataformas de petróleo, embarcações de pesca e navios de carga. Em determinado momento, havia um cargueiro a estibordo e outro a bombordo, ambos passando muito próximos.

A necessidade de manter estado de alerta constante impediu descanso naquele trecho. Soudée relatou ainda contato via rádio VHF com um capitão para confirmar se estava sendo visto claramente e discutir a manobra de passagem.

Ao ouvir que seu barco era rápido, respondeu que sua velocidade era imprevisível, pois dependia do vento. A interação reforça a complexidade da navegação em sentido inverso, em áreas onde trimarãs não são comuns.

O trimarã Ultim MACSF e o histórico de 49 dias, 3 horas e 7 minutos

Para enfrentar a volta ao mundo à vela ao contrário, Soudée escolheu um barco com histórico expressivo. O atual Ultim MACSF é o antigo Sodebo Ultim, que pertenceu ao skipper Thomas Coville.

Sob comando de Coville, a embarcação completou uma circunavegação em solitário em 2016 em 49 dias, 3 horas e 7 minutos. O desempenho estabeleceu recorde de volta ao mundo mais rápida em veleiro.

A escolha do trimarã está diretamente ligada às exigências técnicas do projeto. A combinação entre experiência do navegador e capacidade da embarcação é vista como fator central para a tentativa.

Mesmo navegando na contramão do mundo, Soudée mantém o objetivo de concluir as 40 mil milhas previstas. Se atingir a marca antes de 122 dias e 14 horas, entrará para a história da navegação oceânica em solitário.

Com informações de Nautica.

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Romário Pereira de Carvalho

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