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Quatro velas de sucção de 24 metros que geram até 7 vezes mais sustentação que velas tradicionais foram instaladas em um petroleiro da Maersk, sistema autônomo pode reduzir o consumo em até 20% e já registra economia de até 5,4 toneladas de combustível por dia em alto-mar, corte anual pode chegar a milhares de toneladas em uma única embarcação

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 15/04/2026 às 16:12
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Imagem: bound4blue/Reprodução
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Petroleiro com velas de sucção de 24 m reduz até 20% do combustível e já economiza 5,4 t/dia, marcando nova fase da navegação global.

Em 2024, a Maersk Tankers iniciou a implementação de uma tecnologia que está mudando a lógica de eficiência no transporte marítimo global. O petroleiro Maersk Trieste recebeu quatro velas de sucção de aproximadamente 24 metros de altura, conhecidas como eSAILs, desenvolvidas pela empresa espanhola bound4blue. A iniciativa foi reportada por comunicados oficiais da própria empresa e por veículos especializados do setor marítimo, consolidando um dos primeiros casos de aplicação em escala comercial desse tipo de sistema.

O projeto faz parte de um acordo mais amplo que prevê a instalação de até 20 velas em diferentes embarcações da frota. O objetivo é reduzir o consumo de combustível fóssil e as emissões sem alterar a operação logística dos navios, mantendo rotas, carga e velocidade.

A relevância do projeto está no fato de que ele não depende de combustíveis alternativos ainda em desenvolvimento, mas sim de uma fonte de energia gratuita, abundante e disponível em praticamente todas as rotas oceânicas: o vento.

Tecnologia eSAIL utiliza efeito de sucção para multiplicar a eficiência aerodinâmica

As velas instaladas no Maersk Trieste não funcionam como velas convencionais. O sistema utiliza um princípio aerodinâmico conhecido como efeito Coandă, no qual o ar é sugado ao longo da superfície da vela, aumentando significativamente a diferença de pressão entre os lados.

Imagem: bound4blue/Reprodução

Esse mecanismo permite que a estrutura gere até 6 a 7 vezes mais sustentação do que velas tradicionais, segundo dados técnicos divulgados pela bound4blue. Na prática, isso significa que a força gerada pelo vento é amplificada, contribuindo diretamente para impulsionar o navio.

As velas são rígidas, construídas com materiais leves e resistentes, e operam de forma totalmente automatizada. Sensores e sistemas digitais ajustam continuamente a posição e o funcionamento para otimizar o desempenho em diferentes condições de vento.

Essa automação elimina a necessidade de tripulação dedicada, tornando o sistema viável para uso em larga escala sem aumentar a complexidade operacional.

Economia real de combustível já atinge até 5,4 toneladas por dia

Os primeiros dados operacionais mostram resultados concretos. Testes realizados com a tecnologia indicam uma economia média de cerca de 1,7 tonelada de combustível por dia, com picos que podem chegar a 5,4 toneladas diárias em condições favoráveis de vento.

Esse nível de economia representa uma redução significativa no consumo total da embarcação, especialmente em rotas longas. Em termos anuais, dependendo da operação, o volume economizado pode alcançar milhares de toneladas de combustível.

Essa redução não apenas diminui custos operacionais, mas também reduz diretamente as emissões de dióxido de carbono, um dos principais desafios ambientais do setor marítimo.

Redução de até 20% no consumo ocorre sem alterar rotas ou carga

Um dos principais diferenciais do sistema é sua capacidade de operar sem interferir na lógica tradicional do transporte marítimo. A redução de consumo, que pode chegar a até 20% dependendo da rota e das condições climáticas, ocorre sem necessidade de alterar trajetos, velocidade ou capacidade de carga.

Isso significa que o navio continua operando dentro dos padrões logísticos já estabelecidos, mas com maior eficiência energética. Essa característica é essencial para a adoção em larga escala, já que evita mudanças estruturais na operação das empresas.

Além disso, o sistema pode ser desligado automaticamente em condições desfavoráveis, garantindo flexibilidade e segurança.

Retrofit permite aplicação em navios já existentes

Outro fator que acelera a adoção da tecnologia é a possibilidade de retrofit. O Maersk Trieste não foi projetado originalmente com velas de sucção, mas recebeu o sistema posteriormente, demonstrando que a tecnologia pode ser aplicada em navios já em operação.

Quatro velas de sucção de 24 metros que geram até 7 vezes mais sustentação que velas tradicionais foram instaladas em um petroleiro da Maersk, sistema autônomo pode reduzir o consumo em até 20% e já registra economia de até 5,4 toneladas de combustível por dia em alto-mar, corte anual pode chegar a milhares de toneladas em uma única embarcação
Imagem: bound4blue/Reprodução

Essa capacidade de adaptação reduz significativamente o custo de implementação e amplia o alcance da solução, permitindo que milhares de embarcações possam ser atualizadas sem necessidade de substituição. O acordo entre Maersk Tankers e bound4blue, que prevê a instalação em múltiplos navios, reforça essa tendência.

Pressão regulatória acelera busca por soluções de baixo carbono

O setor marítimo enfrenta crescente pressão para reduzir suas emissões. A Organização Marítima Internacional estabeleceu metas ambiciosas para cortar significativamente as emissões de gases de efeito estufa até 2050.

Nesse contexto, tecnologias que oferecem redução imediata de consumo e emissões ganham destaque. A propulsão assistida pelo vento surge como uma solução prática e já disponível, ao contrário de combustíveis alternativos que ainda enfrentam desafios de escala e infraestrutura.

Empresas que adotam essas tecnologias também se posicionam melhor diante de futuras regulações mais rígidas.

Economia operacional pode atingir milhões ao longo da vida útil do navio

O combustível representa uma das maiores despesas operacionais no transporte marítimo. Reduções de consumo, mesmo que em percentuais relativamente modestos, podem gerar economias significativas ao longo do tempo.

Com economias diárias que podem ultrapassar 5 toneladas, o impacto financeiro anual pode alcançar milhões de dólares, dependendo da rota e da frequência de operação. Esse retorno financeiro torna o investimento em velas de sucção atrativo não apenas do ponto de vista ambiental, mas também econômico.

Integração com outras tecnologias amplia eficiência energética

As velas de sucção não substituem o motor principal do navio, mas funcionam como um sistema complementar. Elas podem ser combinadas com outras soluções, como motores mais eficientes, combustíveis alternativos e sistemas de otimização de rota.

Essa abordagem híbrida permite maximizar a eficiência energética, utilizando diferentes fontes de energia de forma integrada. A tendência é que, nos próximos anos, navios passem a operar com múltiplas tecnologias simultaneamente, reduzindo progressivamente a dependência de combustíveis fósseis.

Navegação assistida pelo vento retorna com engenharia de alta precisão

Embora o uso do vento na navegação seja milenar, a aplicação moderna representa uma evolução significativa. Sistemas digitais, automação e materiais avançados transformaram uma técnica antiga em uma solução de engenharia de alta precisão. A diferença está na capacidade de operar em escala industrial, com desempenho previsível e integração total com sistemas modernos de navegação.

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Esse avanço marca o retorno do vento como um componente relevante na propulsão marítima, agora com tecnologia compatível com as exigências do comércio global.

Setor marítimo entra em transição energética gradual e irreversível

A adoção de velas de sucção em navios comerciais indica que o setor marítimo está entrando em uma fase de transição energética. Em vez de uma mudança abrupta, o processo ocorre por meio da incorporação de soluções que reduzem gradualmente o consumo de combustíveis fósseis.

A propulsão assistida pelo vento é uma das primeiras tecnologias a oferecer resultados concretos nesse processo, funcionando como ponte entre o modelo atual e futuras soluções de zero emissão. Esse movimento deve se intensificar à medida que novas tecnologias se tornem viáveis e economicamente competitivas.

Deixe sua opinião nos comentários e diga se tecnologias como as velas de sucção podem redefinir a forma como o mundo movimenta bilhões de toneladas de carga todos os anos.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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