Brilho azul na Praia de Requenguela foi provocado por microalgas dinoflageladas e reacendeu o interesse pela bioluminescência marinha.
Um fenômeno natural chamou atenção no litoral leste do Ceará e transformou a tranquila Praia de Requenguela, em Icapuí, em cenário de espetáculo.
Durante a noite, o mar ganhou um brilho intenso em tom azul neon, surpreendendo moradores, turistas e pescadores da região.
O registro foi feito em 28 de junho de 2026 pela estudante Estrela Guadalupe da Silva, de 20 anos.
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Logo depois, as imagens circularam pelas redes sociais e viralizaram, despertando curiosidade sobre a chamada bioluminescência marinha.
Na tradição local, o fenômeno é conhecido por pescadores antigos como “fogo no mar”.

Ciência explica brilho azul no mar
De acordo com explicações científicas, o brilho ocorre por causa da bioluminescência, capacidade de alguns seres vivos emitirem luz própria.
No ambiente marinho, esse efeito costuma ser provocado pela concentração de microrganismos microscópicos.
Entre eles, estão as microalgas dinoflageladas, organismos unicelulares que fazem parte do fitoplâncton.
Segundo pesquisadores, o aumento de matéria orgânica e o aquecimento das águas favorecem a multiplicação desses organismos.
Esse crescimento repentino é chamado de floração de microalgas.
Reação química gera luz fria
A espécie Noctiluca scintillans é apontada por cientistas como uma das responsáveis por efeitos luminosos semelhantes no oceano.
O brilho azul ocorre por uma reação química envolvendo luciferina, oxigênio e a enzima luciferase.
Essa combinação libera energia em forma de luz visível.
Além disso, o processo é considerado uma emissão de luz fria, pois gera luminosidade sem espalhar calor no ambiente.

Ondas e movimentos ativam o fenômeno
Apesar da forte coloração, o brilho não aparece de forma constante.
Para ser percebido, o fenômeno precisa de algum estímulo físico na água.
Por isso, ondas, passos na areia molhada e objetos lançados ao mar podem ativar o brilho azul.
Esse detalhe explica por que muitos visitantes tentam provocar o efeito durante a madrugada.
Turismo cresce e causa preocupação
A repercussão do vídeo mudou a rotina de Icapuí, município com 21.433 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE.
Com isso, mais pessoas passaram a visitar a Praia de Requenguela em busca do mar brilhante.
No entanto, pescadores locais relatam incômodo com algumas atitudes de turistas.
Segundo moradores, o arremesso constante de pedras na água atrapalha a pesca noturna e prejudica o uso das redes de arrasto.
Fenômeno encanta, mas exige cautela
Embora o brilho seja visualmente impressionante, especialistas alertam para a necessidade de cuidado ambiental.
Até o momento, análises preliminares indicam que o contato com os microrganismos vistos em Icapuí não apresenta toxicidade aparente.
Ainda assim, a espécie exata presente na praia não foi confirmada por análise laboratorial.
Por isso, institutos de ciências do mar recomendam cautela aos visitantes.
Floração pode afetar o ecossistema
A multiplicação intensa de microalgas também pode gerar impactos ambientais.
Em grandes concentrações, esses organismos podem reduzir a passagem de luz solar na água.
Além disso, podem diminuir os níveis de oxigênio disponíveis, prejudicando a fauna marinha.
Por esse motivo, pesquisadores defendem observação responsável e respeito ao ambiente costeiro.
Registros antigos reforçam tradição local
Moradores nativos afirmam que o fogo no mar aparece na região há várias décadas.
Registros mais recentes documentam a bioluminescência local desde 2008.
As primeiras imagens mais nítidas foram obtidas em 2022, com técnicas de longa exposição fotográfica.
Fenômenos semelhantes também ocorrem, de forma intermitente, em outros pontos do Brasil.
Entre eles, estão a Ilha do Mel e a Ilha do Cardoso.
Preservação deve guiar visitação
Especialistas reforçam que o turismo pode valorizar a região, desde que ocorra de maneira sustentável.
A visitação consciente evita danos ao habitat, protege a atividade pesqueira e preserva o fenômeno natural.
Assim, o brilho azul do mar pode continuar encantando visitantes sem comprometer a rotina da comunidade local.
Fontes consultadas: Tempo.com, Correio da Amazônia, Correio do Povo de Alagoas, IBGE, NOAA Ocean Exploration, Universidade de Aveiro e Bioicos.
O que você acha que deve ser prioridade em praias com fenômenos naturais raros: incentivar o turismo para movimentar a economia local ou limitar a visitação para proteger o ambiente e a rotina dos moradores? Deixe sua opinião!
