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O deserto de Atbai parecia vazio, até o Google Earth revelar 260 construções misteriosas de pedra; entre túmulos de até 82 metros, rios secos e ossos de animais, arqueólogos tentam entender como um povo nômade transformou gado em poder

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 08/07/2026 às 15:11 Atualizado em 08/07/2026 às 15:13
Vista aérea ilustrativa de monumentos circulares de pedra no deserto de Atbai, no Sudão, associados a antigos povos pastoris.
Imagem ilustrativa mostra estruturas circulares de pedra em paisagem desértica, semelhantes aos monumentos funerários identificados por satélite no Atbai.
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Imagens de satélite ajudaram arqueólogos a identificar estruturas de pedra circulares e ovais, ligadas a antigos povos nômades que viviam do pastoreio

A descoberta de 260 monumentos funerários inéditos no deserto de Atbai, no Sudão, está chamando a atenção por revelar vestígios de uma sociedade pastoril esquecida há mais de 5 mil anos.

As estruturas foram identificadas com o apoio de ferramentas de sensoriamento remoto, incluindo o Google Earth, que permitiu aos pesquisadores observar marcas no terreno invisíveis para quem caminha pela região.

Tecnologia revelou monumentos escondidos sob a paisagem do deserto

A pesquisa mostrou que o deserto de Atbai guarda um conjunto arqueológico muito mais amplo do que se imaginava.

Por meio de imagens de satélite, os arqueólogos conseguiram mapear recintos de pedra com formatos circulares e ovais, erguidos em áreas próximas a antigos cursos de água sazonais.

O levantamento, associado ao Atbai Survey Project e publicado na revista African Archaeological Review, registrou milhares de elementos patrimoniais na região entre o Nilo e o Mar Vermelho.

Entre os achados, os pesquisadores destacaram estruturas com dimensões variadas, algumas delas com até 82 metros de diâmetro.

Vista aérea do deserto de Atbai com formações circulares de pedra identificadas por satélite em área arqueológica entre o Nilo e o Mar Vermelho.
Imagem mostra a paisagem árida do deserto de Atbai, onde imagens de satélite ajudaram arqueólogos a mapear recintos de pedra circulares e ovais

Como eram as construções encontradas no Atbai?

Os monumentos funerários chamam atenção pelo tamanho, pela organização espacial e pelo esforço coletivo necessário para sua construção.

Entre as principais características identificadas estão:

  • 260 monumentos funerários inéditos;
  • muros de pedra em formatos circulares ou ovais;
  • estruturas com 5 a 82 metros de diâmetro;
  • obras erguidas próximas a antigos leitos de rios;
  • recintos associados a práticas funerárias e memória territorial.

Esses elementos indicam que a região foi ocupada por grupos nômades capazes de organizar grandes trabalhos coletivos.w

Quem eram os povos que construíram essas estruturas?

Diferentemente do Egito dos faraós, essa antiga sociedade não deixou grandes cidades, templos monumentais ou muralhas urbanas.

Mesmo assim, os vestígios apontam para grupos humanos organizados, dedicados principalmente ao pastoreio de animais em uma paisagem cada vez mais seca.

Essas comunidades erguiam túmulos de pedra como forma de marcar presença no território.

Além disso, os monumentos também funcionavam como sinais de identidade, memória familiar e possível domínio sobre áreas estratégicas.

Gado tinha papel central na riqueza e no prestígio social

As escavações revelaram restos humanos sepultados junto a ossos de vacas, ovelhas e cabras.

Esse detalhe mostra que os animais ocupavam um papel central na vida econômica, social e simbólica daqueles povos.

Na prática, grandes rebanhos representavam riqueza, influência e autoridade dentro das comunidades nômades.

Além disso, a presença de animais nas sepulturas indica que o status dos donos continuava importante mesmo após a morte.

Sepulturas secundárias ao redor de túmulos principais também sugerem diferenças sociais entre os indivíduos enterrados.

Mudanças climáticas influenciaram a vida dessa civilização

Os monumentos foram construídos principalmente entre o 4º e o 3º milênio antes de Cristo.

Esse período coincidiu com o fim do Período Úmido Africano, quando as chuvas começaram a diminuir na região.

Com a seca avançando, os pastores precisaram adaptar suas rotas, seus acampamentos e suas estratégias de sobrevivência.

Por isso, muitos túmulos aparecem próximos a antigos rios secos, charcas rochosas e áreas onde a água podia se acumular temporariamente.

Patrimônio arqueológico está ameaçado pela mineração de ouro

Apesar de terem resistido por milênios às condições extremas do deserto, parte desses monumentos sofre ameaças recentes.

Segundo os pesquisadores, pelo menos 12 estruturas foram danificadas por atividades modernas de mineração de ouro.

Por causa desse risco, as coordenadas exatas dos sítios foram mantidas em sigilo.

A medida busca evitar saques, vandalismo e destruição antes que novas escavações possam aprofundar o estudo sobre essa sociedade antiga.

Você acha que imagens de satélite ainda podem revelar outras civilizações esquecidas em regiões isoladas do planeta?

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