Conheça as especificações e o destino das últimas unidades do C-2A Greyhound, o histórico cargueiro que se despediu da Marinha dos EUA.
O destino da maior parte das aeronaves remanescentes do modelo C-2A Greyhound já está traçado: o armazenamento de longo prazo no 309º Grupo de Manutenção e Regeneração Aeroespacial (AMARG), localizado na Base Aérea de Davis-Monthan, no estado do Arizona. Uma parcela menor dessas células sobreviventes será poupada do deserto para ser preservada em museus, servindo a propósitos históricos e treinamentos.
Essa movimentação rumo à aposentadoria definitiva acontece logo após a icônica aeronave de transporte realizar seu último pouso enganchado e sua decolagem final por catapulta a bordo do porta-aviões USS Nimitz (CVN-68), em operação realizada no dia 25 de junho de 2026.
C-2A Greyhound: Engenharia e potência a serviço da frota naval
Derivado diretamente do sistema de alerta E-2 Hawkeye, o C-2A Greyhound, um veterano das asas rotativas herdou a configuração de asa alta e os motores turboélice originais, mas ganhou modificações cruciais para a sua função de cargueiro.
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A fabricante introduziu uma fuselagem consideravelmente expandida em largura e adicionou uma rampa de acesso na parte traseira, facilitando o manuseio de volumes pesados nos conveses de voo.

As especificações e capacidades oficiais que mantiveram esse vetor ativo por seis décadas incluem os seguintes dados de desempenho:
- Sistemas de propulsão: Dois motores turboélice Allison T56-A-425 com potência de 4.600 shp cada;
- Velocidade máxima: Aproximadamente 343 nós de velocidade de cruzeiro;
- Teto e alcance: Capacidade de voar a até 30 mil pés de altitude e autonomia para cerca de 1.000 milhas náuticas;
- Operação interna: Cabine dimensionada para uma tripulação de quatro pessoas.
O impacto humano e militar nos conflitos globais
Introduzido nas fileiras da aviação naval em 1966, o avião atuou como o principal elo físico entre as tripulações isoladas no mar e o resto do planeta.
Sua confiabilidade foi colocada à prova e comprovada em cenários de alta complexidade geopolítica, fornecendo sustentação logística essencial durante o período tenso da Guerra Fria, nas operações no Oriente Médio como Desert Shield e Desert Storm, bem como nas campanhas da Operação Enduring Freedom e em missões de apoio humanitário internacional.
Para os marinheiros embarcados, a chegada do C-2A Greyhound significava a manutenção das capacidades de combate dos navios e o contato com o mundo externo.

Nos compartimentos de carga do avião, viajavam itens de necessidade crítica:
- Malas de correspondências e encomendas destinadas aos militares;
- Motores completos e peças sobressalentes para reparos rápidos nos caças;
- Novas equipes de técnicos e tripulantes substitutos para as missões;
- Soldados feridos que necessitavam de evacuação médica urgente.
A transição definitiva e o fim dos pousos enganchados com o C-2A Greyhound
A histórica despedida no USS Nimitz foi conduzida pelo Esquadrão de Suporte Logístico da Frota 40 (VRC-40) “Rawhides”, utilizando especificamente a aeronave com registro BuNo 162159 (modex 40).
O evento põe fim à utilização de aviões de transporte cargueiro de asa fixa operados por cabos de retenção em porta-aviões, transferindo as missões táticas de transporte a bordo (COD) para o moderno CMV-22B Osprey.

Por fim, vale destacar que o processo de substituição não ocorreu sem imprevistos no cronograma militar.
Devido a uma paralisação técnica sofrida por uma parcela da frota de modelos V-22 no decorrer do ano de 2024, a Marinha norte-americana foi obrigada a adiar a aposentadoria do Greyhound.
Esse atraso forçado acabou por reforçar a reputação de extrema confiabilidade do C-2A Greyhound, que garantiu a estabilidade e a segurança das cadeias de suprimentos navais em um período de grande incerteza tecnológica antes de seu desligamento final.
Com informação do Poder Naval e imagem de Alex Feldman
