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Usando imagens de satélite de alta resolução, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet, soterrada por séculos no Delta do Nilo, revelando raras casas de vários andares, celeiros e uma estrada sagrada ligada à deusa cobra Wadjet, de cerca de 2.400 anos atrás

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/06/2026 às 20:13
Atualizado em 06/06/2026 às 20:17
Com imagens de satélite, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet no Delta do Nilo, com casas de vários andares e uma estrada sagrada da deusa Wadjet.
Com imagens de satélite, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet no Delta do Nilo, com casas de vários andares e uma estrada sagrada da deusa Wadjet.
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A tecnologia espacial apontou onde cavar antes mesmo de a primeira pá tocar o solo. Sob campos agrícolas surgiram prédios que se erguiam por vários andares, armazéns de grãos e uma via cerimonial. Mais do que templos e faraós, o achado revela como viviam as pessoas comuns em uma metrópole densa do antigo Egito.

Uma cidade que estava perdida há séculos voltou a aparecer no mapa graças à tecnologia. Usando imagens de satélite de alta resolução, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet, soterrada por séculos no leste do Delta do Nilo, revelando raras casas de vários andares, celeiros e uma estrada sagrada ligada à deusa cobra Wadjet, em um assentamento de cerca de 2.400 anos atrás.

A descoberta foi anunciada em junho de 2025 por uma missão conjunta egípcio-britânica, conduzida pela Universidade de Manchester, no Reino Unido, sob direção do egiptólogo Nicky Nielsen, em parceria com a Universidade de Sadat City, no Egito, e divulgada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do país. As escavações ocorreram no sítio arqueológico de Tell el-Fara’in, também conhecido como Tell Nabasha, no leste do Delta do Nilo. A seguir, explicamos como a cidade foi encontrada, o que suas ruínas revelam sobre a vida cotidiana e por que esse achado é tão importante para a arqueologia.

Como o satélite revelou a cidade egípcia de Imet

Com imagens de satélite, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet no Delta do Nilo, com casas de vários andares e uma estrada sagrada da deusa Wadjet.
O ponto de partida da redescoberta não foi o solo, mas o céu. 

Antes de iniciar as escavações, o Dr. Nicky Nielsen e sua equipe usaram imagens de satélite de alta resolução e técnicas de sensoriamento remoto para identificar aglomerados de antigos tijolos de barro, sinais de que havia arquitetura enterrada sob a superfície, o que orientou exatamente onde cavar.

Imet não era um nome desconhecido dos egiptólogos, mas grande parte de sua vida urbana havia desaparecido sob campos agrícolas, canais e vilarejos modernos.

Diferentemente dos túmulos no deserto e dos templos de pedra, as cidades do Delta, construídas em tijolos de barro, costumam se dissolver na paisagem.

Quando os arqueólogos começaram a escavar, os padrões vistos do alto se transformaram em paredes, pisos e espaços de moradia, fazendo a cidade ressurgir.

As raras casas de vários andares

O achado mais marcante mudou a forma de entender a cidade. 

Os pesquisadores encontraram um conjunto de casas-torre, edifícios de vários andares construídos com tijolos de barro e apoiados em fundações excepcionalmente espessas, o que mostra que os moradores de Imet construíam para cima, e não apenas se espalhavam pela planície do Delta, uma solução pouco comum no Egito antigo.

A explicação está na falta de espaço.

Em uma paisagem plana, moldada pela agricultura, pelas cheias e pela pressão dos assentamentos, empilhar moradias sobre áreas de trabalho e armazenamento ajudava as famílias a viver perto da produção de alimentos, dos animais e dos centros religiosos.

Segundo o Dr. Nielsen, essas casas-torre são encontradas principalmente no Delta do Nilo, entre o chamado Período Tardio e a era romana, e são raras em outras partes do Egito, o que indica que Imet foi uma cidade próspera e densamente construída.

A vida cotidiana das pessoas comuns

Com imagens de satélite, arqueólogos redescobriram a cidade egípcia de Imet no Delta do Nilo, com casas de vários andares e uma estrada sagrada da deusa Wadjet.
As ruínas contam muito mais do que a arquitetura. 

Os arqueólogos encontraram evidências de processamento de grãos, armazéns e espaços usados para abrigar animais, sugerindo que moradia, trabalho com alimentos e cuidado com o gado estavam intimamente ligados no dia a dia da cidade egípcia de Imet, num retrato concreto da rotina de seus habitantes.

É fácil imaginar a cena: passagens estreitas entre paredes de tijolo de barro, grãos sendo manuseados ali perto, animais mantidos por perto e famílias circulando entre as áreas de trabalho no térreo e os cômodos de viver nos andares superiores.

Esse olhar é importante porque o Egito Antigo costuma ser contado por meio das pirâmides, dos reis e das tumbas reais, enquanto Imet coloca o foco nas pessoas comuns que cozinhavam, guardavam grãos, consertavam ferramentas e mantinham a cidade viva.

A estrada sagrada da deusa cobra Wadjet

A religião fazia parte do tecido urbano da cidade. 

Imet tinha uma ligação estreita com Wadjet, a deusa cobra associada ao Baixo Egito, e os arqueólogos descobriram uma estrada cerimonial ligada ao seu culto, ao lado de celeiros e outros vestígios urbanos, revelando como o sagrado convivia com o cotidiano no mesmo espaço.

Mas a paisagem religiosa mudou com o tempo.

Na área do templo, a equipe encontrou um grande edifício com piso de gesso calcário e enormes pilares de tijolo de barro que, segundo as autoridades egípcias, parece ter sido construído sobre a antiga estrada processional.
Isso sugere que a rota cerimonial caiu em desuso por volta do médio período ptolemaico, indicando que as práticas religiosas se transformaram após a conquista do Egito por Alexandre, o Grande.

Pequenos objetos que contam grandes histórias

Nem só de grandes construções vive a arqueologia. 

Entre os achados mais reveladores está um ushabti de faiança verde, uma estatueta funerária ligada a crenças sobre a vida após a morte, datada da 26ª dinastia egípcia, além de uma estela de pedra mostrando o deus-criança Harpócrates sobre crocodilos, com imagens de proteção, objetos que aproximam o visitante moderno da espiritualidade daquela gente.

Os arqueólogos encontraram ainda um sistro de bronze, um instrumento musical sagrado decorado com as cabeças gêmeas da deusa Hátor, ligado à música e ao ritual doméstico.

Esses pequenos objetos tornam a cidade menos distante: uma casa podia abrigar um instrumento de culto, uma estatueta podia representar esperanças sobre a morte, e uma imagem protetora podia estar perto das preocupações do dia a dia, como doenças, partos e a segurança das crianças.

Por que a descoberta é tão importante

O valor de Imet vai muito além da curiosidade. 

A redescoberta mostra que as antigas cidades egípcias não eram meros cenários para templos e governantes, mas lugares populosos e adaptáveis, onde as pessoas faziam escolhas práticas sobre terra, comida, religião e vida familiar, ajudando a reescrever a história urbana do Delta do Nilo no Período Tardio.

O achado também lembra o quanto do passado do Egito ainda pode estar escondido sob paisagens comuns, como um campo agrícola ou um pequeno monte.

Para o Dr. Nielsen, Imet desponta como um sítio chave para repensar a arqueologia do Período Tardio egípcio.

No fundo, a história da cidade é uma história de sobrevivência pela engenharia: paredes grossas sustentavam os andares de cima, ruas estreitas concentravam a atividade e até as estradas sagradas se transformavam conforme a cidade mudava ao seu redor.

A redescoberta da cidade egípcia de Imet, revelada pela combinação de imagens de satélite e escavação no Delta do Nilo, é um exemplo fascinante de como a tecnologia moderna está ajudando a desenterrar capítulos esquecidos da história.

Mais do que tesouros e monumentos, o que emerge dali é o retrato da vida real de um povo, suas casas verticais, seus grãos, seus animais e seus deuses. Achados como esse nos lembram que, sob o solo aparentemente comum, ainda repousam cidades inteiras à espera das ferramentas certas para voltar à luz.

E você, já tinha ouvido falar da cidade egípcia de Imet ou imaginava que o Egito antigo tinha prédios de vários andares? O que mais te fascina nesse tipo de descoberta arqueológica? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e ajude a divulgar a matéria para quem se interessa por história, arqueologia e os mistérios das civilizações antigas.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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