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US$ 1,1 trilhão em jogo: Trump quer participação na trilionária indústria de defesa dos EUA, setor que lucra com suas próprias compras

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 26/08/2025 às 21:11 Atualizado em 26/08/2025 às 21:18
Trump, Setor de defesa, Indústria de defesa
Imagem ilustrativa: IA
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Trump amplia intervenção econômica ao mirar setor de defesa: governo avalia participação direta em gigantes como Lockheed Martin, Boeing e Palantir

A iniciativa do governo de Donald Trump de intervir diretamente na economia ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (26). O republicano estuda formas de tornar os Estados Unidos donos de parte do complexo industrial-militar, setor que movimenta cifras trilionárias e exerce forte influência política no país.

Lockheed Martin no centro do debate

Eles [governo e Pentágono] estão pensando nisso. Há uma discussão monstruosa sobre defesa. A Lockheed Martin tira 97% de suas receitas do governo dos EUA. Eles são basicamente um braço do governo americano”, afirmou o secretário de Comércio, Howard Lutnick, em entrevista à rede CNBC.

As palavras tiveram impacto imediato. As ações da Lockheed subiram quase 2% após a declaração. A empresa, líder mundial de vendas militares e fabricante de uma vasta gama de armamentos, divulgou nota afirmando que “continua com sua forte relação de trabalho com o presidente Trump e sua administração”.

Expansão do intervencionismo

Não se trata de um caso isolado. Trump já havia conseguido uma “golden share” na Japan Steel, após a compra da US Steel.

Também anunciou a aquisição de quase 10% da fabricante de chips Intel, que enfrenta dificuldades financeiras.

Além disso, adquiriu ações em uma empresa de terras raras e garantiu acordos para ficar com parte do lucro de exportações de chips antes proibidos para a China.

O movimento sugere uma estratégia ampla. Ao mencionar também Boeing e Palantir, Lutnick reforçou que o governo pode estender sua presença a outras gigantes do setor. As ações das duas empresas também registraram alta.

Comparações históricas

O mais importante é que a aproximação com empresas de defesa não é comum fora de cenários de guerra. O último movimento de peso ocorreu na Segunda Guerra Mundial, nos anos 1940.

Analistas apontam que o grau de intervencionismo se compara apenas ao New Deal, lançado nos anos 1930 para recuperar a economia após a Grande Depressão.

Os EUA não são totalmente avessos a esse tipo de medida. Na crise de 2008, o governo comprou 60% da General Motors para evitar a falência da montadora. Porém, a ação foi emergencial e em 2013 a empresa já havia voltado a ser privada.

Defesa e geopolítica

Trump vem defendendo “acordos todos os dias”. O foco no setor de defesa chama atenção porque o setor responde por movimentar US$ 1,1 trilhão anuais.

Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, só em receitas são cerca de US$ 300 bilhões. Isso equivale à metade do PIB do Brasil.

No contexto da economia americana, de quase US$ 30 trilhões, pode parecer pouco, mas carrega enorme peso geopolítico.

Os EUA já participaram de cerca de 400 intervenções militares estrangeiras, metade delas após 1950. Da Ucrânia a Gaza, passando pela costa da Venezuela, o país mantém presença ativa e constante.

O gasto militar atual é recorde histórico: cerca de US$ 1 trilhão por ano, representando 39,4% do total mundial.

Complexo industrial-militar

O termo “complexo industrial-militar” foi popularizado em 1961 pelo presidente Dwight Eisenhower, que alertou para o risco da influência excessiva do setor nas decisões de política externa.

Desde então, a relação se manteve estreita, marcada por grandes contratos e pela chamada porta giratória, com executivos transitando entre cargos no setor privado e no Departamento de Defesa.

Trump, que já declarou querer renomear a pasta como Departamento da Guerra, agora parece disposto a avançar além dessa dinâmica.

Modelos internacionais

Esse tipo de interação não é exclusivo dos EUA. O Brasil, por exemplo, desenvolveu o avião KC-390 da Embraer a partir de uma encomenda da Força Aérea, que alterou todo o desenho inicial do projeto.

França, Alemanha, Reino Unido e Itália também possuem indústrias próprias, mas costumam trabalhar em projetos conjuntos.

A guerra na Ucrânia e o aumento do gasto militar na Europa impulsionaram as ações de empresas do setor no continente, em parte pela percepção de que Trump não é um aliado confiável.

Na Rússia e na China, o controle estatal é ainda maior. Moscou reforçou seu domínio sobre o setor em meio à guerra, enquanto Pequim aparece bem posicionada no ranking global, impulsionada pelas exportações.

Governo e indústria militar: o próximo passo

O intervencionismo de Trump abre um capítulo novo na relação entre governo e indústria militar. O republicano, que já usa medidas tarifárias e políticas de incentivo para moldar setores estratégicos, agora indica querer transformar empresas privadas em parceiros diretos do Estado.

Para o mercado financeiro, os sinais já produziram efeitos imediatos. Para a política global, o impacto ainda está em construção, mas promete ser significativo.

Com informações de Folha de São Paulo.

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Romário Pereira de Carvalho

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