Mostrada pelo canal BuildWitt em vídeo publicado em 23 de maio de 2026, a DB Catalina usa um balde com capacidade superior a 76 metros cúbicos, motores de até 4 mil cavalos e uma tripulação em turnos contínuos para retirar cerca de oito milhões de jardas cúbicas de sedimentos do Canal de Navegação de Houston.
Sob as águas aparentemente calmas do Canal de Navegação de Houston, nos Estados Unidos, uma ameaça se acumula continuamente, e uam enorme draga pode ser a solução. ,
Não é um problema facilmente percebido por quem observa o porto da margem, mas uma enorme quantidade de lama e outros sedimentos que se deposita no fundo da hidrovia.
Sem a retirada desse material, a profundidade disponível para os navios diminui gradualmente, dificultando a passagem de grandes cargueiros, petroleiros e porta-contêineres. Para evitar que uma das principais rotas comerciais dos Estados Unidos perca capacidade, uma estrutura gigantesca trabalha praticamente sem parar.
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Trata-se da DB Catalina, draga mecânica híbrida pertencente à empresa norte-americana Curtin Maritime. A operação da embarcação no canal foi apresentada pelo BuildWitt em vídeo publicado no YouTube em 23 de maio de 2026.
Construída em 2025, a DB Catalina é classificada pela proprietária como a maior draga híbrida do tipo clamshell — sistema de caçamba com duas conchas articuladas — do Hemisfério Ocidental. Sua maior caçamba consegue retirar quase 80 metros cúbicos de material em um único ciclo.

Canal movimenta mais de 300 milhões de toneladas
O Canal de Navegação de Houston se estende por aproximadamente 52 milhas, ou cerca de 84 quilômetros, ligando a região portuária de Houston ao Golfo do México.
Ao longo do percurso estão mais de 200 instalações privadas e oito terminais públicos. A hidrovia atende refinarias, indústrias petroquímicas, terminais de contêineres e áreas destinadas à movimentação de cargas diversas.
Pelo canal circulam petróleo, derivados, produtos químicos, máquinas, aço, grãos e mercadorias destinadas ao mercado norte-americano e ao comércio exterior.
Dados oficiais do Port Houston apontam que o complexo movimentou 309,5 milhões de toneladas curtas em 2023, último número consolidado divulgado para toda a hidrovia. Houston aparece como o maior porto dos Estados Unidos em tonelagem transportada por via aquática.
O canal permanece movimentado durante as 24 horas do dia. Enquanto navios entram e saem dos terminais, correntes, marés e cursos d’água carregam partículas que acabam depositadas no fundo.
Sem dragagem periódica, determinadas áreas ficam mais rasas e podem restringir o calado dos navios, especialmente durante a maré baixa.

DB Catalina mede mais de 77 metros
A DB Catalina funciona como uma enorme plataforma flutuante de escavação. Segundo a ficha técnica da Curtin Maritime, a estrutura possui 254 pés de comprimento, 86 pés de largura e 16 pés de pontal.
As medidas correspondem a aproximadamente 77,4 metros de comprimento, 26,2 metros de largura e 4,9 metros de altura estrutural do casco.
A embarcação utiliza três grandes estacas metálicas, chamadas de spuds, para se manter posicionada durante a escavação. Duas estacas fixas medem 127 pés, cerca de 38,7 metros, e pesam aproximadamente 110 mil libras cada, equivalentes a quase 50 toneladas.
A terceira é uma estaca móvel de 125 pés, aproximadamente 38,1 metros. Ela pesa cerca de 130 mil libras, ou quase 59 toneladas, e também permite que a plataforma avance gradualmente pelo trecho em dragagem.
No centro da operação está um guindaste SKK-1600GE, equipado com lança de 105 pés, aproximadamente 32 metros. Com a lança posicionada em um ângulo de 60 graus, o equipamento alcança raio operacional de 71 pés, cerca de 21,6 metros.
A capacidade máxima de içamento informada pela Curtin Maritime é de 352.740 libras, equivalentes a 160 toneladas métricas.
Maior caçamba comporta quase 80 metros cúbicos
A DB Catalina pode trabalhar com cinco caçambas desenvolvidas para diferentes tipos de solo e condições de escavação.
A maior delas é a Cable Arm, com capacidade de 104 jardas cúbicas. O volume corresponde a aproximadamente 79,5 metros cúbicos, quantidade comparável à carga transportada por cerca de dez caminhões basculantes, dependendo da capacidade de cada veículo.
Portanto, a caçamba não comporta mais de 100 metros cúbicos, como indicavam algumas descrições anteriores. O número superior a 100 se refere às jardas cúbicas, unidade utilizada nos Estados Unidos.
A menor configuração possui capacidade volumétrica de 20 jardas cúbicas e pode trabalhar com cargas de até 130 toneladas. A embarcação também dispõe de um cinzel mecânico de 55 toneladas, empregado na preparação de materiais mais resistentes antes da retirada.
Em vez de cortar continuamente o fundo, a caçamba é baixada aberta, repousa sobre o sedimento e fecha suas duas partes ao redor da lama. Depois, o guindaste eleva a carga e a despeja em uma barcaça posicionada ao lado da draga.
De acordo com a operação mostrada pelo BuildWitt, cada ciclo pode durar aproximadamente 90 segundos. Em condições normais, são necessárias várias retiradas para que cada área alcance a profundidade determinada pelo levantamento hidrográfico.
Operador controla caçamba por GPS
A profundidade buscada no trecho apresentado pelo canal varia entre 40 e 41 pés, aproximadamente 12,2 a 12,5 metros.
O trabalho precisa ser realizado sem fechar permanentemente a hidrovia. Navios-tanque, cargueiros e porta-contêineres continuam passando próximos à plataforma enquanto a retirada dos sedimentos acontece.
Quando uma embarcação ocupa espaço demais para cruzar com segurança, a equipe recolhe ou reposiciona as estacas e desloca temporariamente a draga. Após a passagem do navio, a DB Catalina retorna ao ponto programado e retoma o serviço.
O operador do guindaste não consegue observar diretamente a caçamba quando ela está submersa. Por isso, utiliza telas que reúnem dados de GPS, posição da plataforma, levantamentos do fundo, profundidade prevista e peso estimado da carga.
A draga também possui software automatizado desenvolvido para aumentar a precisão dos movimentos, controlar os ciclos de escavação e evitar que áreas já dragadas sejam trabalhadas novamente sem necessidade.
Sistema híbrido recupera energia da caçamba
A DB Catalina é alimentada por dois geradores Wabtec 12V250, cada um com capacidade de 2 megawatts. Juntos, eles podem fornecer até 4 megawatts de potência elétrica.
Os equipamentos atendem ao padrão ambiental EPA Tier 4, criado para limitar as emissões de motores utilizados em máquinas pesadas e aplicações fora de estrada.
O sistema híbrido não depende apenas de baterias convencionais. A draga utiliza supercapacitores capazes de receber e liberar grandes quantidades de energia rapidamente.
Durante a descida e a desaceleração da caçamba, parte da energia é recuperada e armazenada. Posteriormente, essa eletricidade volta a alimentar os motores durante o içamento, momento em que o guindaste precisa de mais potência.
Segundo a Curtin Maritime, o processo reduz a carga sobre os geradores, o consumo de combustível e os picos de demanda elétrica. Quando conectada a uma fonte de energia em terra, a DB Catalina também pode operar de forma totalmente elétrica, sem emissões diretas dos motores a bordo.
Os tanques da plataforma armazenam até 271 mil galões de combustível em sua capacidade operacional informada, aproximadamente 1,03 milhão de litros.
Estrutura permite operação durante todo o dia
A DB Catalina possui acomodações climatizadas, cozinha comercial, áreas de trabalho e banheiros para a tripulação. Entretanto, a própria página técnica da Curtin Maritime apresenta números divergentes sobre a capacidade interna.
Uma seção informa 12 leitos e 11 banheiros, enquanto outra menciona 18 leitos e dez banheiros. Por causa dessa inconsistência na fonte oficial, a quantidade exata de acomodações deve ser tratada com ressalva.
A embarcação ainda conta com um rebocador auxiliar totalmente elétrico de 1.000 cavalos de potência, usado para apoiar a movimentação da plataforma e das estruturas envolvidas na dragagem.
A operação ocorre em turnos, permitindo que a retirada dos sedimentos continue de dia e de noite. Alguns trabalhadores permanecem embarcados por períodos prolongados enquanto a draga avança pelo canal.
Milhões de metros cúbicos ainda precisam ser retirados
No projeto mostrado pelo BuildWitt, o volume acumulado inicialmente chegava a aproximadamente oito milhões de jardas cúbicas de sedimentos. Isso equivale a cerca de 6,1 milhões de metros cúbicos.
Na ocasião da gravação, aproximadamente três milhões de jardas cúbicas já haviam sido retiradas, enquanto outras cinco milhões ainda permaneciam no fundo.
A DB Catalina conseguia movimentar cerca de 2.500 jardas cúbicas de lama por hora, aproximadamente 1.911 metros cúbicos. Depois que um trecho alcançava a profundidade planejada, a plataforma utilizava suas estacas para avançar cerca de 27 pés, pouco mais de oito metros, e reiniciar o processo.
O material retirado era despejado em uma barcaça ao lado da draga. Antes do bombeamento, a lama passava por uma grade destinada a reter pneus, madeira e outros resíduos que poderiam bloquear o sistema.
Quando carregada, a barcaça era conduzida até uma área preparada para receber os sedimentos. Ali, bombas transferiam o conteúdo para a instalação de descarregamento.
Toda a sequência precisa funcionar de maneira sincronizada. Caso uma barcaça não seja esvaziada, uma bomba fique bloqueada ou o transporte do material seja interrompido, a escavação também precisa parar.
A DB Catalina representa, assim, uma peça central de uma operação pouco visível, mas indispensável para manter o Canal de Navegação de Houston profundo o suficiente para receber alguns dos maiores navios comerciais em circulação.
Fontes utilizadas: ficha técnica oficial da DB Catalina, publicada pela Curtin Maritime; vídeo Inside America’s Largest Dredge (1 Bus Per Scoop), do BuildWitt, publicado em 23 de maio de 2026; e estatísticas oficiais do Port Houston. A Curtin confirma as dimensões, caçambas, capacidade de içamento, geradores, estacas, combustível e funcionamento híbrido. Os dados portuários oficiais registram 309,5 milhões de toneladas curtas movimentadas no canal em 2023 e mais de 200 instalações privadas e oito terminais públicos no complexo. O vídeo do BuildWitt confirma o acompanhamento da operação em Houston e os dados específicos do projeto apresentados na reportagem.

