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Universidade Federal de Goiás inaugura centro de alta tecnologia para impulsionar pesquisas na área do petróleo

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 13/11/2025 às 08:18
Com investimento de R$ 45 milhões, a Universidade Federal de Goiás inaugura o Centro de Pesquisa em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo (Cemep), referência em tecnologia e inovação para o setor de petróleo e energia no país.
Com investimento de R$ 45 milhões, a Universidade Federal de Goiás inaugura o Centro de Pesquisa em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo (Cemep), referência em tecnologia e inovação para o setor de petróleo e energia no país.
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Com investimento de R$ 45 milhões, a Universidade Federal de Goiás inaugura o Centro de Pesquisa em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo (Cemep), referência em tecnologia e inovação para o setor de petróleo e energia no país.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) inaugurou um dos centros de pesquisa mais avançados do país voltado à indústria do petróleo e da energia. O novo Centro de Pesquisa em Estudos Moleculares, Energia e Petróleo (Cemep) recebeu um investimento total de R$ 45 milhões e foi projetado para oferecer soluções tecnológicas de ponta à cadeia produtiva do setor energético brasileiro.

O centro está localizado no Parque Tecnológico Samambaia (PTS-UFG) e é resultado da expansão do Laboratório de Cromatografia e Espectrometria de Massas (Lacem), do Instituto de Química da universidade. O objetivo do Cemep é fortalecer a pesquisa aplicada em energia e petróleo, com foco em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de novas tecnologias.

A cerimônia de inauguração reuniu autoridades acadêmicas, representantes da Petrobras, gestores da Fundação de Amparo à Pesquisa (Funape) e pesquisadores de diversas instituições.

Equipamentos inéditos e estrutura de ponta

O Cemep abriga dois equipamentos de alta complexidade, inéditos no Brasil e na América Latina: o Solarix FTICR 15 Tesla e o IRMS de Alta Resolução, Ultra 253.

O Solarix FTICR 15 Tesla é o único com essa capacidade instalado em território nacional. O equipamento, que opera com um campo magnético de 15 Tesla, é utilizado para análises moleculares ultradetalhadas, essenciais para estudos de composição química de amostras de petróleo e derivados.

Já o IRMS Ultra 253, inédito na América Latina, é voltado para a determinação de isótopos agrupados, sendo fundamental para compreender a temperatura de formação do metano em reservatórios de petróleo. Esse tipo de dado é estratégico para a modelagem de bacias e a redução de riscos na perfuração de novos poços.

O espaço físico do Cemep possui 800 metros quadrados, sendo 700 de área construída. As obras custaram cerca de R$ 5 milhões e foram desenhadas para comportar equipamentos de grande porte, exigindo infraestrutura especial de isolamento e segurança.

Parcerias estratégicas com a Petrobras fortalecem o avanço tecnológico

A Petrobras, principal financiadora do projeto, destacou a importância do Cemep para o futuro da ciência brasileira aplicada ao petróleo. Henrique Penteado, gerente-geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Exploração e Produção da estatal, afirmou que a empresa “tem uma longa história de investimento em ciência e tecnologia, e o Cemep representa o que há de mais moderno no desenvolvimento da ciência”.

Iris Medeiros, químico do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes/Petrobras), reforçou o impacto do novo centro para o avanço das pesquisas. “Todos os nossos desafios são crescentes, mas sempre tivemos confiança de apresentar aos professores Boniek e Andréa os problemas a serem resolvidos. Precisávamos dessa ajuda instrumental para ultrapassar nossos limites, e é por isso que o centro é tão importante”, declarou.

Thalmo Uriel, gerente de Química do Cenpes, acrescentou que o Cemep é consequência de uma estratégia sólida de inovação. “Esse equipamento não é simples, por isso a necessidade de uma infraestrutura adequada que levará o Brasil para uma nova era”, afirmou.

A trajetória de um sonho coletivo voltado ao desenvolvimento do petróleo

O coordenador do Cemep, professor Boniek Gontijo, abriu a cerimônia lembrando que o projeto começou há mais de 20 anos, em 2004. “Temos persistido nesse caminho com a colaboração de dezenas de pessoas, muitos hoje atuando em outros estados e países. O sonho foi construído por cada um de vocês que estão aqui”, agradeceu.

Sua colega e também coordenadora do centro, Andréa Chaves Rodrigues, destacou que o momento simboliza um marco para a ciência em Goiás. “Usando nossas ferramentas modernas e nossos cérebros aguçados, esperamos apresentar novas e inovadoras soluções tecnológicas. O que celebramos aqui é a coragem que fez o Lacem crescer e se transformar no Cemep”, declarou.

Ela reforçou que o objetivo agora é colocar o centro como protagonista da ciência brasileira, desenvolvendo trabalhos com excelência e fortalecendo o vínculo entre academia e indústria.

UFG e Funape: excelência em gestão e inovação científica

A reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, celebrou o resultado da parceria e destacou o desempenho da universidade no ranking RUF, da Folha de S.Paulo, onde alcançou a 13ª posição nacional. “Esse resultado mostra o motivo da Petrobras ter alocado tamanho recurso para um laboratório no coração do Brasil. Temos equipes jovens, dedicadas e com energia para fazer a ciência acontecer”, disse.

A diretora-executiva da Funape e reitora eleita para o próximo mandato da UFG (2026–2030), Sandramara Matias Chaves, destacou o papel da fundação na gestão de mais de mil projetos de pesquisa. “Cada gestor tem entre 70 e 90 projetos sob sua responsabilidade. E eu só tenho a agradecer o compromisso da equipe, especialmente neste projeto”, afirmou.

Ela lembrou o cuidado com a chegada do Solarix FTICR 15 Tesla ao país. “Dois colaboradores foram pessoalmente ao aeroporto de Campinas para acompanhar o caminhão até Goiânia. Nosso objetivo era garantir que ele chegasse em perfeito estado e dentro das especificações técnicas”, revelou.

Formação de talentos e impacto científico para o futuro do petróleo

O diretor do Instituto de Química da UFG, Wendell Coltro, ressaltou que o Cemep representa a concretização de anos de esforço coletivo. “São dezenas de patentes e mais de 100 alunos formados com excelência. Estamos diante de professores que muitas vezes tiravam dinheiro do próprio bolso para fazer as coisas acontecerem. Isso é amor pela ciência”, afirmou.

Atualmente, mais de 30 projetos estão sendo desenvolvidos em parceria com o Cemep, abrangendo áreas como petroleômica, metabolômica, lipidômica, análise de pesticidas, contaminantes em alimentos, fármacos, isotopia e química forense.

Segundo Gontijo, a meta é transformar o centro em um laboratório multiusuário, disponível para toda a comunidade acadêmica e científica. “O Cemep vai atender toda a UFG e também outras instituições públicas e privadas que buscam inovação na área de petróleo e energia”, explicou.

O papel do Cemep na nova era da energia e do petróleo

Com uma estrutura inédita no país, o Cemep surge como uma referência em pesquisa aplicada e inovação tecnológica voltada para o setor energético. Em um momento em que a demanda global por petróleo e derivados ainda é alta — ao mesmo tempo em que cresce a pressão por fontes mais sustentáveis —, centros como o da UFG tornam-se essenciais para equilibrar produtividade, eficiência e transição energética.

A combinação entre ciência acadêmica, investimento público e parcerias estratégicas com gigantes do setor, como a Petrobras, reforça o papel do Brasil como protagonista na busca por soluções energéticas mais inteligentes e competitivas.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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