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Psicólogo do Acre chama jacaré pelo nome na beira da lagoa, vê o animal sair da água e revela a história por trás desse vínculo improvável

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 08/07/2026 às 16:10 Atualizado em 08/07/2026 às 16:12
Assista o vídeoHomem sentado à beira de uma lagoa ao lado de um jacaré, em cena ilustrativa sobre a convivência entre Aldecino e Tião no Acre.
Imagem ilustrativa mostra a convivência incomum entre um pescador e um jacaré à margem de uma lagoa.
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Aldecino Oliveira pesca na Lagoa do Pinicão, em Rio Branco, acompanhado da cachorrinha Amora e do jacaré Tião, em uma convivência incomum que começou há cerca de cinco anos

Em Rio Branco, capital do Acre, uma cena curiosa chama atenção: um psicólogo, professor universitário e pescador nas horas vagas se aproxima da margem de uma lagoa, chama um jacaré pelo nome e vê o animal sair da água em sua direção.

O homem é Aldecino Oliveira. O jacaré é Tião. À primeira vista, o encontro parece perigoso. No entanto, a história revelada mostra uma convivência construída aos poucos, marcada por rotina, reconhecimento e muitos cuidados.

Tudo começou há cerca de cinco anos, quando Aldecino passou a pescar por recomendação médica, após enfrentar uma crise de estresse. Nascido em região de seringal, na floresta amazônica, ele cresceu acostumado a ver animais selvagens como ameaça. Mesmo assim, a vida urbana o levou de volta à natureza.

Relação entre psicólogo e jacaré começou durante pescaria em Rio Branco

A aproximação ocorreu de forma inesperada. Durante as pescarias, um pequeno jacaré passou a observar Aldecino de longe. Aos poucos, o animal chegou mais perto, atraído pelos peixes.

Em uma dessas ocasiões, o jacaré pegou um peixe preso no anzol e acabou ferindo a boca. Aldecino, com ajuda de um compadre, segurou o animal ainda pequeno e retirou o anzol com cuidado.

Depois desse episódio, a presença do jacaré se tornou cada vez mais frequente. Aldecino passou a chamá-lo de Tião e, desde então, começou a separar peixes para oferecer ao animal.

Lagoa do Pinicão virou ponto de encontro entre Aldecino, Amora e Tião

A rotina acontece cerca de três vezes por semana. Aldecino sai de casa com a vara de pesca, uma sacola com peixes ou miúdos de frango e a cachorrinha Amora.

Depois de uma caminhada curta, ele chega à Lagoa do Pinicão, chama Tião pelo nome e faz um som com a boca. Segundo o relato, o jacaré reconhece a voz do psicólogo e costuma aparecer em poucos minutos.

Em algumas ocasiões, Tião sobe a barreira de concreto e fica ao lado de Aldecino. O psicólogo chega a acariciar o animal, embora reconheça o risco envolvido.

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Jacaré-tinga vive em água doce e pode chegar a 2,5 metros

Tião foi identificado como um jacaré-tinga, espécie presente em ambientes de água doce na região amazônica. Esse tipo de animal pode atingir até 2,5 metros de comprimento.

No caso de Tião, ele ainda é jovem e mede cerca de 1,5 metro. Mesmo assim, o porte já exige atenção. Um movimento brusco pode provocar reação defensiva.

Segundo biólogos especialistas em comportamento de jacarés, esses animais são inteligentes e podem reconhecer pessoas. Porém, a relação não deve ser interpretada como amizade humana.

Especialista alerta que vínculo com jacaré ocorre por condicionamento

De acordo com o especialista, Tião se aproxima porque associa Aldecino a algo positivo, principalmente alimento. Portanto, o comportamento está ligado ao condicionamento.

Ainda assim, o biólogo reforça um alerta importante: não é recomendado se aproximar de animais selvagens. Mesmo quando parecem calmos, eles continuam guiados por instintos naturais.

A esposa de Aldecino também demonstra medo da situação. Ela acompanha a história com distância e preocupação, especialmente quando o marido se aproxima demais do jacaré.

Antiga área de decantação de esgoto foi recuperada pela comunidade

A Lagoa do Pinicão também tem uma história curiosa. O nome surgiu porque, no passado, o espaço era usado como área de decantação de esgoto.

Segundo o relato, o local foi limpo há mais de dez anos. Depois disso, moradores começaram a reativar a lagoa, levando peixes e devolvendo vida ao ambiente.

Com a água recuperada, animais voltaram a circular pela região. Entre eles, apareceram os jacarés, incluindo Tião.

Convivência com Tião mudou a forma como Aldecino vê os próprios medos

Para Aldecino, a experiência vai além da curiosidade. Ele afirma que aprendeu com Tião uma lição sobre confiança, barreiras e convivência.

O psicólogo diz que o animal, mesmo tendo instinto de defesa, precisou “se desarmar” para permitir a aproximação. A partir disso, ele passou a refletir sobre as relações humanas.

A história, portanto, não deve ser vista como incentivo para contato com animais selvagens. Ao contrário, ela mostra uma convivência rara, específica e arriscada, construída ao longo de anos entre um homem, um jacaré e uma lagoa recuperada em Rio Branco.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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