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União Europeia recolhe lotes de carne bovina do Brasil após identificar hormônio proibido

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 15/12/2025 às 19:48
A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, hormônio proibido no bloco
A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, hormônio proibido no bloco
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Retirada atingiu pequenos volumes de carne congelada e pressiona ajustes na certificação exigida para exportação ao mercado europeu

A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, hormônio proibido no bloco.

A confirmação foi feita na última sexta feira, (12), por Eva Hrncirova, porta voz de saúde da Comissão Europeia. A carga envolvia pequenos volumes de carne congelada certificados de forma incorreta para exportação.

A quantidade exata não foi informada. As remessas afetadas foram recolhidas pelas autoridades europeias.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

O recolhimento ganhou peso por envolver um hormônio que não pode estar presente em carne destinada ao mercado europeu.

A Missão Brasil na União Europeia, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, informou que as autoridades brasileiras comunicaram aos europeus a identificação do estradiol.

A nota também classificou o episódio como uma ocorrência rara e afirmou que houve trabalho coordenado para retirada das remessas.

O que é o estradiol e por que ele vira alvo de controle

O estradiol é um hormônio produzido naturalmente pelas vacas. Ele também pode ser aplicado para sincronizar o cio.

A sincronização faz com que fêmeas entrem no cio no mesmo período, o que ajuda a organizar procedimentos reprodutivos.

Esse uso não se confunde com hormônios de crescimento, que são um tema sensível em debates internacionais sobre carne.

Quais são as regras da União Europeia e o que vale no Brasil

A União Europeia proíbe o uso do estradiol na carne destinada ao bloco, o que exige um controle rigoroso no processo de certificação para exportação.

No Brasil, o uso de hormônios de crescimento é proibido na pecuária. Existe permissão para uso de hormônios para fins terapêuticos, para tratamento de doenças, e para reprodução, no caso do estradiol.

A regra brasileira permite esse hormônio apenas em vacas com finalidade reprodutiva, o que aumenta a necessidade de rastreio quando o destino é um mercado com exigências diferentes.

Como funciona a certificação e o que a Comissão Europeia quer do Brasil

A porta voz da Comissão Europeia informou que mantém discussões com autoridades brasileiras sobre medidas corretivas e um plano de ação.

O foco é garantir que o Brasil mantenha um sistema de certificação que cumpra as regras do bloco em segurança alimentar e saúde pública.

A situação também reforça a importância de procedimentos que impeçam certificação incorreta quando a carne é destinada à União Europeia.

Medidas de rastreabilidade criadas para atender as exigências do bloco

Em janeiro de 2025, a Associação Brasileira das Empresas de Auditoria e Certificação de Rastreabilidade (ABCAR) criou o Protocolo para Exportação de Fêmeas Bovinas (PEFB).

A proposta é garantir a rastreabilidade de fêmeas tratadas com estradiol e assegurar que apenas animais que nunca receberam o hormônio sejam abatidos para exportação à União Europeia.

A iniciativa busca reduzir risco de falhas quando o destino exige ausência total do hormônio, mesmo em situações de uso permitido no Brasil para reprodução.

Controle oficial de resíduos e o que mostram os dados disponíveis

Para certificar o cumprimento das normas, o Brasil conta com o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), que faz avaliação de risco com base técnica e histórico de detecções.

Em 2023, 99,76% da carne analisada pelo programa estava em conformidade.

Esse tipo de monitoramento é um pilar para sustentar exportações e responder a exigências sanitárias de mercados mais restritivos.

Debate político na Europa amplia a atenção sobre o tema

A confirmação do recolhimento ocorreu uma semana antes de uma reunião do Conselho Europeu para decidir sobre adesão ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

O tratado ainda enfrenta oposição de países europeus, com destaque para a França, onde há temor de perda de espaço do agro local com o livre comércio de alimentos do Mercosul, principalmente do Brasil.

Em 2024, parlamentares franceses chegaram a afirmar que a carne do Mercosul seria cheia de hormônios de crescimento e antibióticos, e a crítica foi contestada por representantes do setor e pesquisadores.

A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, com registro de certificação incorreta envolvendo pequenos volumes de carne congelada.

O episódio aumenta a cobrança por rastreabilidade e por um sistema de certificação alinhado às regras do bloco europeu, com impacto direto para exportadores e para a cadeia que vende para esse mercado

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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