Retirada atingiu pequenos volumes de carne congelada e pressiona ajustes na certificação exigida para exportação ao mercado europeu
A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, hormônio proibido no bloco.
A confirmação foi feita na última sexta feira, (12), por Eva Hrncirova, porta voz de saúde da Comissão Europeia. A carga envolvia pequenos volumes de carne congelada certificados de forma incorreta para exportação.
A quantidade exata não foi informada. As remessas afetadas foram recolhidas pelas autoridades europeias.
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O que aconteceu e por que isso chamou atenção
O recolhimento ganhou peso por envolver um hormônio que não pode estar presente em carne destinada ao mercado europeu.
A Missão Brasil na União Europeia, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, informou que as autoridades brasileiras comunicaram aos europeus a identificação do estradiol.
A nota também classificou o episódio como uma ocorrência rara e afirmou que houve trabalho coordenado para retirada das remessas.
O que é o estradiol e por que ele vira alvo de controle
O estradiol é um hormônio produzido naturalmente pelas vacas. Ele também pode ser aplicado para sincronizar o cio.
A sincronização faz com que fêmeas entrem no cio no mesmo período, o que ajuda a organizar procedimentos reprodutivos.
Esse uso não se confunde com hormônios de crescimento, que são um tema sensível em debates internacionais sobre carne.
Quais são as regras da União Europeia e o que vale no Brasil
A União Europeia proíbe o uso do estradiol na carne destinada ao bloco, o que exige um controle rigoroso no processo de certificação para exportação.
No Brasil, o uso de hormônios de crescimento é proibido na pecuária. Existe permissão para uso de hormônios para fins terapêuticos, para tratamento de doenças, e para reprodução, no caso do estradiol.
A regra brasileira permite esse hormônio apenas em vacas com finalidade reprodutiva, o que aumenta a necessidade de rastreio quando o destino é um mercado com exigências diferentes.
Como funciona a certificação e o que a Comissão Europeia quer do Brasil
A porta voz da Comissão Europeia informou que mantém discussões com autoridades brasileiras sobre medidas corretivas e um plano de ação.
O foco é garantir que o Brasil mantenha um sistema de certificação que cumpra as regras do bloco em segurança alimentar e saúde pública.
A situação também reforça a importância de procedimentos que impeçam certificação incorreta quando a carne é destinada à União Europeia.
Medidas de rastreabilidade criadas para atender as exigências do bloco
Em janeiro de 2025, a Associação Brasileira das Empresas de Auditoria e Certificação de Rastreabilidade (ABCAR) criou o Protocolo para Exportação de Fêmeas Bovinas (PEFB).
A proposta é garantir a rastreabilidade de fêmeas tratadas com estradiol e assegurar que apenas animais que nunca receberam o hormônio sejam abatidos para exportação à União Europeia.
A iniciativa busca reduzir risco de falhas quando o destino exige ausência total do hormônio, mesmo em situações de uso permitido no Brasil para reprodução.
Controle oficial de resíduos e o que mostram os dados disponíveis
Para certificar o cumprimento das normas, o Brasil conta com o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), que faz avaliação de risco com base técnica e histórico de detecções.
Em 2023, 99,76% da carne analisada pelo programa estava em conformidade.
Esse tipo de monitoramento é um pilar para sustentar exportações e responder a exigências sanitárias de mercados mais restritivos.
Debate político na Europa amplia a atenção sobre o tema
A confirmação do recolhimento ocorreu uma semana antes de uma reunião do Conselho Europeu para decidir sobre adesão ao acordo entre Mercosul e União Europeia.
O tratado ainda enfrenta oposição de países europeus, com destaque para a França, onde há temor de perda de espaço do agro local com o livre comércio de alimentos do Mercosul, principalmente do Brasil.
Em 2024, parlamentares franceses chegaram a afirmar que a carne do Mercosul seria cheia de hormônios de crescimento e antibióticos, e a crítica foi contestada por representantes do setor e pesquisadores.
A União Europeia recolheu lotes de carne bovina brasileira após identificar estradiol, com registro de certificação incorreta envolvendo pequenos volumes de carne congelada.
O episódio aumenta a cobrança por rastreabilidade e por um sistema de certificação alinhado às regras do bloco europeu, com impacto direto para exportadores e para a cadeia que vende para esse mercado

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