Campanha global reúne mais de 80 observatórios para medir com precisão a trajetória do 3I/ATLAS e aprimorar a resposta a futuros visitantes interestelares
O cometa interestelar 3I/ATLAS está sendo acompanhado de perto enquanto se prepara para sua aproximação mais próxima da Terra em 19 de dezembro.
Além de agências espaciais, a ONU também participa do monitoramento por meio da Rede Internacional de Alerta de Asteroides, uma iniciativa voltada a observações e medições de objetos próximos à Terra.
O que aconteceu e por que isso chamou atenção
O 3I/ATLAS deve passar a cerca de 270 milhões de quilômetros do planeta e, por isso, entrou no radar de telescópios em várias partes do mundo.
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A meta é determinar a posição do cometa com o máximo de precisão possível e, a partir daí, melhorar previsões sobre objetos semelhantes no futuro.
O acompanhamento ocorre dentro de uma campanha organizada pela IAWN, rede que reúne observatórios e também cientistas cidadãos envolvidos com pesquisas de cometas e asteroides.
Como a rede da ONU e a NASA estão acompanhando o 3I/ATLAS
A campanha de observação do 3I/ATLAS está aproximadamente na metade, e há expectativa de publicação dos resultados em uma revista com revisão por pares no próximo ano.
O pesquisador James Bauer, da Universidade de Maryland, explicou que a rede é formada por mais de 80 observatórios e participantes ao redor do mundo.
Bauer também afirmou que a NASA coordena a IAWN e as campanhas de observação, e que o 3I/ATLAS é o primeiro objeto interestelar acompanhado desde o início dessas ações em 2017.

Por que rastrear cometas é tão difícil
Medir com precisão a posição de um cometa é um desafio porque o brilho pode variar e a coma, nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo, muda conforme o objeto se aproxima do Sol.
Quando essa estrutura cresce e se transforma, o cometa pode parecer maior no céu, o que dificulta localizar sua posição exata.
Esse tipo de medição recebe o nome de astrometria, uma forma de calcular com precisão onde um objeto está no céu para estimar sua trajetória.
A nova técnica de astrometria e o que ela pode viabilizar
A campanha também serve para testar uma nova técnica astrométrica voltada a mapear a trajetória do 3I/ATLAS com mais eficiência.
A ideia é fortalecer as capacidades técnicas da comunidade para medir a posição celeste de asteroides e cometas.
Esse avanço pode ajudar a avaliar, no futuro, como seria possível enviar uma nave espacial a um cometa semelhante, com base em trajetórias mais bem definidas.
O planejamento da campanha e a chegada fortuita do 3I/ATLAS
A rede planejava uma campanha de observação como essa desde outubro de 2024, e o 3I/ATLAS acabou chegando como uma oportunidade inesperada.
O cometa foi avistado pela primeira vez no fim de junho, e sua aproximação coincidiu com o cronograma de observações já previsto.
Como o objeto estava visível nos observatórios participantes e despertou grande interesse, a escolha pareceu natural para a campanha em andamento.
O que o 3I/ATLAS revela sobre cometas e sua composição
Mesmo tendo se originado fora do sistema solar, o 3I/ATLAS apresenta um comportamento considerado bem clássico para um cometa.
Bauer descreveu o objeto como um exemplo muito típico, com componentes como água e dióxido de carbono agindo de forma semelhante ao que se vê em cometas comuns do sistema solar.
Essa característica ajuda os pesquisadores porque reduz parte das incertezas na hora de medir e interpretar as mudanças observadas ao longo do caminho.
Participação global e o que pode acontecer a partir de agora
O interesse da comunidade cresceu ao longo da campanha, com participação de observatórios de vários portes e também de cientistas cidadãos.
Na reunião de lançamento da campanha em outubro, o número de participantes chegou a 171, e a teleconferência de meio de campanha, realizada em 9 de dezembro, reuniu 100 participantes.
Bauer destacou que muitas dúvidas giram em torno de como usar as ferramentas e qual é o formato adequado para observar e reportar resultados, um esforço que ajuda a refinar a capacidade de monitorar objetos próximos à Terra.
O monitoramento do 3I/ATLAS mostra como a coordenação entre ONU e NASA pode ampliar a precisão das medições e preparar melhor a comunidade para novos visitantes interestelares.
Com a aproximação marcada para 19 de dezembro, o foco segue em melhorar a qualidade das observações e fortalecer a base de dados que sustenta previsões e respostas futuras.

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