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Uma única obra humana é tão colossal que a NASA calculou que enchê-la seria capaz de deixar o dia na Terra mais longo: a Barragem das Três Gargantas, na China, armazena 40 trilhões de litros de água e desaceleraria de leve a rotação do nosso planeta

Publicado em 31/05/2026 às 14:05
Atualizado em 31/05/2026 às 14:08
A NASA calculou que encher a Barragem das Três Gargantas na China desaceleraria a rotação da Terra. Estrutura armazena 40 trilhões de litros de água.
A NASA calculou que encher a Barragem das Três Gargantas na China desaceleraria a rotação da Terra. Estrutura armazena 40 trilhões de litros de água.
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A Barragem das Três Gargantas, na China, é tão colossal que a NASA calculou que enchê-la afetaria a rotação da Terra e aumentaria a duração do dia em 0,06 microssegundos. A Barragem das Três Gargantas tem 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura, armazena até 40 quilômetros cúbicos de água, o equivalente a 40 trilhões de litros, e suas 32 turbinas de 700 MW produzem mais eletricidade que qualquer outra usina hidrelétrica do mundo. Em 2020, a Barragem das Três Gargantas bateu o recorde de Itaipu ao gerar quase 112 TWh, mais que o consumo anual da Finlândia ou do Chile.

A Barragem das Três Gargantas é a obra humana que mais se aproximou de alterar um dos equilíbrios fundamentais do planeta: a velocidade com que a Terra gira. Construída pela China no Rio Yangtzé, o geofísico Benjamin Fong Chao, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, o enchimento completo da estrutura deslocaria ligeiramente o eixo terrestre e desaceleraria a rotação do planeta, tornando o dia 0,06 microssegundos mais longo. A Barragem das Três Gargantas interrompe o fluxo do Rio Yangtzé, o mais longo da Ásia e o terceiro maior do mundo, na província de Hubei, e armazena uma massa de água equivalente a 40 trilhões de litros distribuídos ao longo de um reservatório que se estende por centenas de quilômetros.

O impacto na rotação é mínimo se comparado a fenômenos naturais como terremotos ou o derretimento das calotas polares, mas demonstra algo que a ciência passou a levar a sério: atividades humanas podem influenciar equilíbrios planetários que pareciam estar fora do nosso alcance. A Barragem das Três Gargantas foi inaugurada em 2012, quase duas décadas após o início da construção, e desde então se tornou a maior geradora de eletricidade do planeta, superando Itaipu, a usina compartilhada entre Brasil e Paraguai.

Os números da Barragem das Três Gargantas

imagem: Barragem das Três Gargantas (Getty Images)
imagem: Barragem das Três Gargantas (Getty Images)

A estrutura tem 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura. Suas 32 turbinas de 700 MW cada somam capacidade instalada de 22.500 MW, além de dois geradores menores de 50 MW que fornecem energia para a própria usina. Em 2020, após chuvas de monção intensas, a Barragem das Três Gargantas quebrou o recorde de geração anual de Itaipu, que era de 103 TWh desde 2016, produzindo quase 112 TWh de eletricidade.

Apesar de suas dimensões enormes, a Barragem das Três Gargantas produz apenas 1% da eletricidade anual da China, dado que coloca em perspectiva o consumo energético do país. A megaestrutura também inclui um elevador para barcos que permite a navegação no rio, mantendo a função de transporte do Yangtzé mesmo com a interrupção do fluxo natural.

Como a Barragem das Três Gargantas afeta a rotação da Terra

O mecanismo físico se chama momento de inércia, grandeza que descreve a resistência de um corpo a mudanças em sua rotação. Quando 40 trilhões de litros de água são concentrados em um ponto específico da superfície terrestre pela Barragem das Três Gargantas, a distribuição de massa do planeta muda, e isso altera, mesmo que imperceptivelmente, a velocidade de rotação.

O exemplo clássico é o de uma patinadora que, ao cruzar os braços junto ao corpo, gira mais rápido. De forma inversa, quando a massa se afasta do eixo de rotação, o giro desacelera. A Barragem das Três Gargantas concentra uma massa enorme de água em uma latitude que amplifica o efeito. O resultado calculado pela NASA é um aumento de 0,06 microssegundos na duração do dia, valor insignificante para a vida cotidiana, mas mensurável para a ciência. A NASA alertou sobre o fenômeno pela primeira vez em 2005.

Outros exemplos de atividades humanas que alteram a rotação

A Barragem das Três Gargantas não é o único exemplo de interferência humana na rotação terrestre. Entre 1993 e 2010, a extração de aproximadamente 2.150 gigatoneladas de água subterrânea para consumo, agricultura e indústria elevou o nível do mar em mais de seis milímetros e deslocou o eixo de rotação da Terra 80 centímetros para leste.

O tsunami de 2004 na Indonésia, causado por um terremoto entre as placas da Índia e de Mianmar, teve o efeito oposto: deslocou o Polo Norte cerca de 2,5 centímetros para leste e acelerou a rotação, reduzindo a duração do dia em 2,68 microssegundos. A comparação mostra que fenômenos naturais ainda têm impacto muito maior que obras humanas, mas a tendência é que a soma das atividades humanas se torne cada vez mais relevante.

A barragem que vai ser três vezes maior

A China já está construindo a futura usina hidrelétrica de Medog, no Tibete, localizada no rio Yarlung Tsangpo. A construção começou em 2025 e, quando concluída em 2035, será a barragem mais poderosa do planeta, três vezes maior que a Barragem das Três Gargantas, o que levanta questões sobre o impacto acumulado de múltiplas megaestruturas na rotação da Terra e nos ecossistemas fluviais da Ásia.

A escala das ambições energéticas chinesas é difícil de compreender. Se a Barragem das Três Gargantas, com toda sua magnitude, produz apenas 1% da eletricidade do país, a usina de Medog precisará ser três vezes maior para fazer diferença significativa na matriz energética. Para o planeta, cada nova megabarragem é uma demonstração de que a engenharia humana já opera em escalas que a natureza percebe, como a NASA comprovou ao calcular o efeito dos 40 trilhões de litros da Barragem das Três Gargantas.

Você sabia que a Barragem das Três Gargantas é tão grande que pode desacelerar a rotação da Terra? O que mais impressiona: os 40 trilhões de litros, o recorde de geração ou a futura barragem três vezes maior? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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