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Uma mancha verde e azulada de 200 mil km² apareceu no mar gelado acima da Escandinávia, e os satélites revelaram que não era óleo, tinta nem poluição, mas uma explosão de fitoplâncton no Mar de Barents maior que muitos países

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 08/06/2026 às 14:44
Atualizado em 08/06/2026 às 14:49
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mancha verde mar de barens – Credit: European Union, Copernicus Sentinel-3 imagery
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Satélite Sentinel-3 registrou floração de fitoplâncton de mais de 200 mil km² no Mar de Barents, acima da Escandinávia.

Uma imagem capturada em 3 de agosto de 2023 por um dos satélites Copernicus Sentinel-3 revelou uma enorme mancha verde e azulada no Mar de Barents, ao norte da Península Escandinava. Segundo o programa europeu Copernicus, o fenômeno cobria mais de 200 mil km², uma área maior que países como Uruguai, Síria ou Camboja. À primeira vista, a coloração poderia parecer poluição, óleo ou alguma descarga química no oceano. Mas o que os sensores registraram era uma grande floração de fitoplâncton, formada por organismos microscópicos semelhantes a plantas que flutuam nos mares e sustentam boa parte da cadeia alimentar marinha.

A mancha gigante apareceu no alto norte europeu como se o oceano tivesse sido pintado de verde

O Mar de Barents fica entre o norte da Noruega, a Rússia e o Oceano Ártico. É uma região fria, estratégica e biologicamente ativa, onde massas de água atlântica e ártica se encontram.

No verão, a luz solar prolongada, o aquecimento superficial e a estratificação da água criam condições favoráveis para o crescimento explosivo do fitoplâncton. O Copernicus já havia registrado florações semelhantes na região em outros anos, especialmente entre julho e agosto.

O caso de agosto de 2023 chamou atenção pela escala. Uma área de mais de 200 mil km² significa uma mancha biológica maior que muitos países inteiros, visível do espaço e suficientemente extensa para alterar a aparência do oceano em imagens de satélite.

O fenômeno não era sujeira, mas vida microscópica em escala continental

O fitoplâncton é formado por organismos microscópicos que realizam fotossíntese. Eles usam luz solar, dióxido de carbono e nutrientes dissolvidos na água para crescer.

Apesar do tamanho invisível a olho nu, esses organismos têm impacto planetário. Eles formam a base da cadeia alimentar marinha, alimentando desde pequenos crustáceos até peixes e, indiretamente, grandes animais oceânicos.

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O Copernicus descreve essas florações como fenômenos essenciais ao ciclo de nutrientes marinhos e à produtividade dos oceanos. Em 2025, o próprio programa voltou a registrar redemoinhos turquesa e azul-leitosos no Mar de Barents, explicando que eles são causados por grandes concentrações de fitoplâncton.

Por que o Mar de Barents favorece florações tão grandes

O verão no Ártico e nas regiões subárticas cria uma combinação poderosa para o fitoplâncton. Com mais luz solar, camadas superficiais mais aquecidas e separação entre águas de diferentes temperaturas e salinidades, os organismos conseguem permanecer em zonas iluminadas por mais tempo. Essa estratificação favorece o crescimento das florações.

Large phytoplankton bloom in the Barents Sea
Large phytoplankton bloom in the Barents Sea – Visto do espaço

O Mar de Barents também está ligado ao transporte de calor do Atlântico em direção ao Ártico. O Copernicus observa que a região participa do processo de dissipação de calor das águas superficiais e que mudanças climáticas podem alterar esse equilíbrio, ampliando o processo conhecido como “atlantificação” do Ártico.

Isso torna a região especialmente importante para cientistas que monitoram o clima, a produtividade marinha e as mudanças nos ecossistemas polares.

Satélites conseguem enxergar organismos que o olho humano jamais veria do espaço

A escala do fenômeno só é compreendida graças aos satélites. O Sentinel-3, parte do programa Copernicus da União Europeia, monitora a cor do oceano, temperatura da superfície marinha, gelo, vegetação e outros parâmetros ambientais.

No caso das florações, os sensores detectam variações na cor da água associadas à presença de pigmentos como a clorofila.

Extreme plankton bloom creates 'dead zone' off Thailand
Em 2023 aconteceu também o Extreme plankton bloom criando a chamada ‘dead zone’ na Thailand – reprodução

Sem esse tipo de observação, uma mancha de 200 mil km² poderia passar despercebida em sua real dimensão. Navios e aviões veriam apenas trechos isolados. O satélite mostra o desenho completo, revelando a escala continental do processo.

Uma explosão de vida que também pode servir como indicador climático

Florações de fitoplâncton não são automaticamente ruins. Em muitos casos, são parte natural e fundamental dos ecossistemas marinhos.

O problema surge quando mudanças de temperatura, circulação oceânica, nutrientes ou clima alteram frequência, localização, intensidade ou composição dessas florações. Algumas espécies podem ser nocivas, enquanto outras sustentam cadeias alimentares inteiras.

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No Mar de Barents, o interesse científico é ainda maior porque a região está na fronteira entre o Atlântico e o Ártico. Mudanças ali podem indicar transformações mais amplas no oceano polar, em estoques pesqueiros, na absorção de carbono e na dinâmica climática do hemisfério norte.

O oceano parecia manchado, mas revelava uma engrenagem invisível da vida marinha

A imagem registrada pelo Sentinel-3 impressiona justamente pelo contraste. O que parece uma mancha estranha no mar gelado é, na verdade, uma explosão de organismos microscópicos sustentando parte da vida oceânica.

Uma mancha verde e azulada de 200 mil km² apareceu no mar gelado acima da Escandinávia, e os satélites revelaram que não era óleo
mancha verde mar de barens – Credit: European Union, Copernicus Sentinel-3 imagery

Em uma área superior a 200 mil km², o fitoplâncton tingiu o Mar de Barents e mostrou como processos invisíveis podem alcançar escala continental.

O fenômeno também reforça a importância do monitoramento por satélite, capaz de transformar redemoinhos coloridos no oceano em dados científicos sobre clima, carbono, nutrientes e biodiversidade.

No fim, a “mancha verde” acima da Escandinávia não era óleo, tinta nem poluição. Era uma das formas mais discretas e poderosas de vida do planeta aparecendo, de repente, em tamanho grande o suficiente para ser vista do espaço.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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