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Uma faixa marrom gigante visível do espaço, com cerca de 8.850 quilômetros de extensão, ligou a África à América no Oceano Atlântico, e os satélites revelaram que não é terra nem poluição, mas o maior acúmulo de algas marinhas do mundo, que bateu recorde em 2025

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/06/2026 às 00:02
Atualizado em 08/06/2026 às 00:09
Uma faixa marrom de cerca de 8.850 km ligou a África à América no Atlântico; satélites revelaram ser o maior acúmulo de algas do mundo, recorde em 2025. Entenda.
Uma faixa marrom de cerca de 8.850 km ligou a África à América no Atlântico; satélites revelaram ser o maior acúmulo de algas do mundo, recorde em 2025. Entenda.
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A imagem de satélite engana: parece uma ponte de terra boiando no mar. Na verdade, é massa viva, uma alga que se espalha em tapetes flutuantes do tamanho de um continente. No oceano aberto, ela abriga peixes e tartarugas. Perto da praia, porém, vira um problema fedorento que ameaça o turismo do Caribe.

Vista do espaço, a cena impressiona e até engana o olhar de quem observa. Uma faixa marrom gigante visível do espaço, com cerca de 8.850 quilômetros de extensão, ligou a África à América no Oceano Atlântico, e os satélites revelaram que não se trata de terra nem de poluição, mas do maior acúmulo de algas marinhas do mundo, que bateu recorde em 2025.

O fenômeno é conhecido pelos cientistas como Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, uma proliferação descomunal da macroalga flutuante chamada sargaço, que se estende da costa oeste da África até o Golfo do México. Segundo pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, que monitoram a faixa com imagens de satélite da NASA, em maio de 2025 a massa de sargaço atingiu cerca de 37,5 milhões de toneladas, um recorde histórico. A seguir, explicamos o que é essa faixa marrom, por que ela cresce sem parar e por que pode ser ao mesmo tempo benéfica e problemática.

O que é essa faixa marrom no Atlântico

Uma faixa marrom de cerca de 8.850 km ligou a África à América no Atlântico; satélites revelaram ser o maior acúmulo de algas do mundo, recorde em 2025. Entenda.
A primeira surpresa é que a mancha não é feita de matéria morta. 

A faixa marrom é o chamado Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, e não areia, poluição ou poeira, mas sim um acúmulo colossal de sargaço, uma macroalga marinha que flutua na superfície do mar e se junta em quantidades tão grandes que ficam visíveis até por satélite, formando o maior acúmulo de algas do planeta.

De acordo com um estudo publicado em 2019 na revista científica Science, liderado pela pesquisadora Mengqiu Wang, da Universidade do Sul da Flórida, esse cinturão foi identificado como a maior floração de macroalgas do mundo.

O fenômeno, nessa escala, começou a se formar em 2011 e, desde então, reaparece quase todos os anos durante a primavera e o verão do hemisfério norte, crescendo de tamanho ao longo do tempo.

Afinal, o que é uma macroalga

Para entender o sargaço, é preciso saber o que ele realmente é. 

Macroalga é uma alga grande o suficiente para ser vista a olho nu, ao contrário das microalgas microscópicas, e o sargaço é uma delas, vivendo na água e crescendo em grandes tapetes flutuantes que funcionam como verdadeiros ecossistemas em movimento no meio do oceano.

Embora faça fotossíntese e produza oxigênio como as plantas, o sargaço não é uma planta de verdade, pois não tem raiz, caule nem flor, formando um grupo próprio de seres vivos.

Ele se mantém na superfície graças a pequenas bolsas de gás que funcionam como boias, e seus tapetes servem de casa e esconderijo para peixes, tartarugas e outros animais marinhos.

É, resumindo, uma espécie de capim do mar, só que sem ser planta.

Vilã ou mocinha? Depende de onde está

Aqui mora o ponto mais interessante da história, longe de uma visão simplista. 

O sargaço não é simplesmente prejudicial, pois tudo depende de onde ele está, já que em alto mar, espalhado, ele cumpre um papel ecológico importante, servindo de abrigo e berçário para tartarugas, peixes, invertebrados e aves, além de produzir oxigênio pela fotossíntese, sendo benéfico para a vida no oceano.

O problema surge quando a alga chega em excesso perto da costa.

Nessas condições, a mesma alga que ajudava passa a atrapalhar: pode dificultar o movimento e a respiração de espécies marinhas, e, quando afunda em grande quantidade, chega a sufocar corais e a vegetação do fundo do mar.

Ou seja, é o mesmo organismo desempenhando papéis opostos, conforme o lugar em que se acumula.

O problema que chega às praias

Para quem vive no litoral ou do turismo, a parte ruim é bem concreta. 

Quando grandes quantidades de sargaço se acumulam e apodrecem na areia das praias, a decomposição libera gás sulfídrico, aquele cheiro forte de ovo podre, que além de incomodar pode causar desconforto respiratório e afastar turistas, prejudicando a economia local de regiões litorâneas.

Em praias muito afetadas do Caribe e da costa leste da Flórida, isso se tornou um desafio sério e recorrente nos últimos anos.

É importante esclarecer, porém, que não se trata de um perigo à distância, e sim de um problema concreto de saúde e de ambiente quando há acúmulo apodrecido em grande escala.

Cidades e hotéis dessas regiões enfrentam dificuldades para remover as enormes quantidades de algas que chegam às areias.

Por que o sargaço não para de crescer

A explicação para esse avanço ainda não está totalmente fechada pela ciência. 

A causa exata do crescimento sem freio do cinturão de sargaço ainda não é totalmente clara, mas os cientistas apontam pistas fortes, como o excesso de nutrientes que chega ao oceano, vindo de fertilizantes usados na agricultura, do escoamento de grandes rios e de outras fontes, já que mais nutriente na água significa mais alimento para a alga.

Entre as fontes de nutrientes investigadas, pesquisadores citam inclusive o escoamento de grandes rios, como a descarga do rio Amazonas no Atlântico, além de processos como a ressurgência de águas profundas e a deposição atmosférica.

Outro fator são as mudanças nos padrões das correntes oceânicas, e o fato de o sargaço crescer mais rápido quando a temperatura da superfície do mar está normal ou um pouco mais fria que a média.

A combinação desses elementos ajuda a explicar os recordes de tamanho.

O que esperar daqui para frente

Os especialistas preferem ser realistas sobre o futuro próximo. 

Os grandes episódios de acúmulo de sargaço nas praias do Caribe e da costa leste da Flórida são considerados praticamente inevitáveis, à medida que o cinturão continua se deslocando para o oeste levado pelas correntes, segundo os cientistas que acompanham o fenômeno.

Isso não quer dizer que não haja o que fazer.

O monitoramento por satélite ajuda a prever quando e onde o sargaço vai chegar, permitindo que comunidades e governos se preparem para a limpeza e a gestão das praias.

No fim das contas, essa faixa marrom gigante é um lembrete poderoso de que os oceanos estão todos conectados, e que mudanças em uma ponta do planeta podem se tornar bem visíveis, do outro lado do Atlântico.

A faixa marrom que liga a África à América no Atlântico é um daqueles fenômenos que misturam beleza, ciência e preocupação ambiental em uma só imagem de satélite.

Mais do que uma curiosidade vista do espaço, o Grande Cinturão de Sargaço revela como a saúde dos oceanos depende de um delicado equilíbrio, em que a mesma alga pode ser aliada da vida marinha ou um problema para as praias.

Acompanhar e entender esse cinturão é essencial para que as regiões afetadas possam se preparar e para que a humanidade compreenda melhor os efeitos de suas ações sobre o mar.

E você, já tinha ouvido falar dessa faixa marrom gigante que cruza o Atlântico? O que achou de descobrir que se trata da maior floração de algas do mundo? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e ajude a divulgar a matéria para quem se interessa por ciência, oceanos e meio ambiente.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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