Em Balneário Camboriú, a Capela da Paz atravessou seis décadas cercada por arranha-céus e segue preservada como patrimônio histórico: construída em sete semanas em 1961, a pequena igreja atende até 60 pessoas no município reconhecido pelo metro quadrado mais caro do Brasil e pela verticalização urbana acelerada do litoral catarinense.
Em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, a Capela da Paz continua de pé entre edifícios que redesenharam a paisagem da cidade. A pequena igreja luterana, erguida em sete semanas e inaugurada em 22 de janeiro de 1961, tem capacidade máxima para 60 pessoas.
Conforme relatado pelo ND Mais, mais de seis décadas depois, o imóvel permanece preservado na rua 2300, no Centro, após ter sido tombado pelo município em 1998. Em uma cidade marcada pela verticalização e pela valorização residencial, a capela tornou-se um contraste visível com as torres ao redor.
Capela da Paz nasceu de uma necessidade religiosa local

Antes de Balneário Camboriú se tornar conhecida pelas torres residenciais, os luteranos que viviam ou passavam temporadas na antiga Praia de Camboriú precisavam viajar até Itajaí para participar de cultos. A história da Capela da Paz começou quando Berty Jensen, que havia se mudado de Curitiba para a região em 1956, passou a reunir fiéis em sua casa.
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Com o crescimento dos encontros, o pastor Lindolfo Weingärtner articulou a construção de um espaço próprio, com trabalho do pedreiro Paulo Tesch e recursos obtidos com apoio comunitário. A obra foi concluída em sete semanas e inaugurada em 22 de janeiro de 1961. A Capela da Paz nasceu de uma demanda local, antes de a paisagem ser dominada por grandes edifícios.
Patrimônio histórico permaneceu protegido no endereço original

O reconhecimento como patrimônio histórico ocorreu em 1998, quando o município tombou a Capela da Paz como patrimônio histórico, cultural e arquitetônico de Balneário Camboriú. A medida atribuiu proteção pública a uma construção modesta, mas ligada à formação religiosa e urbana da região central.
Em 2012, antes da implantação de um empreendimento residencial ao redor da igreja, a capela foi restaurada. O edifício erguido na área recebeu o nome de Tour Chapelle, referência direta à construção preservada. A permanência desse patrimônio histórico mantém visível uma etapa anterior da transformação do município.
Arranha-céus mudaram o horizonte ao redor da igrejinha

Os arranha-céus que hoje cercam a Capela da Paz refletem o processo de verticalização que transformou Balneário Camboriú nas últimas décadas. Com fachada clara, torre pequena e escala reduzida, o templo se diferencia dos prédios residenciais que passaram a dominar a paisagem do Centro.
Esse contraste fez com que a igreja ganhasse outro significado para moradores e visitantes. Entre os arranha-céus, ela funciona como referência de uma cidade que já teve dimensões muito diferentes das atuais. A capela não interrompeu o crescimento urbano, mas preservou uma lembrança material dentro dele.
Metro quadrado mais caro do Brasil amplia o contraste urbano
A paisagem se torna ainda mais simbólica porque Balneário Camboriú apareceu, no Índice FipeZAP de abril de 2026, com o metro quadrado mais caro do Brasil entre as cidades monitoradas. O preço médio de venda residencial divulgado no levantamento foi de R$ 15.185 por metro quadrado, ligeiramente acima do registrado em Itapema.
Em um município associado ao metro quadrado mais caro do Brasil, a Capela da Paz ocupa um espaço pequeno, com capacidade máxima para 60 pessoas, mas carrega valor que não depende do mercado imobiliário. O patrimônio histórico oferece um contraponto aos arranha-céus e aos empreendimentos de alto padrão que cercam o endereço.
Igreja segue aberta em uma das áreas mais valorizadas da cidade

A Capela da Paz não permaneceu apenas como fachada preservada. Atualmente, a igreja segue aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, e é utilizada para celebrações ecumênicas, casamentos e batismos. A atividade mantém vivo o propósito que motivou sua construção.
A continuidade também reforça o contraste de Balneário Camboriú na cidade relacionada ao metro quadrado mais caro do Brasil, a pequena igreja continua recebendo pessoas sob a sombra dos arranha-céus. Mais do que patrimônio histórico, ela representa a permanência de vínculos comunitários em uma paisagem marcada pelo luxo.
A permanência da igrejinha provoca uma pergunta relevante para centros urbanos valorizados: como conciliar novos edifícios e preservação sem apagar os espaços que contam a história local? Para você, a Capela da Paz simboliza equilíbrio ou é uma exceção rara? Deixe sua opinião nos comentários.
