A segunda maior rede de distribuição de alimentos da China fechou a compra de 15 mil toneladas de açaí do Amapá pelos próximos cinco anos. O acordo histórico, costurado pela cooperativa Amazonbai na maior feira de alimentos da Ásia, leva o fruto da foz do Amazonas direto ao promissor mercado chinês.
Entre os dias 18 e 20 de maio de 2026, durante a Sial China, a maior feira de alimentos da Ásia, realizada em Xangai, a cooperativa amapaense Amazonbai fechou um acordo histórico com a segunda maior rede de distribuição de alimentos da China para o fornecimento de 15 mil toneladas de açaí ao longo dos próximos cinco anos. O negócio, anunciado em 22 de maio, prevê que a cooperativa de produtores extrativistas destine toda a sua safra do fruto ao gigante asiático, levando o açaí da foz do rio Amazonas diretamente ao mercado consumidor chinês.
O acordo representa um marco para a agricultura familiar e o extrativismo da Amazônia. A China, maior parceira comercial do Brasil, abre suas portas para um produto símbolo da biodiversidade amazônica, e a Amazonbai, sediada no Amapá, passa a ter um comprador garantido para toda a sua produção por cinco anos. Para o presidente da cooperativa, Amiraldo Picanço, a parceria internacional é a porta de entrada para que o açaí amapaense e o de outras cooperativas brasileiras alcancem um mercado descrito por ele como extremamente promissor.
Como o açaí do Amapá chegou ao mercado da China

A negociação aconteceu durante a Sial China, considerada a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das maiores do planeta, que reúne mais de 5 mil expositores de dezenas de países e recebe cerca de 180 mil visitantes profissionais. A edição de 2026, realizada em Xangai, teve participação recorde do Brasil, com 82 empresas exportadoras, número que superou as 54 da edição anterior, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil.
-
Lula promete acabar com a fila do INSS até setembro; governo diz que estoque caiu 29% e ainda há 2,2 milhões de pedidos em análise
-
Senado aprova pautas-bomba que podem custar R$ 263,7 bilhões e incluem refinanciamento rural, piso de R$ 13.662 para médicos e dentistas e aposentadoria especial para agentes de saúde
-
Moradores são obrigados todo dia a pagar R$ 24 de pedágio e a descer 16 km por uma serra para chegar em casa porque todos os retornos perto do bairro foram bloqueados e o mais próximo só existe lá embaixo em Morretes
-
Governo de São Paulo anuncia R$ 76,9 milhões para infraestrutura urbana e 28 cidades da região Central entram na lista de obras que podem mudar ruas, iluminação, drenagem, escolas, lazer, saúde e serviços municipais
A presença da Amazonbai no evento foi viabilizada pela estratégia Rotas de Integração Nacional, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mais especificamente pela Rota do Açaí, que busca fortalecer sistemas produtivos locais e promover o desenvolvimento regional sustentável. A participação da cooperativa contou com investimento de cerca de 207 mil reais, valor que viabilizou a ida dos produtores ao principal palco de negócios alimentícios da Ásia, onde o contato direto com a China foi possível.
Quem é a Amazonbai, a cooperativa da foz do Amazonas

A Amazonbai é uma cooperativa de produtores extrativistas de açaí sediada no Amapá, na região da foz do rio Amazonas, reconhecida como pioneira em rastreabilidade e certificação da cadeia do açaí no mundo. A organização vem crescendo de forma acelerada nos últimos anos, e em 2024 chegou a triplicar seu faturamento em relação ao ano anterior, alcançando uma receita de mais de 2 milhões de reais, impulsionada pelas primeiras exportações diretas de açaí liofilizado, ou seja, em pó, para os Estados Unidos e a Europa.
Além do peso econômico, a cooperativa se destaca pelo protagonismo social. Nos últimos anos, a participação feminina na Amazonbai triplicou, e em janeiro de 2025, pela primeira vez, mulheres foram eleitas para cargos de gestão. Agora, ao garantir a venda de toda a sua safra para a China, a cooperativa consolida um modelo que une geração de renda, preservação da floresta em pé e valorização do trabalho das comunidades tradicionais da Amazônia, transformando o extrativismo em negócio sustentável de alcance global.
O peso do mercado chinês para os produtos brasileiros
A entrada do açaí no mercado da China não é um movimento isolado, mas parte de uma ofensiva maior do Brasil para ampliar suas exportações ao país asiático. Na Sial China 2026, a expectativa da ApexBrasil era gerar cerca de 3,3 bilhões de dólares em negócios imediatos e futuros, com a presença recorde de empresas brasileiras distribuídas em cinco pavilhões nacionais. O pavilhão dedicado à agricultura familiar reuniu cooperativas de diversas regiões, levando ao público chinês produtos como cafés especiais, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e itens da sociobiodiversidade brasileira.
Esse esforço se apoia em programas como o Cooperar para Exportar, desenvolvido pela ApexBrasil em parceria com o Sebrae, que oferece capacitação e apoio para que cooperativas participem de feiras internacionais. Para a China, importar produtos como o açaí significa acesso a alimentos de alto valor agregado e apelo de bem-estar, em um mercado consumidor gigantesco e cada vez mais aberto a novidades da biodiversidade tropical, o que abre uma janela de oportunidade significativa para o Brasil.
O potencial e os desafios de exportar açaí para a China
O acordo de 15 mil toneladas é promissor, mas exportar açaí em grande escala para a China envolve desafios logísticos e produtivos relevantes. O açaí é um fruto altamente perecível, que precisa ser processado rapidamente após a colheita, e a distância entre a foz do Amazonas e a China exige soluções como a liofilização e o congelamento para preservar a qualidade do produto na longa viagem até o outro lado do mundo.
Há também o desafio de escalar a produção de forma sustentável, sem pressionar excessivamente os açaizais nativos nem comprometer o abastecimento do mercado interno brasileiro, onde o açaí é alimento essencial, sobretudo no Norte do país. Garantir que o crescimento das exportações para a China beneficie de fato as comunidades extrativistas, e não apenas intermediários, será fundamental para que esse acordo histórico se traduza em desenvolvimento real e duradouro para a região amazônica.
A venda de 15 mil toneladas de açaí do Amapá para a China é uma conquista que simboliza o potencial da bioeconomia amazônica quando conectada aos mercados globais. O acordo costurado pela Amazonbai na Sial China mostra que produtos da floresta em pé, produzidos por cooperativas de agricultura familiar, podem alcançar os maiores mercados do mundo, gerando renda e valorizando a sociobiodiversidade brasileira. O desafio agora é transformar essa oportunidade em um modelo sustentável e duradouro para a Amazônia.
Você imaginava que o açaí da foz do Amazonas poderia conquistar o mercado da China em um acordo de cinco anos? Acredita que exportar produtos da floresta em pé é o melhor caminho para conciliar economia e preservação da Amazônia? Deixe seu comentário, conte se você é fã de açaí e compartilhe a matéria com quem se interessa por agronegócio, exportações e o futuro da bioeconomia brasileira.

Seja o primeiro a reagir!