Calma, não é uma segunda Terra. É um planeta gigante de gás, do tamanho de Saturno, e a tal temperatura amena ainda passa dos 70 graus. Mas é a primeira vez que se conseguiu ler a atmosfera de um planeta gigante temperado, e o que apareceu lá dentro foi gás metano.
O planeta se chama TOI-199b, fica a mais de 330 anos-luz da Terra e é um gigante gasoso do tamanho de Saturno. A descoberta saiu em um estudo publicado em 20 de maio de 2026 na revista científica The Astronomical Journal.
Segundo a Universidade Estadual da Pensilvânia, a Penn State, que liderou a pesquisa junto com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, o JPL, o telescópio James Webb leu a atmosfera do exoplaneta e a encontrou cheia de metano, com pistas de amônia e dióxido de carbono. As informações foram divulgadas em 21 de maio de 2026.
Por que “temperatura parecida com a da Terra” não quer dizer um novo lar

O TOI-199b é uma bola gigante de gás, sem chão para pisar, parecida com Saturno, que dá uma volta na sua estrela a cada 105 dias. A temperatura estimada gira em torno de 79 graus Celsius, quente para os nossos padrões, mas espantosamente branda perto do que se costuma ver em planetas gigantes.
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É aí que entra o “parecida com a da Terra”. A comparação não é com o nosso clima, é com os outros gigantes. Os chamados júpiteres quentes, que orbitam coladinhos em suas estrelas, passam de mil graus. Já os gigantes do nosso sistema solar, como Júpiter e Saturno, ficam a centenas de graus abaixo de zero. O TOI-199b está no meio do caminho, e por isso recebe o apelido de temperado. Uma temperatura parecida com a da Terra, nesse contexto, quer dizer apenas longe dos extremos, não um mundo habitável.
O que faz esse planeta tão raro
A graça da história é a raridade. Quase todo planeta gigante que os astrônomos conseguem estudar de perto é um desses júpiteres quentes, fáceis de observar por serem enormes e escaldantes. Gigantes frios, como os nossos, são distantes e gelados. Um gigante temperado, no ponto certo, é peça rara de coleção.
O TOI-199b é um dos pouquíssimos exoplanetas temperados gigantes que se conhece, e o primeiro a ter a atmosfera estudada em detalhe. Para a astronomia, é como abrir uma porta que estava fechada: uma classe inteira de mundos que ninguém tinha conseguido espiar por dentro até agora.
Como o James Webb leu um planeta a 330 anos-luz
Pode parecer mágica ler o ar de um planeta tão longe, mas a técnica tem nome e lógica. Chama-se espectroscopia de transmissão. Quando o planeta passa na frente da estrela, um pouco da luz dela atravessa a atmosfera do planeta antes de chegar até nós. O telescópio James Webb separa essa luz nas suas várias cores, como um prisma faz com a luz branca, e cada gás deixa ali uma espécie de impressão digital.
Foi assim que o time achou o metano. Esse gás é comum nos gigantes gelados do nosso sistema solar, mas vinha faltando justamente nesse meio termo dos planetas temperados. Encontrar uma atmosfera de metano nesse tipo de mundo preenche um buraco que incomodava os cientistas. A leitura também trouxe pistas de outros gases, e novas observações devem dizer quanto de cada um existe nessa atmosfera de metano.
Por que isso importa, inclusive para a Terra
No fim, o achado vale menos pelo planeta em si e mais pelo que ele ensina. Cada exoplaneta desse tipo ajuda a refinar os modelos de como planetas e atmosferas nascem e mudam com o tempo. E, por incrível que pareça, entender a química de um gigante temperado a 330 anos-luz pode dar pistas até sobre a própria atmosfera da Terra.
Vale uma curiosidade de casa: o primeiro exoplaneta da história foi descoberto em 1992 por uma equipe que incluía um pesquisador da mesma Penn State. De lá pra cá foram milhares de mundos catalogados, mas só agora um gigante temperado teve seu ar finalmente lido. O telescópio James Webb não achou um novo endereço para a humanidade, achou uma janela nova para entender de que são feitos os mundos lá fora, e o nosso também.

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