Estrada histórica entre Urubici e Grão-Pará atravessa paredões gigantescos, expõe formações geológicas de cerca de 160 milhões de anos e revela um dos cenários mais impressionantes da Serra Geral catarinense, marcado por curvas perigosas, mirantes naturais e um corte monumental aberto manualmente na rocha.
A Serra do Corvo Branco, entre Urubici e Grão-Pará, em Santa Catarina, reúne uma das travessias mais impressionantes da Serra Geral, marcada por paredões verticais, curvas fechadas e um corte de rocha com cerca de 90 metros de profundidade.
A estrada faz parte da SC-370, também conhecida como Rodovia Pedro Kuhnen, e liga a região serrana ao sul catarinense em um percurso de 57 quilômetros, com forte desnível entre o vale e o planalto.
O trecho ficou conhecido pelo corte aberto no arenito e pelo contraste entre a paisagem monumental e as condições difíceis de circulação, especialmente nas curvas estreitas e nos pontos onde a pista acompanha encostas íngremes.
-
Mel de abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600 o litro e surpreende com sabores que lembram madeira, frutas cítricas e até queijo
-
Mulher afirma ter identificado uma coincidência técnica nos últimos torneios da FIFA e agora aposta em um possível campeão da Copa do Mundo
-
Chevrolet anuncia a oportunidade de você ganhar um carro zero, saiba como concorrer gratuitamente a um Sonic RS 2026 pelo WhatsApp
-
Terremoto ou tsunami: qual destrói mais? Entenda as diferenças e por que um pode ser ainda mais perigoso
Origem do nome Serra do Corvo Branco
Apesar do nome, a Serra do Corvo Branco não recebeu essa identificação por causa de um corvo.
A explicação mais difundida associa a expressão ao urubu-rei, ave de plumagem clara que sobrevoa áreas de cânions e paredões na região.

Moradores antigos teriam associado a ave a um grande “corvo branco”, e o apelido passou a identificar a serra.
Com o tempo, a denominação se consolidou no uso local e turístico, mesmo sem relação direta com uma espécie de corvo.
A paisagem também ajudou a fixar o nome.
Em determinados ângulos, formações rochosas lembram a silhueta de uma ave pousada sobre os paredões, reforçando a associação popular que acabou incorporada à identidade do lugar.
Como a estrada foi aberta na rocha
A abertura da Serra do Corvo Branco começou com esforço manual, antes de a estrada ser oficialmente inaugurada.
Registros locais indicam que as primeiras iniciativas ocorreram ainda nos anos 1950, em uma obra conduzida por moradores e lideranças da região.
O trabalho envolveu ferramentas simples, como picaretas, além do uso de um trator de esteira em etapas decisivas da abertura.
A rodovia foi inaugurada em 19 de fevereiro de 1980, data citada em registros históricos sobre a estrada.
O corte mais famoso atravessa camadas de arenito e basalto e se tornou o ponto mais fotografado da travessia.
Ali, os paredões se elevam sobre a pista e formam uma garganta estreita, frequentemente descrita como o maior corte em rocha arenítica do Brasil.
Entre Grão-Pará e Urubici, o trajeto impõe cerca de 28 quilômetros de subida até a região da fenda, com curvas acentuadas, trechos estreitos e pontos que exigem atenção redobrada de motoristas.
Rochas de 160 milhões de anos e o Aquífero Guarani

A formação rochosa da Serra do Corvo Branco é estimada em cerca de 160 milhões de anos, segundo informações turísticas do município de Grão-Pará e materiais sobre a geologia local.
No paredão, o visitante observa a alternância entre arenito e basalto.
O basalto, ligado à Formação Serra Geral, aparece sobre camadas areníticas e ajuda a explicar a relação da área com sistemas aquíferos do Sul do Brasil.
A Serra do Corvo Branco é citada em roteiros e materiais geológicos por expor formações associadas ao Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, presente em quatro países sul-americanos.
Relatos locais também mencionam alterações no fluxo de ar entre o litoral e o planalto após a abertura da fenda.
O que visitar na Serra do Corvo Branco
A fenda da Serra do Corvo Branco é o principal ponto de observação da estrada.
O corte vertical permite ver os paredões de perto e costuma atrair visitantes que chegam pelo lado de Urubici, onde o acesso permanece mais viável.
No alto da serra, o Parque Altos da Serra do Corvo Branco reúne mirantes panorâmicos, estruturas suspensas de vidro, trilhas leves, balanços e vista para áreas como o Vale do Rio Canoas e o Cânion Espraiado.
Reportagens e guias turísticos registram que o parque conta com mirantes de vidro voltados para as formações rochosas da região, incluindo estruturas suspensas que ampliaram a visitação turística no alto da serra.
Ao longo da estrada, principalmente no lado de Grão-Pará, há pontos de observação das curvas recortadas na montanha.
A circulação, porém, depende das condições da rodovia e das interdições determinadas durante as obras.

Situação atual da SC-370 e obras na serra
O acesso à Serra do Corvo Branco exige atenção por causa das obras de pavimentação na SC-370.
A Secretaria de Estado da Infraestrutura informou que o fechamento da rodovia foi previsto inicialmente por 12 meses, com reavaliações mensais de segurança.
A mesma comunicação oficial afirma que a serra permanecerá fechada pelo menos até junho de 2026, quando as condições para reabertura devem ser reavaliadas.
Em fevereiro de 2026, a Prefeitura de Urubici informou que a obra havia alcançado 60% de execução.
Para quem sai de Urubici, o caminho até a região da fenda é o principal acesso turístico.
Já o trecho abaixo do corte, no lado de Grão-Pará, pode ter restrições por causa da pavimentação e das condições de segurança da obra.
A Serra do Corvo Branco combina valor histórico, interesse geológico e força turística em um trecho curto, mas marcante.
A estrada nasceu de uma obra lenta, feita em condições difíceis, e permanece como uma das passagens mais simbólicas entre o litoral e a serra catarinense.
