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Uma das estradas mais perigosas do Brasil corta rochas de 160 milhões de anos com uma fenda de 90 metros aberta por picaretas e um único trator, revelando até o Aquífero Guarani em Santa Catarina

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 10/05/2026 às 15:04 Atualizado em 10/05/2026 às 15:09
Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.
Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.
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Estrada histórica entre Urubici e Grão-Pará atravessa paredões gigantescos, expõe formações geológicas de cerca de 160 milhões de anos e revela um dos cenários mais impressionantes da Serra Geral catarinense, marcado por curvas perigosas, mirantes naturais e um corte monumental aberto manualmente na rocha.

A Serra do Corvo Branco, entre Urubici e Grão-Pará, em Santa Catarina, reúne uma das travessias mais impressionantes da Serra Geral, marcada por paredões verticais, curvas fechadas e um corte de rocha com cerca de 90 metros de profundidade.

A estrada faz parte da SC-370, também conhecida como Rodovia Pedro Kuhnen, e liga a região serrana ao sul catarinense em um percurso de 57 quilômetros, com forte desnível entre o vale e o planalto.

O trecho ficou conhecido pelo corte aberto no arenito e pelo contraste entre a paisagem monumental e as condições difíceis de circulação, especialmente nas curvas estreitas e nos pontos onde a pista acompanha encostas íngremes.

Origem do nome Serra do Corvo Branco

Apesar do nome, a Serra do Corvo Branco não recebeu essa identificação por causa de um corvo.

A explicação mais difundida associa a expressão ao urubu-rei, ave de plumagem clara que sobrevoa áreas de cânions e paredões na região.

Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.
Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.

Moradores antigos teriam associado a ave a um grande “corvo branco”, e o apelido passou a identificar a serra.

Com o tempo, a denominação se consolidou no uso local e turístico, mesmo sem relação direta com uma espécie de corvo.

A paisagem também ajudou a fixar o nome.

Em determinados ângulos, formações rochosas lembram a silhueta de uma ave pousada sobre os paredões, reforçando a associação popular que acabou incorporada à identidade do lugar.

Como a estrada foi aberta na rocha

A abertura da Serra do Corvo Branco começou com esforço manual, antes de a estrada ser oficialmente inaugurada.

Registros locais indicam que as primeiras iniciativas ocorreram ainda nos anos 1950, em uma obra conduzida por moradores e lideranças da região.

O trabalho envolveu ferramentas simples, como picaretas, além do uso de um trator de esteira em etapas decisivas da abertura.

A rodovia foi inaugurada em 19 de fevereiro de 1980, data citada em registros históricos sobre a estrada.

O corte mais famoso atravessa camadas de arenito e basalto e se tornou o ponto mais fotografado da travessia.

Ali, os paredões se elevam sobre a pista e formam uma garganta estreita, frequentemente descrita como o maior corte em rocha arenítica do Brasil.

Entre Grão-Pará e Urubici, o trajeto impõe cerca de 28 quilômetros de subida até a região da fenda, com curvas acentuadas, trechos estreitos e pontos que exigem atenção redobrada de motoristas.

Rochas de 160 milhões de anos e o Aquífero Guarani

Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.
Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.

A formação rochosa da Serra do Corvo Branco é estimada em cerca de 160 milhões de anos, segundo informações turísticas do município de Grão-Pará e materiais sobre a geologia local.

No paredão, o visitante observa a alternância entre arenito e basalto.

O basalto, ligado à Formação Serra Geral, aparece sobre camadas areníticas e ajuda a explicar a relação da área com sistemas aquíferos do Sul do Brasil.

A Serra do Corvo Branco é citada em roteiros e materiais geológicos por expor formações associadas ao Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, presente em quatro países sul-americanos.

Relatos locais também mencionam alterações no fluxo de ar entre o litoral e o planalto após a abertura da fenda.

O que visitar na Serra do Corvo Branco

A fenda da Serra do Corvo Branco é o principal ponto de observação da estrada.

O corte vertical permite ver os paredões de perto e costuma atrair visitantes que chegam pelo lado de Urubici, onde o acesso permanece mais viável.

No alto da serra, o Parque Altos da Serra do Corvo Branco reúne mirantes panorâmicos, estruturas suspensas de vidro, trilhas leves, balanços e vista para áreas como o Vale do Rio Canoas e o Cânion Espraiado.

Reportagens e guias turísticos registram que o parque conta com mirantes de vidro voltados para as formações rochosas da região, incluindo estruturas suspensas que ampliaram a visitação turística no alto da serra.

Ao longo da estrada, principalmente no lado de Grão-Pará, há pontos de observação das curvas recortadas na montanha.

A circulação, porém, depende das condições da rodovia e das interdições determinadas durante as obras.

Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.
Serra do Corvo Branco revela corte de 90 metros em rochas de 160 milhões de anos e paisagens impressionantes em SC.

Situação atual da SC-370 e obras na serra

O acesso à Serra do Corvo Branco exige atenção por causa das obras de pavimentação na SC-370.

A Secretaria de Estado da Infraestrutura informou que o fechamento da rodovia foi previsto inicialmente por 12 meses, com reavaliações mensais de segurança.

A mesma comunicação oficial afirma que a serra permanecerá fechada pelo menos até junho de 2026, quando as condições para reabertura devem ser reavaliadas.

Em fevereiro de 2026, a Prefeitura de Urubici informou que a obra havia alcançado 60% de execução.

Para quem sai de Urubici, o caminho até a região da fenda é o principal acesso turístico.

Já o trecho abaixo do corte, no lado de Grão-Pará, pode ter restrições por causa da pavimentação e das condições de segurança da obra.

A Serra do Corvo Branco combina valor histórico, interesse geológico e força turística em um trecho curto, mas marcante.

A estrada nasceu de uma obra lenta, feita em condições difíceis, e permanece como uma das passagens mais simbólicas entre o litoral e a serra catarinense.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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