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Um ônibus que atravessa um túnel subaquático virou o meio de transporte mais essencial de Cuba durante a pior crise de combustíveis em décadas, o Ciclobús carrega 2 mil pessoas por dia com suas bicicletas e motos elétricas porque a gasolina foi racionada a 20 litros por veículo

Publicado em 08/05/2026 às 16:46
Atualizado em 08/05/2026 às 17:59
Ciclobús de Havana vira transporte essencial durante crise em Cuba. Gasolina racionada a 20 litros leva 2 mil pessoas por dia ao túnel subaquático. IMAGEM: ILUSTRATIVA
Ciclobús de Havana vira transporte essencial durante crise em Cuba. Gasolina racionada a 20 litros leva 2 mil pessoas por dia ao túnel subaquático. IMAGEM: ILUSTRATIVA
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O Ciclobús, ônibus adaptado que transporta passageiros e seus veículos pelo Túnel da Baía de Havana, se tornou o meio de transporte mais essencial de Cuba durante a pior crise de combustíveis que o país enfrenta em décadas, segundo o APPNEWS. O serviço, que percorre 3 quilômetros em 15 minutos por uma passagem subaquática entre Havana Velha e a zona leste, transporta mais de 2 mil pessoas por dia e cobra entre 2 e 5 pesos cubanos por viagem. O bloqueio energético imposto pelo governo Trump desde janeiro racionou a gasolina a 20 litros por veículo em processo de agendamento que pode levar semanas.

Um ônibus a diesel que atravessa um túnel subaquático na Baía de Havana virou o transporte mais essencial de Cuba em meio à pior crise de combustíveis que a ilha enfrenta em décadas. O Ciclobús, como é chamado, carrega cerca de 60 passageiros por viagem junto com suas bicicletas, scooters e motos elétricas por uma passagem de 3 quilômetros debaixo d’água que liga a Havana Velha à zona leste da cidade, onde vivem centenas de milhares de pessoas. As ruas da capital cubana estão quase desertas de carros, mas repletas de milhares de bicicletas e pequenas motos elétricas que se tornaram o único meio de locomoção.

A razão é simples e brutal: não há gasolina. O bloqueio energético imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro de 2026, obrigou Cuba a racionar gasolina a apenas 20 litros por veículo, em processo de agendamento tão complexo que pode levar semanas ou até meses para cada motorista conseguir abastecer. O resultado é que o transporte público praticamente parou, táxis se tornaram inacessíveis para a maioria e a população que precisa trabalhar do outro lado da cidade depende do Ciclobús para cruzar a baía que divide Havana em duas.

O que é o Ciclobús e como funciona a travessia subaquática

Pessoas carregam suas bicicletas em um ônibus público para atravessar o Túnel da Baía em Havana, quarta-feira, 8 de abril de 2026. (Foto AP/Ramon Espinosa/apnews)

O Ciclobús é propriedade da empresa estatal de transportes de Havana e funciona de forma incomum: metade do ônibus tem assentos convencionais e a outra metade é um compartimento aberto de carga onde os passageiros entram por uma rampa e permanecem de pé ao lado de suas bicicletas, motos e scooters, segurando-se em barras de apoio fixadas nas paredes. O percurso de 3 quilômetros pelo túnel leva cerca de 15 minutos.

Pessoas com suas bicicletas e motocicletas atravessam o Túnel da Baía em um ônibus público em Havana, quarta-feira, 8 de abril de 2026. (Foto AP/Ramon Espinosa/APNEWS)

A tarifa varia de 2 a 5 pesos cubanos dependendo do tipo de veículo transportado uma fração ínfima de um dólar americano no câmbio informal. Para comparação, uma corrida de táxi compartilhado pelo mesmo trajeto custa 1.000 pesos cubanos, e um trabalhador cubano pode ganhar 7 mil pesos por mês (cerca de US$ 14). O Ciclobús é, portanto, a única opção financeiramente viável para a maioria da população que vive na zona leste e trabalha na Havana Velha.

Por que o Ciclobús nunca foi tão essencial quanto agora

VIDEO: APNEWS

O serviço existe desde a década de 1990, quando surgiu durante o chamado “Período Especial”, a crise provocada pelo colapso da União Soviética que deixou Cuba isolada economicamente. O presidente Fidel Castro distribuiu bicicletas de fabricação chinesa à população, e o Ciclobús foi criado para transportar esses veículos pelo túnel que é fechado a bicicletas e motos. Com o tempo, o serviço perdeu relevância à medida que ônibus regulares e táxis voltaram a circular.

Agora, a história se repete em versão agravada. O bloqueio energético de Trump cortou entre 80% e 90% das importações de petróleo de Cuba, e a escassez de combustível paralisou o transporte público e os táxis que faziam a maioria das viagens em Havana. O Ciclobús, que nos últimos anos transportava poucos passageiros, voltou a ter filas organizadas na entrada do túnel, com dezenas de pessoas aguardando para embarcar com seus veículos de duas rodas.

As pessoas que dependem da travessia para sobreviver

Ingrid Quintana, moradora de Havana Leste que trabalha na parte antiga da cidade, explicou a situação à Associated Press: “Meu marido tem uma bicicleta, então estou indo como acompanhante. É uma opção que temos, porque não há transporte público e não podemos pagar um táxi”. A viagem no Ciclobús é desconfortável — passageiros atravessam na escuridão do túnel subaquático segurando suas bicicletas — mas é a única forma acessível de cruzar a baía.

Bárbaro Cabral, professor de educação física de 32 anos, segurava sua bicicleta enquanto o Ciclobús se enchia: “A maioria dos empregos fica do outro lado, na cidade“. A alternativa terrestre é contornar a baía por 16 quilômetros de estradas portuárias industriais com pavimentação precária, trajeto que de bicicleta leva mais de uma hora sob o calor caribenho. O túnel encurta a distância para 3 quilômetros e elimina o risco de pedalar por vias sem iluminação e sem acostamento.

A crise de combustíveis que transformou Havana em cidade de bicicletas

As ruas de Havana mudaram de forma visível em 2026. Onde antes circulavam os clássicos carros americanos dos anos 1950, táxis coletivos e ônibus lotados, agora predominam bicicletas, triciclos elétricos e scooters importados da China que se tornaram o principal meio de locomoção da capital. A gasolina racionada a 20 litros por veículo significa que mesmo quem tem carro não consegue usá-lo para deslocamentos diários.

A crise energética de Cuba em 2026 é a mais grave desde o Período Especial dos anos 1990, e para muitos cubanos é pior. Apagões de 12 a 20 horas por dia atingem diversas regiões do país, hospitais operam com geradores precários e a cadeia de frio para alimentos e medicamentos colapsa regularmente. O Ciclobús, com sua capacidade modesta de 2 mil passageiros por dia, é solução parcial para um problema que afeta milhões de pessoas.

O que o Ciclobús revela sobre a resiliência cubana

O Ciclobús não é tecnologia de ponta nem solução planejada: é adaptação de emergência que funciona porque não precisa de nada além de diesel para um único ônibus e disposição dos passageiros para viajar apertados no escuro com bicicletas encostadas na parede. É símbolo de uma resiliência que Cuba aprendeu ao longo de seis décadas de embargo, período em que a ilha transformou limitação em improvisação — de carros americanos mantidos vivos com peças artesanais a sistemas de saúde que funcionam com recursos mínimos.

Para o mundo que assiste de fora, o Ciclobús também é lembrete de que crise energética não é conceito abstrato: é gente real esperando em fila sob o calor para carregar a bicicleta dentro de um ônibus porque a gasolina acabou. A dependência de petróleo importado transformou Cuba em laboratório involuntário do que acontece quando o fornecimento de combustível é cortado, e as imagens de Havana esvaziada de carros e tomada por bicicletas são o retrato mais concreto dos efeitos do bloqueio energético sobre a vida cotidiana.

Você consegue imaginar sua cidade sem gasolina e todo mundo usando bicicleta para ir trabalhar, ou acha que isso só acontece em Cuba? Conte nos comentários o que faria se o combustível da sua cidade fosse racionado a 20 litros e o transporte público parasse de funcionar.

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Silvio
Silvio
09/05/2026 09:38

Uma **** que escravisa seu povo não pode durar para sempre, cuba está em um momento único, com poder de reaver a democracia e liberdade, para finalmente entrar no grupo dos países livres das ****.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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