1. Início
  2. Curiosidades
  3. Mulheres que encararam a morte de frente, romperam um tabu gigantesco e revelaram histórias esquecidas dos ritos funerários
Faça um comentário 4 min de leitura

Mulheres que encararam a morte de frente, romperam um tabu gigantesco e revelaram histórias esquecidas dos ritos funerários

Imagem de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 04/07/2026 às 19:47 Atualizado em 04/07/2026 às 19:49
Mulher trabalhando como coveira em um cemitério histórico, utilizando uma pá ao lado de uma sepultura aberta, representando as profissionais retratadas no livro Coveiras: Memórias Desenterradas, de Juliette Cazes.
Imagem ilustrativa retrata uma mulher trabalhando em um cemitério, simbolizando as coveiras, embalsamadoras e demais profissionais que desafiaram preconceitos e marcaram a história dos ritos funerários.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Livro de Juliette Cazes mostra como coveiras, embalsamadoras e diretoras funerárias enfrentaram preconceitos e transformaram o cuidado com os mortos em tema de memória, técnica e dignidade.

Falar sobre a morte ainda provoca desconforto em muitas pessoas, mesmo sendo uma experiência inevitável.

Em Coveiras: Memórias Desenterradas, publicado pela DarkSide Books, a pesquisadora francesa Juliette Cazes propõe olhar para esse tabu sem sensacionalismo.

Especialista em tanatologia, antropologia e arqueologia, Cazes recupera histórias de mulheres que dedicaram suas vidas ao cuidado dos mortos.

A obra reúne trajetórias de embalsamadoras, diretoras de funerárias, tanatopraxistas e profissionais mortuárias que desafiaram um setor historicamente dominado por homens.

Segundo entrevista concedida à Aventuras na História, a autora também reflete sobre morte, luto, respeito e ética funerária.

Mulheres esquecidas da história funerária

A ideia do livro surgiu durante um verão intenso, quando Juliette trabalhava diretamente com mortos.

Naquele período, ela começou a pesquisar fotografias de funerárias francesas do século 19.

Conforme observou, várias mulheres apareciam diante dos estabelecimentos familiares, embora quase nunca fossem citadas nos registros oficiais.

Essa ausência despertou sua curiosidade e levou a pesquisadora a investigar arquivos históricos, documentos administrativos, jornais e estudos antropológicos.

Segundo Juliette, muitas dessas mulheres permaneceram anônimas porque os negócios eram registrados em nome dos maridos.

Dessa forma, a obra reconstrói trajetórias femininas apagadas pelo tempo e mostra como elas transformaram o cuidado funerário em trabalho técnico e humano.

Duas mulheres em trajes antigos aparecem em um cemitério, uma delas segurando uma pá ao lado de uma sepultura aberta, representando coveiras e profissionais esquecidas da história funerária.
Imagem ilustrativa retrata mulheres em um cemitério histórico, simbolizando a presença feminina nos ritos funerários.

Entre curiosidade, memória e respeito

Apesar do tema delicado, Juliette diferencia o interesse legítimo pela morte da morbidez.

Para ela, estudar ritos funerários, cemitérios históricos e culturas antigas não significa transformar a morte em espetáculo.

Na França, por exemplo, visitar cemitérios do século 19 faz parte da vida cultural.

A pesquisadora defende equilíbrio ao lidar com o assunto.

Juliette afirma que evita publicar conteúdos que poderiam gerar muitas visualizações, mas ultrapassariam seus limites éticos.

Segundo ela, a morte exige respeito na pesquisa, na divulgação científica e no trabalho funerário.

Por que a morte continua sendo um tabu?

A morte permanece cercada por silêncio em diferentes sociedades.

De acordo com Juliette, uma das razões está na mudança dos ritos familiares.

Antes, o cuidado com os mortos acontecia dentro das casas. Atualmente, esse papel passou para profissionais especializados.

Consequentemente, a morte ficou mais distante da vida cotidiana.

Evitar o tema pode causar problemas.

Segundo a autora, o silêncio dificulta o cuidado com vivos, moribundos e mortos.

Famílias podem entrar em conflito quando não conhecem os últimos desejos de uma pessoa.

Índia, cremação e múmias marcaram sua trajetória

Ao longo da carreira, Juliette viajou por diferentes países para observar como culturas lidam com a morte.

Entre as experiências mais marcantes, ela destaca as cerimônias de cremação na Índia, às margens do Rio Ganges.

A pesquisadora afirma que essa vivência mudou sua percepção sobre túmulos, cinzas e despedidas.

Mesmo assim, ela revelou que ainda não planejou completamente seus próprios ritos funerários.

Entre todos os temas estudados, as múmias continuam sendo sua maior inspiração.

Segundo Juliette, elas mostram a criatividade humana diante da decomposição e ajudam a compreender antigas formas de preservar a memória.

Livro com estética gótica sobre uma mesa escura, cercado por flores coloridas, ossos decorativos e objetos antigos, representando morte, memória e ritos funerários.
Imagem ilustrativa apresenta uma composição gótica inspirada no livro Coveiras, com flores, ossos e elementos ligados à memória funerária.

Um livro sobre morte, mulheres e dignidade

Coveiras: Memórias Desenterradas amplia uma discussão que vai além da morte.

A obra mostra como mulheres atuaram em funerárias, necrotérios e serviços mortuários quando quase ninguém esperava vê-las nesses espaços.

O livro revela como essas profissionais ajudaram a transformar sofrimento em cuidado, técnica e acolhimento.

Ao recuperar essas histórias, Juliette Cazes também convida o leitor a refletir sobre a vida.

Afinal, compreender a morte pode ser uma das formas mais profundas de reconhecer o valor da existência humana.

Você acha que falar sobre a morte ajuda as famílias a lidarem melhor com o luto e os últimos desejos de quem parte? Deixe sua opinião!

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x