Em pleno frio congelante do Mar Báltico, um drone turco decolou do convés de um navio de guerra, sobrevoou as ondas e acertou alvos no mar com munição guiada, mostrando ao mundo como os porta-aviões do futuro podem operar sem nenhum piloto a bordo das aeronaves.
A guerra no mar está mudando de cara, e a Turquia acaba de dar uma demonstração disso. Durante um exercício da Otan no Mar Báltico, o drone Bayraktar TB3 decolou e pousou no convés de um navio de assalto, operou em meio a vento forte, neve e temperaturas congelantes e ainda atingiu alvos na água usando munição guiada. Tudo isso sem um piloto dentro da aeronave.
É a ideia de transformar um navio numa base flutuante de drones, capaz de lançar e recolher veículos não tripulados como quem manda passarinhos para o céu. Para um país que há poucos anos quase não tinha indústria de defesa própria, ver um drone nacional fazer isso longe de casa, num mar gelado do norte da Europa, é um salto e tanto.
Um drone que decola de navio
O grande feito do TB3 é justamente conseguir decolar e pousar num espaço curtíssimo, no convés balançante de um navio em alto-mar. Aviões comuns precisam de pistas longas e firmes; um navio oferece o oposto disso, uma plataforma pequena, instável e cercada de água por todos os lados. Fazer um drone operar nessas condições é um desafio enorme de engenharia.
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Para isso, o Bayraktar TB3 tem asas que se dobram, para ocupar menos espaço guardado, e foi pensado para arrancar voo numa distância bem menor que a de um caça tradicional. Confesso que acho impressionante a ideia de um avião sem piloto se virar sozinho nesse ambiente hostil, decolando de um tombadilho escorregadio e voltando para pousar exatamente no mesmo lugar depois da missão.

Por que isso muda a guerra no mar
Ter drones que operam de navios muda bastante o jogo militar. Até pouco tempo, só grandes potências, com seus enormes e caríssimos porta-aviões e pilotos altamente treinados, conseguiam levar poder aéreo para o meio do oceano. Com drones embarcados, navios menores e mais baratos passam a carregar olhos e armas que voam, sem arriscar a vida de nenhum piloto.
Isso democratiza, de certo modo, o poder no mar. Um país de porte médio como a Turquia pode, de repente, projetar força a grandes distâncias, vigiando rotas, patrulhando regiões e atacando alvos sem precisar de uma frota gigantesca. A gente está vendo nascer um novo tipo de guerra naval, em que o número de drones e a inteligência embarcada podem valer tanto quanto o tamanho dos navios.
Há ainda um detalhe que pesa muito nessa conta, que é o custo. Um caça tripulado moderno custa uma fortuna, exige anos para formar um piloto e, se for abatido, representa uma perda humana e financeira enorme. Um drone como o TB3, embora sofisticado, é muito mais barato e descartável nesse sentido, o que permite usá-lo em missões arriscadas que ninguém arriscaria com gente a bordo. É essa combinação de baixo custo e baixo risco que está fazendo marinhas do mundo inteiro olharem para os drones embarcados com tanto interesse.

A Turquia virando potência de defesa
O voo do TB3 no Báltico é também um símbolo da ascensão da Turquia como potência de defesa. Em pouco mais de uma década, o país saiu de quase nada para se tornar um dos maiores exportadores de drones do mundo, vendendo seus aparelhos para dezenas de nações. Os drones turcos já apareceram em conflitos reais e ganharam fama de eficientes e relativamente baratos.
Mostrar esse drone operando de um navio durante um exercício da Otan, longe de casa, é uma forma de dizer ao mundo que a indústria turca chegou a um novo patamar. Não se trata mais só de fabricar drones que voam de pistas em terra, mas de dominar a tecnologia complexa de operá-los a partir do mar, um clube fechado que até agora pouquíssimos países integravam.
Esse avanço tem ainda um peso comercial enorme. Os drones turcos viraram um dos principais produtos de exportação do país, e cada demonstração de capacidade nova costuma render encomendas de outras nações interessadas. Ao provar que seu drone opera de navios em condições extremas, a Turquia abre as portas para vender essa tecnologia a marinhas que sonham em ter poder aéreo no mar sem precisar bancar um porta-aviões tradicional, caríssimo e ao alcance de pouquíssimos países no mundo.

O futuro voando sobre as ondas
Fico imaginando o que esse tipo de demonstração anuncia para os próximos anos, com navios cada vez mais cheios de drones decolando e pousando sozinhos, vigiando os mares e respondendo a ameaças sem colocar uma única vida humana no ar. É um futuro que mistura fascínio e um certo desconforto, porque mostra o quanto a guerra está ficando automatizada.
O Bayraktar TB3 sobrevoando o Mar Báltico gelado é uma imagem desse tempo novo. Ela mostra que o poder no mar não depende mais só de gigantescos porta-aviões e esquadrões de pilotos, mas também da capacidade de fazer máquinas inteligentes operarem sozinhas no ambiente mais difícil do planeta. E sugere que, daqui para frente, muitos países vão querer ter os seus próprios enxames voando sobre as ondas.
Você acha que os drones vão acabar substituindo os pilotos de verdade nas guerras no mar?

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