Pesquisa identifica novo magma sob a caldeira Kikai, no Japão, onde a maior erupção do Holoceno reacende alertas sobre risco vulcânico futuro
A caldeira Kikai, ao sul das Ilhas Ryukyu, no Japão, está sendo reabastecida por magma recém-injetado, conforme estudo publicado na revista Communications Earth & Environment, reacendendo temores sobre uma futura erupção em um dos sistemas vulcânicos mais instáveis do mundo.
Estudo identifica novo magma sob Kikai
O coautor Seama Nobukazu, geofísico da Universidade de Kobe, afirmou que o magma presente no reservatório magmático sob a cúpula de lava provavelmente é material recém-injetado.
A conclusão reforça a avaliação de que a situação está se agravando.
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Apelidada de caldeira Kikai, a estrutura é em sua maior parte submersa e fica ao sul das Ilhas Ryukyu. A caldeira de 19 quilômetros de diâmetro está localizada nas Ilhas Ōsumi, na província de Kagoshima, no Japão.
A marca deixada pela erupção de Akahoya
Kikai entrou em erupção pela última vez há 7.300 anos. Esse evento, chamado de erupção de Akahoya, foi descrito como a maior erupção vulcânica da época geológica atual, o Holoceno.
A explosão teria lançado cerca de 61 quilômetros cúbicos de rocha densa para o ar. O volume equivale a aproximadamente 11 vezes o material ejetado pela erupção de Novarupta, no Alasca, em 1912.
O material foi espalhado por mais de 4.400 quilômetros quadrados, área quase três vezes maior que a cidade de Nova York.
A erupção também provocou fluxos piroclásticos que avançaram por 150 quilômetros a partir do epicentro.
O episódio teria dizimado o povo Jōmon, que viveu no Japão antigo entre aproximadamente 14.000 a.C. e 300 a.C. A dimensão da erupção mantém Kikai entre os sistemas vulcânicos de maior preocupação.
Nova cúpula cresce há 3.900 anos
Ao longo dos últimos 3.900 anos, uma nova cúpula de lava tem se formado sob Kikai. Embora não tenha ocorrido outra erupção tão estrondosa desde então, houve atividade vulcânica esporádica.
Diferentemente da última explosão, porém, essa lava era composta inteiramente de material novo. As análises químicas mostraram que o material recente era diferente daquele expelido na erupção anterior, indicando recarga do reseevatório com rocha fundida recém-injetada.
Nobukazu avaliou que esse modelo de reinjeção de magma se assemelha ao observado em outros grandes reservatórios de magma rasos, como o que existe sob Yellowstone.
Como os pesquisadores investigaram o reservatório
Para investigar o fenômeno, os pesquisadores enviaram barcos de pesquisa à área. Eles utilizaram canhões de ar e sismógrafos instalados no fundo do mar para examinar a estrutura subterrânea.
Com essas ferramentas, foi possível medir como os pulsos se propagavam pela crosta terrestre. Os dados revelaram um grande reservatório de lava que aparentemente abastecia Akahoya.
O que a descoberta pode mudar
Os cientistas observaram que mesmo uma erupção de menor magnitude poderia ser devastadora.
Ao mesmo tempo, os resultados podem servir de base para modelos futuros sobre como reservatórios de magma se reabastecem após grandes erupções.
Esse avanço pode ajudar os vulcanólogos a prever melhor se e quando um vulcão entrará em erupção.
Nobukazu disse que a equipe quer aperfeiçoar os métodos usados no estudo para compreender mais profundamente os processos de reinjeção e monitorar futuros sinais gigantes.
Com informações de New York Post.


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