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Um abismo financeiro além dos gramados: campeão argentino recebe menos que vencedor da Série B do Brasil, e diferenças em receitas chegam a R$ 260 milhões

Publicado em 17/12/2025 às 20:01
Futebol, Premiações, Campeão, Libertadores
Imagem: Ilustração
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Brasil e Argentina empatam em títulos da Libertadores, mas diferença de receitas chega a R$ 260 milhões anuais, premiações nacionais variam de R$ 78 milhões a US$ 170 mil e domínio brasileiro se consolida desde 2019

O futebol brasileiro igualou o número histórico de títulos da Argentina na Copa Libertadores, mas abriu ampla vantagem financeira, técnica e estrutural, refletida em premiações, patrocínios e desempenho recente, com domínio absoluto desde 2019 e receitas nacionais muito superiores.

Brasil e Argentina seguem dividindo a prateleira mais alta da Libertadores em tradição, porém a semelhança se limita ao passado, já que dentro e fora de campo a distância atual tornou-se evidente.

O contraste aparece nas premiações nacionais, pois o campeão argentino recebe menos dinheiro do que o vencedor da Série B do Brasileirão, evidenciando a disparidade entre os mercados.

Na temporada atual, o futebol brasileiro igualou o número de títulos da Argentina na Libertadores, mas o equilíbrio histórico não resiste a uma análise recente.

Desde 2019, apenas clubes brasileiros conquistaram a taça continental, consolidando um ciclo de hegemonia sustentado por maior capacidade econômica e gestão mais eficiente.

Nas últimas sete edições do torneio, dos 14 finalistas, apenas dois eram argentinos, River Plate em 2019 e Boca Juniors em 2023.

Domínio recente e mudança de cenário competitivo

O predomínio brasileiro transformou-se em rotina, indicando uma alteração estrutural no futebol sul-americano, na qual resultados esportivos refletem condições financeiras desiguais entre países.

Especialistas em gestão esportiva apontam que a diferença técnica vista em campo resulta diretamente de um abismo financeiro ampliado ao longo da última década.

Segundo Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e atual CEO da Squadra Sports, o domínio brasileiro combina declínio econômico argentino e ascensão estrutural dos clubes nacionais.

Bellintani afirma que a falta de modernização financeira na Argentina contrasta com maior público nos estádios, mais patrocínios e melhor negociação de direitos no Brasil.

O executivo destaca ainda que, no futebol, a diferença principal não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas.

Patrocínios ampliam a distância entre os mercados

A disparidade aparece com clareza nos contratos de patrocínio firmados pelos principais clubes brasileiros envolvidos nas finais recentes da Libertadores.

O Flamengo, atual campeão do torneio continental, supera os R$ 260 milhões anuais em patrocínios, impulsionado por acordos comerciais robustos.

O Palmeiras, vice-campeão da Libertadores, registra receitas próximas de R$ 110 milhões por ano, mantendo contratos relevantes com casas de apostas.

Na Argentina, o River Plate, principal potência local, recebe cerca de R$ 40 milhões anuais do mesmo patrocinador do Flamengo.

Esse valor é quase sete vezes inferior ao do clube carioca, ilustrando a limitação de receitas comerciais do futebol argentino.

Estrutura de receitas e papel das ligas nacionais

Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte, explica que o contraste não é pontual, mas estrutural.

Segundo Assayag, direitos de transmissão, patrocínios e um mercado interno maior permitem aos clubes brasileiros operar em outro patamar de investimento.

Ele acrescenta que o advento da lei da SAF abriu um novo horizonte de investimentos, ampliando ainda mais o fosso entre Brasil e Argentina.

As diferenças ficam evidentes ao observar as premiações das ligas nacionais com base nos valores praticados em 2024.

No Brasil, o campeão nacional deve receber cerca de R$ 50 milhões, enquanto o vencedor da Copa do Brasil alcança aproximadamente R$ 78 milhões.

Premiações argentinas e comparação direta

Na Argentina, o Vélez Sarsfield, campeão nacional em 2024, recebeu apenas US$ 500 mil, cerca de R$ 2,8 milhões na cotação atual.

O campeão da Copa Argentina, Independiente Rivadavia, ficou com aproximadamente US$ 170 mil, valor próximo de R$ 920 mil.

Esses montantes se mostram modestos mesmo quando comparados a premiações de divisões inferiores do futebol brasileiro.

Para efeito de comparação, o Coritiba, campeão da Série B do Brasileirão, recebeu cerca de R$ 3,5 milhões em premiação.

Já o Internacional, último clube a escapar do rebaixamento na Série A, deve faturar algo próximo de R$ 17 milhões apenas em premiações.

Reação dos dirigentes e cenário futuro

A insatisfação com esse cenário já se manifesta entre dirigentes argentinos, refletindo preocupação com a sustentabilidade financeira dos clubes locais.

Ao conquistar a Liga Argentina, o Estudiantes recebeu os mesmos US$ 500 mil destinados ao campeão nacional em 2024.

Na ocasião, o presidente do clube, Juan Sebastián Verón, comentou nas redes sociais que o valor não cobre sequer custos de transporte de torcedores.

Entre premiações simbólicas e cofres cada vez mais pressionados, o futebol argentino vê seus principais clubes perderem competitividade no cenário continental.

Com informações de CNN.

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Gleybson
Gleybson
19/12/2025 09:30

Que triste, espero que continue assim.

Romário Pereira de Carvalho

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