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Turbinas gigantes no fundo do mar da Escócia geram energia limpa há quase uma década sem parar, e agora a grande promessa é que a força das marés pode resolver o maior problema da energia solar e eólica: a imprevisibilidade que ninguém conseguiu vencer até hoje

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 19/04/2026 às 02:30 Atualizado em 19/04/2026 às 02:33
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Turbinas gigantes no fundo do mar da Escócia geram energia das marés há 7 anos. A tecnologia pode resolver a imprevisibilidade da solar e eólica.
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Turbinas gigantes submersas no norte da Escócia geram eletricidade a partir das marés há sete anos ininterruptos, superando em mais que o dobro a vida útil esperada. A energia maremotriz é previsível, diferente da solar e eólica, e projeções indicam que o custo pode cair para US$ 0,10 por kWh até 2030. A França planeja 250 MW e a costa da Patagônia aparece como uma das regiões mais promissoras do mundo.

Turbinas gigantes instaladas no fundo do Mar do Norte, na Escócia, estão gerando eletricidade limpa a partir das correntes das marés há quase uma década, e o resultado está superando todas as expectativas. A empresa SIMEC Atlantis Energy opera suas turbinas submarinas desde 2018, e o que era planejado para durar três ou quatro anos já funciona continuamente por sete. As turbinas gigantes geraram cerca de 90 GWh no total, energia suficiente para abastecer aproximadamente 3.500 residências por ano, e o motivo pelo qual governos e investidores estão prestando atenção não é apenas a durabilidade, mas uma vantagem que nenhuma outra energia renovável consegue oferecer: previsibilidade. Diferentemente do sol e do vento, as marés são calculáveis com precisão matemática, e isso muda tudo.

A energia solar e eólica enfrentam um problema que bilhões em investimento não resolveram: a intermitência. O sol não brilha à noite e o vento não sopra quando você precisa, o que obriga governos a manter usinas fósseis de reserva para cobrir os períodos de baixa geração. As turbinas gigantes no fundo do mar da Escócia contornam esse problema porque as marés são regidas pela gravidade da Lua, um fenômeno que acontece com regularidade absoluta duas vezes por dia, todos os dias, sem variação climática. Amanda Smith, da Universidade de Oxford, resume: a energia maremotriz está disponível de forma constante e confiável porque se sabe quando e em que quantidade será gerada.

Como as turbinas gigantes funcionam no fundo do mar

Segundo informações do Canal DW Español, o princípio é simples: as marés movem volumes colossais de água duas vezes por dia, e essa movimentação carrega energia cinética que pode ser convertida em eletricidade. As turbinas gigantes são fixadas ao fundo do mar em áreas onde as correntes são particularmente fortes, como o Mar do Norte escocês, e funcionam como versões submersas das turbinas eólicas, mas com uma diferença fundamental: a água é cerca de 800 vezes mais densa que o ar, o que significa que turbinas menores podem gerar a mesma quantidade de energia que suas equivalentes eólicas.

A eletricidade gerada pelas turbinas gigantes é transportada para a costa por cabos submarinos e injetada na rede elétrica. As turbinas da SIMEC Atlantis Energy passaram por inspeção após anos no fundo do mar e, além de algumas cracas fixadas na estrutura, estavam em boas condições sem peças danificadas, necessitando apenas da substituição de um conector. A robustez comprovada reduz significativamente os custos operacionais e permite que as instalações permaneçam submersas por períodos surpreendentemente longos sem manutenção intensiva.

Por que a previsibilidade das turbinas gigantes muda o jogo da energia renovável

turbinas submarinas de 1,5 MW antes de serem submersas e as operações de instalação no Pentland Firth.

A grande vantagem competitiva das turbinas gigantes maremotriz sobre a solar e a eólica não é a quantidade de energia, é a certeza de quando ela será produzida. As marés são causadas pela gravidade da Lua, que atrai a água da Terra criando duas protuberâncias que circulam o planeta enquanto ele gira, produzindo marés altas e baixas aproximadamente duas vezes por dia com precisão que pode ser calculada com décadas de antecedência.

Essa previsibilidade tem valor econômico direto. Com turbinas gigantes maremotriz, não é mais necessário manter tanta capacidade de reserva em combustíveis fósseis, porque os operadores do sistema elétrico sabem exatamente quando a energia será gerada. Isso reduz a necessidade de usinas a gás ou carvão que ficam ligadas apenas para cobrir períodos em que o sol não brilha ou o vento não sopra, um custo escondido da energia solar e eólica que raramente é discutido publicamente.

O custo das turbinas gigantes e por que ele pode cair drasticamente

Hoje, a energia maremotriz é três a quatro vezes mais cara que a eólica e a solar no Reino Unido. Enquanto o preço da energia eólica e solar gira em torno de 70 libras por megawatt-hora, a eletricidade das turbinas gigantes submarinas custa significativamente mais, o que explica por que a tecnologia ainda não se expandiu em larga escala. Mas o histórico de outras renováveis mostra um padrão claro: quanto mais se instala, mais os custos caem.

As projeções são otimistas. Até 2030, o preço da eletricidade gerada por turbinas gigantes maremotriz poderia cair para apenas US$ 0,10 por kWh, tornando-a competitiva com outras fontes renováveis. Turbinas de nova geração já estão sendo desenvolvidas com pás mais longas que geram mais energia, design aprimorado pela inteligência artificial para melhor orientação às correntes e materiais mais resistentes que reduzem a frequência de manutenção. O mesmo ciclo de redução de custos que transformou a energia eólica de nicho em mainstream pode se repetir com as turbinas gigantes submarinas.

Os dois modelos de turbinas gigantes que competem na Escócia

Na Escócia, duas abordagens tecnológicas diferentes competem pelo futuro da energia maremotriz. As turbinas gigantes da SIMEC Atlantis Energy são fixadas diretamente ao fundo do mar, enquanto a Orbital Marine Power desenvolveu um sistema flutuante chamado O2 que fica ancorado no fundo mas opera na superfície, com turbinas que podem ser içadas para manutenção sem necessidade de embarcações especializadas.

Orbital Marine

Cada modelo tem vantagens e desvantagens. As turbinas gigantes no fundo do mar são mais discretas e menos vulneráveis a tempestades na superfície, mas a manutenção exige condições meteorológicas ideais e embarcações especializadas.

O sistema flutuante da Orbital Marine é mais fácil de manter, mas fica exposto às intempéries. A Orbital gera 2 MW com seu sistema O2, energia suficiente para abastecer cerca de 17 residências por ano, e já considera o modelo pronto para comercialização.

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O impacto das turbinas gigantes na vida marinha da Escócia

Uma preocupação legítima sobre turbinas gigantes no fundo do mar é o impacto sobre a fauna marinha. Focas, peixes e aves marinhas habitam as mesmas águas onde as turbinas operam, e o risco de colisões com as pás em movimento precisou ser investigado. Uma turbina da SIMEC Atlantis Energy foi monitorada por sonar durante seis meses para registrar a presença de animais no entorno.

Os resultados foram encorajadores. Não foram observadas colisões entre animais marinhos e as turbinas gigantes durante o monitoramento, e os dados indicam que os animais utilizam três estratégias: atravessar entre as pás, contornar a turbina ou mudar de direção antes de se aproximar. As turbinas também estão sendo desenvolvidas para operar em velocidades mais baixas a fim de serem mais amigáveis aos peixes. Ainda assim, pesquisas de longo prazo sobre os efeitos nos habitats, sedimentos e ecossistemas são necessárias.

Onde as turbinas gigantes maremotriz podem se expandir no mundo

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A Escócia lidera, mas não estará sozinha por muito tempo. A França planeja instalar 250 MW de capacidade maremotriz, energia suficiente para abastecer aproximadamente 400 mil pessoas, e já opera a histórica usina de Rance desde 1966, que até hoje produz eletricidade mais barata que a solar e a nuclear. O Reino Unido continua investindo, e entre as regiões mais promissoras do mundo estão a costa leste do Canadá, o nordeste da Austrália e a plataforma patagônica na América do Sul.

O requisito fundamental é ter correntes suficientemente fortes, o que não existe em todos os litorais. As turbinas gigantes precisam de áreas com velocidade de corrente elevada e consumidores próximos o suficiente para que a transmissão de energia seja viável. Para o Brasil, com mais de 7 mil quilômetros de costa, o potencial existe em trechos específicos, mas nenhum projeto de escala foi anunciado até o momento. Enquanto isso, as turbinas gigantes da Escócia continuam girando no fundo do mar, provando que a energia das marés funciona e que o único obstáculo entre o piloto e a escala global é o custo e esse está caindo.

Turbinas gigantes no fundo do mar da Escócia geram energia limpa há sete anos sem parar. Você acha que o Brasil deveria investir em energia das marés? Essa tecnologia pode competir com a solar e a eólica? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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