Conheça como as fundações de parques eólicos offshore podem formar novos habitats, proteger espécies e favorecer a biodiversidade no fundo do mar.
Uma transformação inesperada começou a ser observada ao redor de grandes estruturas utilizadas na geração de energia renovável em alto-mar. Instaladas inicialmente para sustentar turbinas eólicas offshore, as fundações metálicas e as proteções rochosas passaram a ser ocupadas por diferentes organismos marinhos, criando ambientes semelhantes a recifes artificiais.
Estudos apresentados desde 2012 ao Conselho Internacional para a Exploração do Mar indicam mudanças na distribuição de peixes e de outras espécies nas proximidades desses empreendimentos. A Agência Europeia do Ambiente também reconheceu, em novembro de 2024, que determinadas estruturas offshore podem oferecer superfícies favoráveis para a formação de novos habitats.
Sem substituir os ecossistemas naturais ou recuperar automaticamente regiões degradadas, essas instalações podem aumentar a complexidade ambiental de áreas dominadas por areia ou lama. O fenômeno ocorre porque as bases rígidas oferecem abrigo, alimento e pontos de fixação para organismos que não conseguem se estabelecer facilmente em sedimentos móveis.
-
Aos 15 anos, menino inglês atravessou o oceano com a família, trabalhou em estábulos, entregou leite e passou horas entre gordura animal, caldeirões fumegantes e soda cáustica, até transformar uma pequena fábrica de sabão em um negócio que atravessou guerras, incêndios e mais de dois séculos
-
Especialista em tecnologia abandona emprego de US$ 1 milhão por ano no Google para lançar sua própria startup de IA
-
Sem estrada para levar os filhos à escola, vendedor pega picareta e abre sozinho uma rota de 8 km na montanha após ver crianças tropeçarem nas pedras
-
Empreendedor foi comprar uma máquina de suco de R$ 2 mil, encontrou 15 geradores escondidos sob uma lona e apostou R$ 75 mil mesmo sem ter o dinheiro; anos depois, a Tecnogera virou empresa de energia com faturamento de R$ 750 milhões
Como as turbinas eólicas criam novos habitats marinhos
Ao serem fixadas no fundo do oceano, as fundações introduzem grandes superfícies sólidas em ambientes que, muitas vezes, possuem pouca variedade estrutural. Organismos como mexilhões, ostras, esponjas e pequenos crustáceos começam a aderir às bases e formam camadas biológicas ao redor das torres.
A colonização inicial representa uma etapa essencial da transformação. Com o crescimento desses organismos, novas fontes de alimento ficam disponíveis, atraindo peixes menores e, posteriormente, predadores de maior porte para as proximidades das instalações.
As fendas existentes entre rochas, blocos de proteção e componentes submersos também funcionam como esconderijos. Larvas e animais juvenis utilizam esses espaços para escapar de predadores e encontrar condições mais estáveis durante as fases iniciais de desenvolvimento.
A presença das estruturas ainda pode alterar localmente o movimento da água. Essas mudanças favorecem a concentração de nutrientes e de matéria orgânica, elementos importantes para os organismos que vivem fixados nas fundações.
O resultado é a criação de um ambiente mais complexo do que aquele existente antes da construção. Com o passar do tempo, o entorno das torres pode reunir moluscos filtradores, cardumes de peixes, crustáceos e diferentes espécies associadas ao fundo marinho.
Como os parques eólicos podem proteger o fundo do mar
As áreas ocupadas por parques eólicos offshore costumam apresentar restrições à navegação e a determinadas atividades pesqueiras. A presença das torres, cabos e fundações dificulta, principalmente, a passagem de grandes redes de arrasto utilizadas no fundo do oceano.
A redução dessa atividade pode diminuir a perturbação dos sedimentos em determinadas regiões. Dessa forma, organismos sensíveis encontram melhores condições para se estabelecer, crescer e completar seus ciclos reprodutivos.
A Organização de Gestão Marinha do Reino Unido, entretanto, destaca que os impactos acumulados desses empreendimentos ainda precisam ser acompanhados. Os parques eólicos não podem ser classificados automaticamente como santuários naturais, já que cada área apresenta características ambientais diferentes.
Espécies invasoras também podem aproveitar as superfícies artificiais para se espalhar. Por essa razão, os possíveis benefícios dependem da localização, do planejamento e do monitoramento realizado durante todas as etapas do projeto.
Como a engenharia pode favorecer a biodiversidade
Atualmente, engenheiros e biólogos trabalham em conjunto para criar estruturas submersas mais favoráveis à vida marinha. Superfícies rugosas, blocos com cavidades e recifes planejados são algumas das soluções utilizadas para ampliar a oferta de abrigo e facilitar a fixação de organismos.
Nos Países Baixos, o programa Rich North Sea instalou ostras e estruturas recifais no parque eólico Eneco Luchterduinen. A experiência foi utilizada como referência para ações semelhantes em outros projetos de energia eólica offshore.
O objetivo dessas iniciativas consiste em combinar geração de eletricidade com medidas de proteção ambiental. Embora as construções possam causar ruídos, alterar sedimentos e afetar algumas espécies, o planejamento adequado permite reduzir impactos e criar oportunidades para novos habitats.
Assim, as fundações que sustentam as turbinas deixam de cumprir apenas uma função estrutural. Quando corretamente planejadas, elas podem servir de abrigo para moluscos, crustáceos e peixes, demonstrando que a infraestrutura energética também pode contribuir para a biodiversidade marinha.
