Encontrado a 37 metros de profundidade no Caribe, o tubarão-lixa de cerca de 2 metros apresentou coloração laranja intensa associada a xantismo confirmado e sinais de albinismo ocular, combinação genética rara jamais documentada simultaneamente na espécie.
Pescadores esportivos capturaram e soltaram em 2024, no Caribe ao largo da Costa Rica, um tubarão-lixa de 2 metros, laranja brilhante e olhos brancos, primeiro caso confirmado de xantismo na espécie, com sinais de albinismo, descrito em estudo publicado em agosto.
Captura ocasional e liberação imediata
A descoberta ocorreu por acaso na costa leste da Costa Rica, quando pescadores esportivos fisgaram o tubarão a cerca de 120 pés, equivalentes a 37 m, abaixo da superfície, durante uma atividade recreativa em 2024.
O animal foi puxado até a embarcação por Garvin Watson, proprietário do hotel Parismina Domus Dei, na vila de Parismina, que relatou surpresa imediata ao observar a coloração laranja intensa sob a luz solar.
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“Não conseguíamos acreditar no que estava diante de nossos olhos”, afirmou Watson em entrevista por e-mail ao Live Science, descrevendo o brilho incomum do tubarão durante a captura.

Características físicas e registro fotográfico
O tubarão, identificado como tubarão-lixa, media aproximadamente 6,6 pés, cerca de 2 metros, e apresentava pele laranja viva, contraste marcante com a coloração típica amarelada a marrom-acinzentada da espécie.
Após fotografar o animal, os pescadores removeram cuidadosamente o anzol de sua boca e o devolveram ao mar do Caribe, encerrando o episódio sem ferimentos aparentes ao tubarão.
As imagens registradas serviram de base para análises posteriores realizadas por pesquisadores, que examinaram detalhadamente a pigmentação da pele e as características dos olhos do animal.
Estudo científico e confirmação inédita
O evento foi descrito em um estudo publicado em 1º de agosto na revista Marine Biodiversity, que confirmou tratar-se do primeiro caso definitivo de xantismo documentado em um tubarão-lixa.
O xantismo, também chamado de xantocromismo, é uma condição rara que aumenta a pigmentação amarela na pele e já foi observada em sapos, aves e peixes, mas nunca havia sido confirmada nessa espécie.
Segundo o estudo, embora existissem relatos esporádicos de colorações incomuns, incluindo albinismo, nenhum caso havia sido cientifcamente comprovado até então.
Albinismo associado e comparações anteriores
Além do xantismo, os pesquisadores observaram que o tubarão não possuía as íris negras típicas, indicando provável albinismo ocular, combinação rara conhecida como albino-xantocromismo.
Uma condição semelhante foi documentada em 2018 em uma espécie de raia, Raja montagui, no Mar da Irlanda, mas nunca havia sido registrada em tubarões-lixa.
“Ficamos muito surpresos e animados ao ver o xantismo nas fotos”, declarou o autor principal do estudo, Marioxis Macías-Cuyare, doutorando em oceanografia biológica, também ao Live Science.
Causas possíveis e sobrevivência do animal
Os pesquisadores destacam que o xantismo geralmente está associado a fatores genéticos, embora estresse ambiental, temperaturas elevadas e desequilíbrios hormonais também possam influenciar a pigmentação, conforme discutido no estudo.
A sobrevivência do tubarão até a fase adulta chama atenção, já que cores tão chamativas costumam representar desvantagem ecológica para espécies que dependem de camuflagem no ambiente marinho.
Macías-Cuyare ressaltou que múltiplos fatores podem influenciar esse resultado, mas que todas as explicações permanecem especulativas até que variáveis genéticas e ambientais sejam testadas de forma controlada.
