Publicação de Donald Trump na Truth Social coloca a Venezuela como possível “51º estado” dos Estados Unidos, amplia tensão diplomática na América Latina, reforça interesses estratégicos ligados ao petróleo venezuelano, intensifica debates sobre soberania nacional e ainda reacende discursos expansionistas envolvendo Canadá, Groenlândia e Cuba em meio ao retorno do republicano à Casa Branca e ao avanço das negociações entre Washington e Caracas nos setores de energia, mineração e segurança internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na terça-feira, 12 de maio, uma imagem que mostra a Venezuela como o 51º estado norte-americano. A postagem foi feita na rede Truth Social. Na sequência, o conteúdo surgiu apenas um dia após o republicano sugerir publicamente a anexação do país latino-americano.
Segundo o correspondente John Roberts, da Fox News, Trump estaria “considerando seriamente” a possibilidade. Ainda assim, o presidente afirmou que “a Venezuela ama Trump”. Conforme a emissora norte-americana, o republicano citou as reservas de petróleo venezuelanas, avaliadas em US$ 40 trilhões, como principal motivo para a proposta.

Petróleo venezuelano entra no centro da aproximação entre Washington e Caracas
Enquanto isso, desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, integrantes da Casa Branca têm viajado frequentemente entre Washington e Caracas. Dessa forma, negociações com empresas americanas dos setores de energia e mineração passaram a ganhar força. Paralelamente, representantes dos EUA tentam estreitar relações com a presidente interina Delcy Rodríguez.
-
O vizinho quase esquecido do Brasil encontrou petróleo no mar, atraiu ExxonMobil e Chevron, virou aposta bilionária da energia global e agora tenta responder se riqueza rápida também vira desenvolvimento real
-
O efeito dominó das sanções dos EUA chega aos cartões em Cuba, derruba Visa e Mastercard e expõe uma nova trava para a economia da ilha
-
EUA propõem tarifa extra ao Brasil por “trabalho forçado” e acendem alerta sobre nova pressão comercial contra exportações brasileiras
-
Vídeo de IA divulgado por embaixada do Irã mostra Cristo Redentor derrubando a Estátua da Liberdade após ameaça de tarifa de 25% ao Brasil e transforma cartões-postais em símbolos de uma nova batalha política entre Brasília e Washington
Em entrevista exibida em 10 de maio no programa Full Measure, da jornalista Sharyl Attkisson, Trump declarou que a Venezuela estaria vivendo um momento positivo. Segundo ele, o país “está sendo bem administrado”. Conforme o presidente, a produção petrolífera venezuelana cresceu significativamente nos últimos meses.
“A quantidade de petróleo que está sendo extraída é enorme”, afirmou Trump. Em seguida, ele também destacou a atuação de grandes petrolíferas americanas em plataformas de extração no país.
Por outro lado, após as declarações, Delcy Rodríguez rejeitou qualquer possibilidade de anexação. Segundo a presidente interina, a Venezuela continuará defendendo sua soberania e independência. Nesse sentido, ela afirmou que a história do país foi construída por homens e mulheres que lutaram para evitar que a nação se tornasse uma colônia.
Trump amplia discurso expansionista envolvendo outros territórios e reforça pressão sobre aliados estratégicos dos Estados Unidos
Desde o retorno à Casa Branca, Trump tem feito declarações envolvendo outros territórios estrangeiros. Inicialmente, o presidente direcionou comentários ao Canadá. Em maio de 2025, o republicano afirmou que o país poderia acessar gratuitamente o sistema antimíssil “Domo de Ouro”, caso aceitasse tornar-se o 51º estado norte-americano.
Segundo Trump, se o Canadá permanecesse independente, o país precisaria pagar US$ 61 bilhões para aderir ao sistema. Em publicação na Truth Social, o presidente declarou que os canadenses estariam “considerando a oferta”.
Na mesma linha, Trump também pressionou a Otan a apoiar planos de anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. Conforme o republicano, a ilha é “vital” para o sistema de defesa antimíssil dos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional”, escreveu Trump. Ainda segundo ele, Rússia e China poderiam ampliar influência na região caso Washington não avançasse sobre o território.
Cuba entra novamente no centro das declarações de Trump em meio à crise energética e tensões diplomáticas com Washington
Em março de 2026, Trump afirmou que seria uma “honra” “tomar Cuba”. A declaração ocorreu durante um período de crise energética enfrentado pela ilha. Diante desse cenário, o governo cubano iniciou negociações com Washington.
Além do caso venezuelano, Cuba já vinha sendo alvo de medidas do republicano desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Naquele período, Trump reverteu políticas de aproximação adotadas anteriormente pelo ex-presidente Barack Obama e endureceu sanções econômicas contra o país.
Dessa forma, as recentes declarações do presidente norte-americano ampliaram debates sobre geopolítica, energia, soberania nacional e influência estratégica dos Estados Unidos em territórios considerados prioritários para segurança e exploração de recursos naturais.
Com petróleo, segurança internacional e influência geopolítica em jogo, até onde Donald Trump pretende levar sua política expansionista nas Américas?

Seja o primeiro a reagir!