A disputa global por minerais críticos ganha um novo capítulo com os Estados Unidos buscando ampliar acesso às reservas brasileiras, propondo acordos de cooperação, financiamento bilionário e mudanças regulatórias que podem facilitar investimentos e transformar o país em peça central na cadeia mundial de tecnologia e energia.
O governo de Donald Trump intensificou os esforços diplomáticos e econômicos para ampliar o acesso dos Estados Unidos aos minerais críticos do Brasil, considerados essenciais para a produção de baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias estratégicas da economia global.
A iniciativa inclui a organização de um grande fórum internacional em São Paulo, propostas de financiamento que podem chegar a US$ 600 milhões e negociações para criar regras que facilitem a exploração desses recursos por empresas americanas.
Disputa global por minerais críticos coloca Brasil no centro da estratégia dos EUA
Os minerais críticos passaram a ocupar um lugar central nas estratégias econômicas e tecnológicas das grandes potências. Esses recursos são indispensáveis para setores como eletrônicos, energia renovável, indústria automotiva e defesa.
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Entre os materiais mais disputados estão lítio, nióbio, cobre, cobalto e terras raras, todos fundamentais para baterias, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia. Com reservas relevantes de vários desses minerais, o Brasil se tornou um alvo natural de interesse internacional.
A movimentação do governo norte-americano busca reduzir a dependência global da China, que hoje domina grande parte da cadeia de produção e processamento de terras raras.
Fórum internacional em São Paulo será peça-chave da estratégia
Um dos principais movimentos dessa iniciativa é a realização do Fórum de Minerais Críticos, marcado para 18 de março de 2026 na sede da Amcham, em São Paulo.
O evento será o maior encontro promovido pelo governo dos Estados Unidos na América Latina dedicado ao tema dos minerais críticos. A expectativa é reunir representantes do setor de mineração, autoridades governamentais e investidores interessados na expansão da exploração mineral.
Representantes do governo brasileiro foram convidados para participar das discussões. No entanto, até o momento, os organizadores não divulgaram quais autoridades confirmaram presença no encontro.
Proposta inclui acesso preferencial para empresas americanas
Um dos pontos centrais da estratégia americana é a negociação de um acordo que conceda acesso preferencial às empresas dos EUA para explorar reservas de minerais críticos no Brasil.
Entre as propostas apresentadas estão medidas para simplificar processos de licenciamento, reduzir barreiras regulatórias e criar mecanismos de cooperação entre os dois governos para acelerar projetos de mineração.
Outra possibilidade discutida é a criação de preços mínimos de compra, o que funcionaria como garantia de mercado para investidores interessados em financiar novos projetos de exploração mineral.
Segundo a avaliação do governo americano, esse tipo de mecanismo poderia reduzir riscos financeiros e estimular investimentos de longo prazo no setor.
Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo
O interesse internacional se explica também pela dimensão das reservas brasileiras. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta, ficando atrás apenas da China.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos militares e sistemas de energia avançados.
Além das terras raras, o Brasil também possui reservas relevantes de lítio, nióbio e cobre, minerais considerados estratégicos para a transição energética e para a expansão da indústria tecnológica global.
Essa combinação de recursos naturais coloca o país em posição estratégica na corrida global por matérias-primas tecnológicas.
Financiamento de até US$ 600 milhões para projetos no Brasil
Outro elemento importante da estratégia americana é o financiamento direto de projetos ligados à exploração de minerais críticos em território brasileiro.
A U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e o Export-Import Bank dos Estados Unidos estudam oferecer até US$ 600 milhões para iniciativas já em andamento no Brasil.
Esses recursos seriam destinados a projetos considerados estratégicos para ampliar a produção e garantir cadeias de suprimento mais seguras para a indústria norte-americana.
A avaliação do governo dos EUA é que o Brasil possui um ambiente regulatório relativamente avançado e operações de mineração relevantes, o que facilitaria a expansão de novos investimentos no setor.
O que está em jogo na corrida global por minerais estratégicos
A disputa por minerais críticos se tornou um dos principais capítulos da nova geopolítica econômica mundial.
Esses recursos são essenciais para a produção de baterias de carros elétricos, painéis solares, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à defesa e à inteligência artificial.
Com a demanda global por tecnologia e energia limpa em forte crescimento, o acesso a esses minerais passou a ser visto como questão estratégica para as grandes economias.
Nesse contexto, países com grandes reservas, como o Brasil, podem ganhar ainda mais relevância nas próximas décadas.
A tentativa dos Estados Unidos de ampliar o acesso aos minerais críticos do Brasil revela como esses recursos se tornaram peças-chave na disputa tecnológica e econômica global.
Enquanto novas parcerias e investimentos começam a ser discutidos, o país pode assumir um papel cada vez mais estratégico nas cadeias internacionais de mineração e tecnologia.
E você, o que acha dessa movimentação internacional em torno das reservas brasileiras? O Brasil deveria facilitar acordos para exploração de minerais críticos ou priorizar um modelo de desenvolvimento mais restrito? Compartilhe sua opinião nos comentários.

In terms of niche RE the Brazilian gov’ has done little yet strategically to back its own wannabees. Private Serra Verde got US backing, public Meteoric has a US LOI and Aclara talks a lot about potential US support coming, but as to actual Brazilian support…? GLTA – Rare Earths Investor (REI)