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Caminhante seguia seu cachorro numa floresta da Inglaterra, viu um brilho verde entre raízes e desenterrou um machado da Idade do Bronze com cerca de 3.400 anos

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 01/07/2026 às 11:02 Atualizado em 01/07/2026 às 11:58
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Caminhante encontra machado de bronze de 3.400 anos preso entre raízes durante passeio com cachorro em floresta da Inglaterra.
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Peça achada na Forest of Dean por John Smith foi identificada como um machado de bronze do tipo palstave, usado na Grã-Bretanha pré-histórica, e agora passa por documentação e conservação no Dean Heritage Centre.

Uma cabeça de machado de bronze com cerca de 3.400 anos foi identificada na Forest of Dean, em Gloucestershire, no sudoeste da Inglaterra, e entrou em processo de documentação e conservação arqueológica. A peça foi classificada como um machado do tipo palstave, modelo associado à Idade do Bronze média britânica.

O achado foi feito por John Smith durante uma caminhada com seu cachorro em uma área de floresta perto de Brierley, em Gloucestershire.

De acordo com a Smithsonian Magazine, publicada em 30 de abril de 2026, Smith viu o brilho verde do metal entre raízes, retirou a peça e a entregou à Forestry England, órgão que administra áreas florestais públicas na Inglaterra. Depois disso, especialistas da Cotswold Archaeology foram acionados para identificação e tratamento do material.

O machado entrou em um processo de registro, análise e preservação, etapa essencial para evitar perda de contexto arqueológico e reduzir danos causados por corrosão depois de milhares de anos no solo.

O brilho verde indicava metal antigo, mas a forma do objeto contou a parte mais técnica da história

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Foto: Forestry England

A peça encontrada não era um machado completo. O que apareceu entre as raízes foi a cabeça metálica, parte que originalmente seria presa a um cabo de madeira com cordão, couro cru ou fibra resistente.

Segundo o Dean Heritage Centre, o artefato é um machado do tipo palstave, forma comum na Idade do Bronze média. A instituição informou que a peça provavelmente data de 1400 a.C. a 1275 a.C., período em que ferramentas de bronze já tinham desenhos mais complexos do que os modelos anteriores de pedra ou cobre.

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O tom esverdeado vem da oxidação natural da liga metálica ao longo do tempo. Em objetos de bronze, essa camada pode chamar atenção visualmente, mas também exige cuidado porque a exposição ao ar, à umidade e a sais presentes no solo pode acelerar a degradação.

O machado tem 146 milímetros e pertence a um modelo usado antes da chegada dos romanos

A análise publicada no museu virtual da Cotswold Archaeology descreve a peça como um palstave de liga de cobre, com 146 milímetros de comprimento, 54 milímetros de largura e 25 milímetros de espessura. O registro aponta o contexto da descoberta como a placa de raízes de uma árvore, em Brierley, na Forest of Dean.

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Foto: Forestry England

Esse tipo de machado era produzido por fundição. No início da Idade do Bronze, moldes simples de pedra já permitiam fazer lâminas metálicas; depois, moldes em duas partes abriram espaço para formatos mais sofisticados, com flanges, nervuras centrais e áreas próprias para encaixe no cabo.

A peça da Forest of Dean tem uma alça lateral, detalhe que ajudava a prender melhor a lâmina ao cabo. O corte está sem fio, com cerca de 3 milímetros de espessura, o que pode indicar desgaste, perda de função prática ou apenas o estado preservado após séculos enterrado.

Ferramentas desse tipo podiam servir para trabalhar madeira, abrir áreas de vegetação, preparar materiais e, em certos contextos, também funcionar como objeto de valor. O uso exato desse exemplar, porém, não pode ser afirmado só pela forma. O local onde ele apareceu e as condições do depósito pesam tanto quanto a peça em si.

A conservação mostrou por que não basta apenas encontrar uma peça arqueológica

Após a entrega à Forestry England, o machado passou por avaliação especializada. Como informou a SoGlos, a conservadora Kayleigh Spring relatou que a peça foi testada para íons cloreto, teve solo e corrosão removidos sob ampliação e recebeu aplicação de Incralac para reduzir nova corrosão enquanto fica exposta.

Esse tipo de procedimento mostra a diferença entre um achado casual e um registro arqueológico útil. Quando um objeto metálico sai do solo, ele entra em outro ambiente químico. A mudança de umidade, temperatura e oxigênio pode acelerar processos que estavam relativamente estáveis debaixo da terra.

O machado foi encaminhado ao Dean Heritage Centre, onde está em exibição na Galeria 1 e passa por documentação. A Cotswold Archaeology também adicionou um modelo digital em 3D ao seu museu virtual, o que permite estudar detalhes da forma sem manusear a peça física com frequência.

A documentação digital não substitui o artefato, mas reduz riscos. Em peças pequenas e antigas, marcas de fundição, bordas gastas e danos antigos ajudam especialistas a comparar o objeto com outros machados da mesma fase tecnológica.

A Forest of Dean não é só cenário, porque o território já tinha ocupação humana muito antes do achado

A Forest of Dean, em Gloucestershire, fica entre os rios Severn e Wye, perto da fronteira entre Inglaterra e País de Gales. A região é conhecida por sua história industrial mais recente, mas também guarda camadas arqueológicas muito anteriores.

A Historic England publicou em 2019 o estudo “Hidden Landscapes of the Forest of Dean”, de Jon Hoyle, reunindo pesquisas sobre a pré-história e a arqueologia inicial da região. O trabalho cita o uso de imagens aéreas e tecnologia lidar para revelar sítios arqueológicos escondidos pela vegetação.

Esse detalhe muda o peso da descoberta. Um machado isolado tem valor material, mas um machado encontrado em uma paisagem com vestígios antigos ajuda a levantar perguntas sobre circulação, trabalho, deposição de objetos e ocupação humana no oeste da Inglaterra durante a Idade do Bronze.

A própria definição de floresta antiga na Inglaterra também ajuda a entender o ambiente. A base de dados da Natural England classifica ancient woodland como área com cobertura florestal contínua desde pelo menos 1600 d.C., o que não quer dizer árvores com 400 anos, mas sim continuidade de uso e solo florestal por séculos.

O achado pode ter sido perda, descarte ou depósito intencional, e essa dúvida é parte da pesquisa

O Dean Heritage Centre afirmou que não há como saber com certeza por que o machado estava ali. As hipóteses mais prudentes são perda acidental, descarte, queda durante uso ou deposição deliberada.

Na arqueologia da Idade do Bronze britânica, machados aparecem muitas vezes como achados isolados, longe de casas ou sepultamentos. A Cotswold Archaeology informa que esses objetos raramente são encontrados em assentamentos ou buriais, mas às vezes aparecem em conjuntos depositados no solo.

O machado da Forest of Dean não “prova” sozinho um ritual, uma batalha ou uma oficina no local, mas entrega dados concretos sobre tecnologia, metal, circulação de objetos e relação humana com uma paisagem ocupada por milênios.

Você acha que achados desse tipo deveriam ficar em museus locais, perto de onde foram encontrados, ou ir para grandes centros nacionais de arqueologia? Deixe sua opinião nos comentários e conte se uma descoberta assim mudaria sua forma de olhar para uma trilha comum na floresta.

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Geovane Souza

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