A decisão de trocar uma carreira consolidada na área da saúde por uma cervejaria artesanal surgiu após uma viagem pela Europa revelar um universo de sabores, estilos e tradições cervejeiras. Anos depois, o projeto virou realidade no Extremo-Oeste de Santa Catarina com a criação da cervejaria Big John.
A decisão de criar uma cervejaria artesanal mudou completamente a trajetória profissional de uma empresária Diovana Strieder Schacker catarinense que passou mais de uma década trabalhando na área da saúde antes de decidir investir em um sonho antigo: construir uma indústria própria e produzir algo que carregasse identidade e significado.
A ideia começou a tomar forma após uma viagem à Europa, onde o contato com novos estilos e tradições cervejeiras revelou um universo muito diferente das bebidas consumidas no Brasil. O que começou como curiosidade acabou se transformando em um projeto empresarial que anos depois resultaria na criação da cervejaria Big John, em Santa Catarina.
O sonho de ter uma indústria começou muito antes da cerveja
Antes de pensar em produzir cerveja, a empresária Diovana Strieder Schacker já carregava um objetivo antigo: construir uma indústria. Durante os anos de universidade, enquanto cursava Administração, ela refletia sobre os caminhos possíveis para empreender e enxergava três áreas principais: comércio, prestação de serviços ou produção industrial.
-
Um cargueiro de 183 metros enfrentou ondas de dez metros, se partiu ao meio no Lago Huron e afundou em apenas oito minutos, mas um tripulante sobreviveu por 38 horas no frio extremo para contar como aconteceu o naufrágio do SS Daniel J. Morrell em 1966
-
A maior pegadinha da história das Copas? O filme que negou o Mundial de 1958, questionou o título do Brasil e mostrou como falsas provas podem parecer totalmente confiáveis na televisão
-
Lojas online falsas da Coreia do Sul viram saída para viciados em compras que querem sentir a emoção de escolher produtos, fechar pedidos e acompanhar entregas sem gastar dinheiro nem receber nada em casa
-
Uma orelha dentro de uma história de contrabando, impérios e batalhas gigantescas: por que a Guerra da Orelha de Jenkins recebeu esse nome e virou um dos conflitos mais curiosos do século 18
De acordo com informações do portal NDMAIS, a experiência no comércio surgiu ainda cedo, quando trabalhou na pequena loja da mãe. Nesse ambiente, teve contato direto com a rotina do negócio, desde tarefas operacionais até o atendimento ao público e a gestão básica do empreendimento. Esse aprendizado prático ajudou a construir a base empreendedora que mais tarde seria essencial para novos projetos.
Mesmo com o interesse pela indústria, o caminho profissional acabou seguindo inicialmente outra direção. Ela decidiu investir em um negócio mais consolidado, abrindo uma farmácia em um ponto estratégico da cidade.
O empreendimento teve bons resultados e abriu espaço para expansão dentro do setor de saúde. Com o passar do tempo, o negócio também passou a atuar no mercado de vacinas, em um período em que muitas imunizações ainda não estavam disponíveis pelo sistema público.
Durante mais de uma década, a empresária Diovana Strieder Schacker conciliou a administração da farmácia, de uma clínica de vacinas e também da clínica médica do marido. Ainda assim, o desejo de produzir algo próprio nunca desapareceu.
Uma viagem à Europa revelou o universo da cerveja artesanal
O momento decisivo aconteceu durante uma viagem pela Europa. Movida pelo desejo de conhecer a Alemanha, país de origem de seus antepassados, ela entrou em contato com um universo que até então desconhecia: o das cervejas especiais.
Nos bares europeus, a experiência foi muito diferente do consumo comum de cerveja no Brasil. Cada bebida apresentava aromas, sabores e características próprias. A cerveja deixava de ser apenas uma bebida refrescante e passava a ser apreciada como uma experiência sensorial completa.
Outro detalhe chamou atenção durante a viagem: mesmo cidades pequenas tinham diversas cervejarias locais. Cada estabelecimento possuía identidade própria, receitas específicas e ligação com a cultura da região.
Foi nesse momento que surgiu a ideia de transformar o antigo sonho da indústria em uma cervejaria artesanal. A partir dali, o projeto começou a ser desenhado.
Formação especializada abriu caminho para o novo negócio
Mesmo motivada pela ideia, transformar o projeto em realidade exigia conhecimento técnico. Na época, além de administrar os negócios da família, a empresária também era mãe de duas filhas pequenas, o que dificultava estudar fora do país.
A oportunidade surgiu em Santa Catarina com a criação da Escola Superior de Cerveja e Malte, em Blumenau, considerada a primeira instituição da América Latina dedicada exclusivamente à formação cervejeira.
Ela ingressou em uma pós-graduação na área e passou cerca de três anos viajando regularmente para estudar. O período de formação permitiu compreender profundamente os processos de produção, os estilos cervejeiros e a estrutura necessária para montar uma cervejaria artesanal.
Durante o curso, também participou de programas voltados à estruturação de cervejarias e ampliou sua rede de contatos no setor, conhecendo profissionais e parceiros que posteriormente contribuiriam para tirar o projeto do papel.
A criação da cervejaria Big John em Santa Catarina

Depois de elaborar o plano de negócios e definir os detalhes do empreendimento, chegou o momento de escolher o local da futura cervejaria. O espaço foi pensado para atender tanto à logística quanto ao potencial turístico da região.
A estrutura foi instalada em um terreno elevado próximo à rodovia, permitindo fácil acesso e também a possibilidade de receber visitantes interessados em conhecer o processo de produção.
Em 2017, após cerca de nove meses de obras, a cervejaria artesanal Big John foi inaugurada no município de Descanso, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
A abertura contou com cinco estilos de cerveja disponíveis nas torneiras e atraiu milhares de pessoas curiosas para conhecer o novo empreendimento. O evento marcou oficialmente a transição de uma trajetória profissional ligada à saúde para o universo da produção cervejeira.
O personagem que representa a identidade da marca
A escolha do nome da cervejaria também passou por um processo longo e criativo. Ao longo das discussões sobre a identidade da marca, foram avaliadas mais de 200 sugestões diferentes.
Duas opções chegaram à fase final: Pato Preto e Big John. A decisão final acabou favorecendo o segundo nome, principalmente pela possibilidade de criar um personagem simbólico para representar a cervejaria.
Assim nasceu Mr. Big John, figura que representa o espírito da marca. O personagem é descrito como um viajante que percorreu o mundo conhecendo culturas e estilos de cerveja, inspirando novas receitas a partir dessas experiências.
De acordo com a narrativa criada pela marca, Mr. Big John escolhe um chapéu diferente a cada manhã. Cada chapéu simboliza uma inspiração distinta que pode resultar em uma nova cerveja.
A proposta é transmitir criatividade, liberdade e conexão cultural dentro do universo da cervejaria artesanal.
O desafio de mostrar o valor da cerveja artesanal
Com a cervejaria em funcionamento, um dos principais desafios passou a ser explicar ao consumidor a diferença entre a produção artesanal e as bebidas fabricadas em larga escala.
Segundo a empresária, a proposta da marca não é competir com os preços mais baixos do mercado. O foco está em oferecer qualidade, identidade e experiência ao consumidor.
A cerveja artesanal, nesse contexto, é apresentada como uma bebida que envolve escolha, apreciação e convivência. Diferente do consumo rápido, ela costuma ser apreciada com calma e associada a momentos de encontro entre amigos e familiares.
A ideia central da marca é que os melhores momentos da vida acontecem ao redor da mesa, compartilhando histórias, sabores e experiências.
Uma mudança de carreira que transformou um sonho antigo em realidade
A trajetória que começou no setor de saúde acabou se transformando em um projeto industrial e criativo ligado ao universo da cervejaria artesanal. O caminho exigiu anos de preparação, estudos e planejamento, mas resultou em um empreendimento que reúne identidade, experiência e inspiração cultural.
Mais do que produzir bebidas, a proposta da cervejaria é criar experiências que conectem pessoas e histórias em torno de novos sabores.
Agora queremos saber a sua opinião: você teria coragem de abandonar uma carreira consolidada para seguir um sonho completamente diferente? Conte nos comentários o que faria em uma situação como essa.

-
1 pessoa reagiu a isso.