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Três irmãos escoceses remaram 15 mil quilômetros do Peru até a Austrália sem parar e sem ajuda de ninguém, enfrentaram ondas de 9 metros, um deles caiu no oceano à noite e mesmo assim completaram a travessia mais longa já feita a remo

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 22/03/2026 às 05:52
Três irmãos escoceses completaram a travessia a remo mais longa da história, do Peru à Austrália, em 139 dias pelo Oceano Pacífico sem escalas.
Três irmãos escoceses completaram a travessia a remo mais longa da história, do Peru à Austrália, em 139 dias pelo Oceano Pacífico sem escalas.
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Os irmãos escoceses Jamie, Ewan e Lachlan Maclean percorreram 14.484 quilômetros pelo Oceano Pacífico em 139 dias a bordo do barco Rose Emily, do Peru à Austrália, sem escalas e sem assistência externa, quebrando o recorde mundial de travessia a remo e arrecadando fundos para projetos de água potável em Madagascar.

Três irmãos escoceses fizeram o que nenhuma equipe havia conseguido antes: remaram do Peru até a Austrália pelo Oceano Pacífico sem fazer nenhuma parada e sem qualquer assistência externa. Jamie, Ewan e Lachlan Maclean percorreram exatos 14.484 quilômetros em 139 dias, 5 horas e 52 minutos a bordo do barco Rose Emily, enfrentando ondas de até 9 metros, enjoo que durou semanas, turnos de 18 horas sob sol implacável e a escuridão absoluta das noites em alto mar. A chegada ao porto de Cairns, na Austrália, em 30 de agosto de 2025, marcou o novo recorde mundial de travessia do Pacífico a remo.

Mas a jornada não foi apenas sobre recordes. Os irmãos escoceses zarparam com o objetivo de arrecadar mais de US$ 1 milhão para projetos de água potável em Madagascar, transformando um desafio físico extremo em uma causa humanitária. O momento mais dramático aconteceu quando Lachlan foi arrastado para o oceano por uma onda de 7,5 metros no meio da noite, em plena escuridão, e teve que ser resgatado pelos irmãos em condições que poderiam ter sido fatais. Mesmo assim, os três seguiram remando até completar a travessia mais longa já realizada a remo sem escalas.

Como três irmãos escoceses decidiram remar pelo Oceano Pacífico

Três irmãos escoceses completaram a travessia a remo mais longa da história, do Peru à Austrália, em 139 dias pelo Oceano Pacífico sem escalas.

A história dos irmãos Maclean com o mar começou na infância, em Assynt, no noroeste da Escócia, onde a família possui uma pequena casa à beira-mar. Foi lá que Jamie, Ewan e Lachlan construíram seu primeiro barco improvisado quando tinham 11, 10 e 5 anos de idade e saíram para pescar.

Esse primeiro contato com o oceano plantou uma confiança mútua entre os três que se tornaria essencial décadas depois, quando estivessem sozinhos no meio do Oceano Pacífico enfrentando condições extremas.

Em 2020, os irmãos escoceses já haviam quebrado o recorde de travessia do Atlântico a remo, percorrendo 4.800 quilômetros das Ilhas Canárias até Barbuda em 35 dias. Mas o feito criou uma inquietação que não desapareceu.

Ao descobrirem que nenhuma equipe jamais havia cruzado o Oceano Pacífico do Peru à Austrália sem escalas e sem apoio, a ideia se tornou uma obsessão. Lachlan descreveu a sensação como uma pedra no sapato que nunca saía. Foram dois anos de planejamento, construção do barco e preparação física antes que finalmente pudessem zarpar.

A partida do Peru e os primeiros dias de sofrimento no Pacífico

Três irmãos escoceses completaram a travessia a remo mais longa da história, do Peru à Austrália, em 139 dias pelo Oceano Pacífico sem escalas.

Os irmãos Maclean zarparam de Lima, no Peru, em 12 de abril de 2025, ao som da banda da Academia Naval peruana. Mas os problemas começaram antes mesmo da partida: o barco atrasou na alfândega, a comida congelada também, e a viagem foi adiada em quase duas semanas.

Quando finalmente entraram no Oceano Pacífico, Jamie e Ewan foram atingidos por um enjoo severo que durou entre 10 e 14 dias, período no qual Jamie não conseguia reter comida enquanto remava turnos de 16 a 18 horas sob sol intenso.

O barco Rose Emily, batizado em homenagem a uma irmã que a família perdeu antes do nascimento em 1996, oferecia como único abrigo duas pequenas cabines onde só era possível entrar sentado.

Nos primeiros 6.500 quilômetros, os irmãos escoceses não avistaram nenhuma ilha, e as condições se repetiam dia após dia: água, céu e solidão.

Lachlan, que fazia o turno da noite para o dia, encontrou nos ciclos lunares uma espécie de companhia: ao longo da travessia, os três assistiram a quatro ou cinco ciclos completos da lua, da nova à cheia, o que transformava a experiência noturna e ajudava a manter o moral.

A noite em que Lachlan caiu no oceano e quase se perdeu no escuro

O momento mais perigoso de toda a travessia aconteceu quando os irmãos escoceses já haviam ultrapassado a metade do caminho. Um sistema de alta pressão se aproximou e trouxe consigo ondas entre 7 e 9 metros que atingiram o barco durante pelo menos dois dias.

Em uma dessas noites, uma onda de 7,5 metros se chocou contra o Rose Emily e arrastou Lachlan para o oceano. Na escuridão total, ele foi puxado pela água enquanto ainda estava preso ao barco por um arnês de escalada.

Lachlan conta que, ao direcionar a lanterna para o casco, viu o nome Rose Emily escrito com a letra de sua mãe emergir da escuridão, e foi nesse instante que entendeu que havia caído no mar, não que o barco tivesse virado.

Ewan reagiu imediatamente e estendeu a mão na escuridão, mas outra onda arrancou Lachlan antes que ele pudesse se segurar. Foi somente com o impulso de uma segunda onda que ele conseguiu se puxar de volta ao barco.

Na cabine, a ansiedade tomou conta: a consciência de que poderia ter se perdido no Oceano Pacífico no meio da noite ficou gravada para sempre.

Os desvios de rota, o ciclone e a chegada ao porto de Cairns na Austrália

As condições climáticas não apenas testaram os limites dos irmãos Maclean, mas também os obrigaram a mudar completamente o plano de chegada. O destino original era Sydney, mas a ameaça de um ciclone forçou um desvio para Brisbane.

Quando os ventos mudaram novamente, os três tiveram que alterar a rota uma segunda vez, agora em direção ao norte, para o porto de Cairns.

Os desvios prolongaram a viagem e começaram a cobrar um preço físico e mental dos irmãos escoceses, que já estavam no mar havia mais de quatro meses.

Quando a costa da Austrália finalmente surgiu no horizonte, Jamie descreve ter visto primeiro um borrão que confundiu com uma nuvem. Só ao olhar novamente percebeu que era terra firme.

A chegada ao porto de Cairns aconteceu à noite, com centenas de pessoas aguardando na marina e quatro amigos tocando gaita de foles escocesa, um som que viajou pelo ar e marcou o final de uma jornada de 139 dias.

A mãe dos irmãos, aliviada, estava entre os que esperavam. O pai não conseguiu viajar até a Austrália e os recebeu na Escócia, onde outra grande celebração os aguardava.

O recorde mundial e o que a travessia representa além dos números

Com a chegada a Cairns em 30 de agosto de 2025, os irmãos Maclean se tornaram a primeira equipe da história a cruzar o Oceano Pacífico a remo do Peru à Austrália sem escalas e sem assistência externa, quebrando o recorde mundial anterior da categoria.

Os 14.484 quilômetros percorridos em 139 dias representam a travessia a remo mais longa já realizada em equipe sem apoio, um feito que combina resistência física, preparação mental e uma confiança entre irmãos construída desde a infância nas águas geladas da Escócia.

Além do recorde mundial, os irmãos escoceses alcançaram seu objetivo de mobilizar apoio para projetos de água potável em Madagascar. Jamie resumiu a experiência ao dizer que o sonho que três irmãos começaram na Escócia tocou a vida de pessoas ao redor do mundo que eles nunca vão conhecer.

Lachlan concluiu que a travessia mostrou como os três se complementam e funcionam como algo maior do que a soma de suas partes, movidos por uma boa intenção e pela companhia silenciosa da Lua nas noites intermináveis do Pacífico.

Você teria coragem de passar 139 dias remando no meio do Pacífico? O que mais te impressionou nessa história? Deixe seu comentário e diga qual parte da travessia você achou mais insana.

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Daniel
Daniel
29/03/2026 02:53

Faço uma correção: os três são da Escócia.

Daniel
Daniel
29/03/2026 02:48

É deveras um povo interessante!
Ciência, músicas clássicas, um líder mau, esses três grandes heróis, por fim, tenho admiração pelos austríacos, com excessão do líder mau.

Jair Augusto - Brasil
Jair Augusto - Brasil
27/03/2026 19:55

Pra mim esses irmãos são muito acima de nós pessoas normais.
Parabéns aos 3 heróis que se arriscaram por uma boa causa!🙏👏👏👏💪💪💪

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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