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Simples potes de barro enterrados no chão estão salvando lavouras inteiras da seca no Pará, sistema genial criado na Etiópia não usa energia elétrica, custa apenas R$ 8 mil e já permite colheita o ano todo onde antes tudo se perdia

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 22/03/2026 às 03:43
Assista o vídeoPotes de barro enterrados formam o Irrigapote, sistema contra a seca no Pará que custa R$ 8 mil e salva lavouras sem energia elétrica.
Potes de barro enterrados formam o Irrigapote, sistema contra a seca no Pará que custa R$ 8 mil e salva lavouras sem energia elétrica.
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O Irrigapote é um sistema que usa potes de barro de argila enterrados para combater a seca no Pará, liberando água de forma gradual pelas paredes porosas sem energia elétrica, com custo de R$ 8 mil para 100 unidades, permitindo que agricultores familiares produzam o ano todo e dobrem a renda.

No sudeste do Pará, simples potes de barro enterrados no solo estão transformando a realidade de agricultores familiares que, por anos, viram suas colheitas se perderem por causa da seca. O sistema, batizado de Irrigapote, utiliza potes de argila com paredes porosas que liberam água de forma gradual diretamente para as raízes das plantas, sem necessidade de energia elétrica nem de investimentos elevados. A tecnologia foi desenvolvida a partir de uma parceria entre a pesquisadora Lutieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, e uma universidade da Etiópia.

O custo é um dos aspectos mais impressionantes. Uma área com 100 potes de barro custa, em média, R$ 8 mil, sendo o principal gasto a compra do material. Não há conta de luz, não há bomba elétrica e não há manutenção complexa. A água vem da chuva, captada por calhas nos telhados e armazenada em reservatórios, e chega aos potes por mangueiras com sistema de boias que evita desperdícios. O resultado é que produtores que antes perdiam tudo na estiagem agora conseguem colher o ano inteiro, incluindo na entressafra, quando os preços das frutas chegam a dobrar.

Como o sistema Irrigapote funciona na prática com potes de barro enterrados

O funcionamento do Irrigapote combina princípios simples da física e da biologia que dispensam qualquer tecnologia sofisticada. O processo começa com a captação da água da chuva por calhas instaladas nos telhados das propriedades, que direcionam o líquido para reservatórios de armazenamento.

A partir daí, mangueiras conectadas a um sistema de boias distribuem a água até os potes de barro enterrados próximos às plantas, garantindo que o abastecimento seja contínuo e sem desperdício.

O segredo está nas paredes porosas da argila. A umidade é liberada de forma gradual pelo pote, e as raízes das plantas percebem essa umidade, crescem em direção ao barro e chegam a se fixar na argila para absorver a água diretamente.

O sistema é tão eficiente que um único pote pode abastecer várias plantas ao seu redor, e há casos documentados em que as raízes percorreram até 7 metros para alcançar a fonte de água. Essa capacidade de atração natural elimina a necessidade de irrigação por aspersão ou gotejamento, reduzindo drasticamente o consumo de água e o custo operacional.

A história da produtora que perdeu mil plantas e foi salva pelo Irrigapote

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A produtora Renata, de Tucuruí, no Pará, é um dos exemplos mais emblemáticos da transformação proporcionada pelo sistema. Depois de abandonar a rotina estressante à frente de supermercados para investir no campo, ela enfrentou um desafio brutal logo no início: perdeu mais de mil plantas por falta de água durante a seca.

A estiagem prolongada devastou a propriedade antes que qualquer produção pudesse se consolidar, colocando em risco todo o investimento feito na transição de vida.

A solução chegou por meio da parceria entre a Embrapa e a universidade etíope. Com a instalação dos potes de barro enterrados, Renata conseguiu recuperar a produção e hoje mantém sua lavoura ativa o ano inteiro.

O Irrigapote permitiu que ela deixasse de depender exclusivamente das chuvas e passasse a produzir inclusive na entressafra, quando a oferta de frutas é menor e os preços no mercado são significativamente mais altos. A história de Renata se repete em dezenas de propriedades na região.

Por que o Irrigapote custa tão pouco e é mais acessível que a irrigação convencional

Para o pequeno produtor, o Irrigapote resolve dois dos principais desafios da irrigação no campo brasileiro: custo e acesso à energia. Sistemas tradicionais de irrigação por aspersão ou gotejamento exigem investimentos que podem ultrapassar dezenas de milhares de reais, além de consumo constante de eletricidade para acionar bombas.

Em regiões remotas do Pará, onde muitas propriedades sequer têm acesso estável à rede elétrica, essas soluções simplesmente não são viáveis.

O Irrigapote elimina a necessidade de energia elétrica porque funciona por gravidade e pela porosidade natural da argila. O investimento de R$ 8 mil para 100 potes de barro se paga rapidamente quando comparado ao que o produtor deixava de ganhar ao perder a safra inteira na seca.

Em Capitão Poço, produtores de limão Taiti que adotaram o sistema já colhem o retorno financeiro: na entressafra, a caixa da fruta chega a R$ 100, o dobro do preço praticado em períodos de maior oferta. O sistema transforma um período de prejuízo em uma oportunidade de lucro.

O interesse de comunidades indígenas e quilombolas na tecnologia

O sucesso do Irrigapote nas propriedades de agricultores familiares está atraindo a atenção de comunidades que enfrentam desafios semelhantes de acesso à água e segurança alimentar.

A Aldeia Trocará, comunidade indígena no Pará, e comunidades quilombolas da região já demonstraram interesse em adotar a tecnologia dos potes de barro para viabilizar o cultivo de culturas perenes como cacau e açaí.

Para essas comunidades, o Irrigapote representa mais do que uma técnica de irrigação: é uma ferramenta de autonomia alimentar. A possibilidade de produzir alimentos o ano todo, sem depender de chuvas nem de infraestrutura elétrica, muda a dinâmica de subsistência de populações que historicamente são as mais vulneráveis aos efeitos da seca.

O fato de o sistema custar apenas R$ 8 mil, ser simples de instalar e de manter, com materiais acessíveis e disponíveis localmente, torna a adoção viável mesmo em comunidades com recursos financeiros limitados.

O que o Irrigapote ensina sobre soluções de baixo custo contra a seca no Brasil

O caso dos potes de barro no Pará demonstra que nem sempre a solução para problemas complexos exige tecnologia sofisticada ou investimentos milionários.

Um sistema criado na Etiópia, baseado em argila porosa e captação de água da chuva, está resolvendo na prática o que programas governamentais de irrigação não conseguiram entregar a milhares de pequenos produtores na Amazônia.

A simplicidade do Irrigapote é seu maior trunfo: qualquer agricultor consegue entender como funciona, instalar no próprio terreno e colher os resultados já na safra seguinte.

Em um país onde a seca afeta periodicamente milhões de agricultores familiares no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o Irrigapote deveria ser objeto de políticas públicas de disseminação em larga escala.

O custo de R$ 8 mil por área irrigada é uma fração do que se gasta em programas emergenciais de distribuição de água por caminhões-pipa, e o retorno é permanente: uma vez instalado, o sistema funciona por anos com manutenção mínima.

O que falta, talvez, é que mais pessoas conheçam essa solução simples que está transformando a vida de quem vive do campo no interior do Brasil.

Você conhecia o sistema Irrigapote? Acha que tecnologias simples como essa deveriam receber mais apoio do governo para chegar a mais agricultores? Deixe seu comentário e compartilhe este texto com quem trabalha no campo.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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