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Transformador de 390 toneladas atravessou 270 quilômetros na Suécia em operação noturna com caminhões especiais, pontes reforçadas, estrada rebaixada em 400 mm e cruzamentos ferroviários para levar energia a um dos maiores polos eólicos do país

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/05/2026 às 23:09
Atualizado em 19/05/2026 às 23:19
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Transformador da Mammoet cruza a Suécia em transporte rodoviário para energia eólica e mostra desafio logístico. Imagem: Mammoet
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Um transformador de 390 toneladas e 750 MVA foi levado por 270 quilômetros na Suécia com caminhões especiais da Mammoet, travessias ferroviárias, pontes reforçadas e trechos adaptados para atender um dos maiores polos eólicos do país, em Ljusdal, sem atrasar a instalação prevista no projeto sueco de transição energética renovável nacional.

O transformador de 390 toneladas transportado pela Mammoet na Suécia exigiu uma operação rara até para os padrões de cargas especiais. A peça, com capacidade de 750 MVA, precisou atravessar uma rota total de 270 quilômetros para chegar a Tovåsen, no município de Ljusdal, onde atenderia um grande polo de energia eólica.

A empresa responsável Mammoet afirma que esse foi o transporte rodoviário mais pesado já realizado em estradas suecas. Para que o deslocamento fosse possível, a operação envolveu caminhões especiais, estudos de rota, reforço de pontes, retirada de 400 mm de estrada sob algumas passagens, cruzamentos ferroviários e viagens realizadas apenas durante a noite.

Uma carga de 390 toneladas para levar energia a um polo eólico remoto

O transporte do transformador fazia parte de uma etapa essencial para a infraestrutura energética da Suécia. O equipamento seria usado em um projeto ligado à expansão da energia eólica, em uma região remota e montanhosa do país, onde o acesso por estrada já representa um desafio natural.

A Ellevio, empresa de energia envolvida no projeto, precisava levar o equipamento até Ljusdal, área apontada como futura sede de um dos maiores agrupamentos de energia eólica do país. Sem o transformador, a infraestrutura necessária para conectar a geração eólica à rede ficaria incompleta.

O desafio não estava apenas no peso da carga. O equipamento tinha dimensões e massa suficientes para exigir um planejamento integrado desde a fábrica até a fundação final. Por isso, a Mammoet trabalhou junto com a Martin Bencher para organizar o transporte terrestre, a etapa marítima e a colocação final do equipamento.

A operação começou na unidade da Hitachi Energy em Ludvika. De lá, o transformador percorreu 125 quilômetros por estrada durante duas noites até Köping, onde a Martin Bencher assumiu a etapa marítima até Iggesund. Depois disso, restavam mais 145 quilômetros por terra, justamente o trecho mais difícil.

Rota de 270 quilômetros precisou ser estudada antes da viagem

Transformador da Mammoet cruza a Suécia em transporte rodoviário para energia eólica e mostra desafio logístico.
Imagem: Mammoet

Antes de qualquer caminhão sair, a equipe precisou entender se as estradas suecas suportariam uma carga tão extrema. A fonte aponta que a maior parte das vias do país não é normalmente projetada para transportes tão pesados, o que tornou os estudos de rota indispensáveis.

A Mammoet usou uma ferramenta própria de levantamento de rota para identificar obstáculos, pontos frágeis e trechos que exigiriam intervenção. O objetivo era saber, com antecedência, onde a estrada precisava ser reforçada, liberada, rebaixada ou ajustada para permitir a passagem segura do transformador.

Essa preparação incluiu avaliações técnicas de resistência de rodovias e pontes, feitas em parceria com a Martin Bencher. Em diversos pontos, os estudos mostraram que seriam necessários reforços para distribuir melhor o peso e evitar riscos estruturais durante a travessia.

Em outros trechos, o problema era a altura. Debaixo de algumas pontes, foi necessário remover 400 mm de estrada para criar espaço suficiente para a passagem do conjunto. Esse tipo de adaptação mostra que a operação não era apenas transporte: era engenharia aplicada em movimento.

Pontes, ferrovias e permissões criaram uma operação de precisão

O caminho até Tovåsen incluía passagens sensíveis. A rota cruzava linhas ferroviárias em quatro ocasiões, o que exigia janelas rigorosas para que o conjunto pudesse atravessar sem interferir no tráfego ferroviário. Cada travessia precisava ser autorizada e sincronizada com precisão.

Além disso, cinco pontes menores exigiram o uso de oito linhas de eixo adicionais sob o transformador. A medida serviu para espalhar melhor a carga e reduzir a pressão concentrada sobre estruturas mais sensíveis do caminho.

As autorizações também tiveram papel decisivo. Uma operação desse porte depende de permissões de autoridades locais, polícia e órgãos responsáveis pela infraestrutura. Sem coordenação institucional, uma carga de 390 toneladas não consegue simplesmente ocupar estradas, cruzamentos e ferrovias.

A viagem só podia ocorrer à noite, o que aumentou a complexidade logística. Depois da etapa marítima, foram necessárias mais seis noites para completar o trecho final até Tovåsen. O deslocamento noturno reduzia interferências no tráfego, mas exigia maior controle de segurança e planejamento.

Caminhões especiais e estrutura de 400 toneladas moveram a carga

Transformador da Mammoet cruza a Suécia em transporte rodoviário para energia eólica e mostra desafio logístico.
Imagem: Mammoet

Para mover o transformador, a Mammoet reuniu equipamentos especializados de seu inventário europeu. A operação foi puxada por um cavalo mecânico principal e apoiada por dois caminhões Trojan de 700 hp, desenvolvidos pela própria empresa para transportar cargas extremas.

Segundo a fonte, esses caminhões são capazes de puxar 500 toneladas em uma inclinação de 7%. Esse desempenho era importante porque parte da rota atravessava terreno remoto e montanhoso, onde o peso da carga e as condições da estrada aumentavam o grau de dificuldade.

O transformador foi transportado em uma estrutura AL500, com capacidade de 400 toneladas. Esse sistema de viga, exclusivo da Mammoet, foi projetado para oferecer maior capacidade de direção, reduzindo a necessidade de remover mobiliário urbano e obstáculos ao longo do percurso.

A estrutura ficou apoiada sobre dois reboques de 16 eixos. Em pontos específicos, especialmente nas pontes menores, outras oito linhas de eixo foram adicionadas. A cada mudança de trecho, o conjunto precisava equilibrar peso, estabilidade, altura, largura e raio de manobra.

O trecho final foi o mais difícil da operação

Embora a rota total tenha somado 270 quilômetros, o trecho final de 145 quilômetros, entre Iggesund e Tovåsen, foi considerado o mais desafiador. A região era menos desenvolvida, com estradas menores e condições mais limitadas para uma carga de tamanho excepcional.

Foi nessa parte que se concentraram os cruzamentos ferroviários e as pontes que exigiram eixos adicionais. A operação precisava avançar dentro de janelas específicas, respeitando limites de tráfego, segurança e infraestrutura.

O transformador chegou ao destino conforme o cronograma. Depois da viagem, uma segunda equipe especializada da Mammoet assumiu a etapa de jacking e skidding, processo usado para erguer, deslocar lateralmente e posicionar a peça sobre sua fundação.

Essa etapa final era tão crítica quanto a viagem. Levar a carga até o local não bastava; era preciso colocá-la exatamente onde seria instalada e comissionada. A precisão no posicionamento permitiu que as etapas seguintes do parque eólico continuassem sem atraso.

Operação mostra bastidores pouco vistos da transição energética

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Grandes projetos de energia renovável costumam ser lembrados pelas turbinas, torres e pás eólicas. Mas o caso da Suécia mostra que a transição energética depende também de equipamentos pesados, rotas preparadas, logística especializada e obras invisíveis para a maioria da população.

O transformador de 390 toneladas era uma peça crítica para a infraestrutura de rede. Sem equipamentos desse tipo, a energia gerada por parques eólicos não chega com eficiência ao sistema elétrico. Por isso, transportar a carga era parte fundamental do avanço do projeto.

A operação também revela um ponto pouco discutido: regiões com alto potencial eólico nem sempre estão próximas de estradas fáceis, portos acessíveis ou infraestrutura pronta. Muitas vezes, levar os equipamentos até áreas remotas exige adaptações tão complexas quanto a construção do próprio parque.

Nesse caso, a engenharia logística foi tão importante quanto a engenharia energética. A carga só chegou ao destino porque houve estudo de rota, reforço estrutural, equipamentos dedicados e cooperação entre Mammoet, Martin Bencher, Hitachi Energy e Ellevio.

O transporte mais pesado da Suécia virou marco de engenharia

A Mammoet classificou a operação como o transporte rodoviário mais pesado já realizado em estradas suecas. O feito combina três elementos de alto impacto: peso recorde, distância longa e uma rota com barreiras técnicas incomuns.

O número de 270 quilômetros chama atenção, mas a dificuldade real estava nos detalhes. Pontes precisaram ser avaliadas e reforçadas, estradas foram rebaixadas, cruzamentos ferroviários foram coordenados e o transporte noturno exigiu controle contínuo da operação.

O transformador chegou ao local dentro do prazo, permitindo que o trabalho de instalação e comissionamento prosseguisse. Esse resultado reforça a importância do planejamento prévio em projetos nos quais qualquer atraso pode afetar obras de energia, cronogramas industriais e investimentos associados.

No fim, a viagem da carga mostra que a expansão da energia eólica não depende apenas do vento. Ela também exige estradas preparadas, equipamentos especiais e decisões logísticas capazes de mover peças gigantes por regiões onde quase nada foi pensado para esse tipo de transporte.

E você, acha que operações como essa mostram o verdadeiro tamanho da transição energética, ou o público ainda subestima a engenharia necessária para levar energia renovável até a rede? Comente sua opinião.

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Carla Teles

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