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Trabalhar em casa faz bem ou mal? Estudo com mais de 16 mil trabalhadores revela quem ganha, quem não ganha e por que mulheres se beneficiam mais do home office híbrido

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/02/2026 às 11:58
Atualizado em 10/02/2026 às 12:00
Trabalhar em casa foi analisado em estudo australiano com 16 mil pessoas e 20 anos de dados, avaliando saúde mental, gênero e deslocamento.
Trabalhar em casa foi analisado em estudo australiano com 16 mil pessoas e 20 anos de dados, avaliando saúde mental, gênero e deslocamento.
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Trabalhar em casa é analisado em estudo australiano baseado em 20 anos de dados com mais de 16 mil trabalhadores, que identifica diferenças claras entre homens e mulheres, avalia o peso do deslocamento diário e aponta o modelo híbrido como o mais associado a ganhos de saúde mental.

Trabalhar em casa passou a integrar a rotina laboral australiana, e um novo estudo com dados de longo prazo avalia seus efeitos na saúde mental, comparando gênero, tempo de deslocamento e modelos híbridos, com resultados distintos para mulheres e homens e implicações para políticas de trabalho.

Contexto e perguntas de pesquisa

Trabalhar em casa tornou-se uma constante na cultura de trabalho australiana, mas seu impacto na saúde mental permanece debatido. O estudo buscou responder se o trabalho remoto melhora a saúde mental, quantos dias seriam ideais, quem se beneficia mais e se os efeitos se explicam pela ausência de deslocamento diário.

A investigação baseou-se em dados de pesquisa de longo prazo com mais de 16.000 trabalhadores australianos, permitindo avaliar mudanças ao longo do tempo. As análises compararam padrões de deslocamento e arranjos de trabalho em casa, isolando efeitos associados a eventos importantes da vida.

Metodologia e base de dados

Foram analisados 20 anos de informações da Pesquisa Nacional sobre Dinâmica Familiar, Renda e Trabalho na Austrália, conhecida como HILDA. O desenho longitudinal permitiu acompanhar trabalho e saúde mental de funcionários ao longo de duas décadas, observando variações associadas aos arranjos laborais.

Os anos de 2020 e 2021 não foram incluídos. A exclusão ocorreu porque a saúde mental no período da pandemia de COVID pode ter sido influenciada por fatores não relacionados ao trabalho remoto, o que poderia distorcer os resultados.

Os modelos estatísticos removeram mudanças impulsionadas por eventos relevantes da vida, como mudanças de emprego ou nascimento de filhos. O foco esteve em dois aspectos centrais: tempo de deslocamento e trabalho em casa, além de diferenças entre pessoas com boa e má saúde mental.

Deslocamento diário e diferenças entre homens e mulheres

Os resultados indicaram efeitos distintos do deslocamento diário por gênero. Para as mulheres, o tempo de deslocamento não apresentou efeito detectável na saúde mental ao longo do período analisado.

Entre os homens, deslocamentos mais longos estiveram associados a pior saúde mental apenas para aqueles que já apresentavam problemas de saúde mental. O efeito observado foi descrito como modesto, mas mensurável dentro do conjunto de dados.

Para um homem próximo ao meio da distribuição de saúde mental, adicionar meia hora ao trajeto diário reduziu a saúde mental relatada em magnitude semelhante à de uma queda de 2% na renda familiar. A comparação ilustra a escala do impacto identificado.

Trabalhar em casa e o modelo híbrido para mulheres

Trabalhar em casa mostrou um forte efeito positivo na saúde mental das mulheres, mas apenas em determinadas circunstâncias. Os maiores ganhos ocorreram quando as mulheres trabalhavam principalmente em casa, mantendo presença no escritório ou local de trabalho por um a dois dias semanais.

Para mulheres com problemas de saúde mental, esse arranjo híbrido resultou em melhor saúde mental do que o trabalho exclusivamente presencial. Os ganhos observados foram comparáveis aos associados a um aumento de 15% na renda familiar.

Essa evidência está alinhada a um estudo anterior citado pelos autores, que encontrou maior satisfação no trabalho e produtividade em arranjos híbridos semelhantes. O resultado reforça a relevância do equilíbrio entre casa e local de trabalho.

Mecanismos além do tempo de deslocamento

Os benefícios identificados para as mulheres não se limitaram à economia de tempo com deslocamentos. Como o tempo de deslocamento foi considerado separadamente nas análises, os ganhos refletiram outros aspectos do trabalho remoto.

Entre esses aspectos estão a redução do estresse no trabalho e maior facilidade para conciliar vida profissional e familiar. Esses fatores aparecem como componentes relevantes na melhora da saúde mental observada em determinados regimes.

Trabalhar em casa de forma leve ou ocasional não apresentou efeito claro na saúde mental das mulheres. As evidências sobre o trabalho em casa em tempo integral foram menos conclusivas, em parte devido ao número relativamente pequeno de mulheres nessa modalidade ao longo do período.

Resultados para os homens

Para os homens, o trabalho remoto não apresentou efeito estatisticamente significativo na saúde mental, seja positivo ou negativo. O resultado manteve-se independentemente do número de dias trabalhados em casa ou no escritório.

Os autores sugerem que isso pode refletir a distribuição de tarefas entre os gêneros nos lares australianos. Também é mencionado que as redes sociais e de amizade dos homens tendem a ser mais voltadas para o ambiente de trabalho.

Sensibilidade à saúde mental e principais conclusões

A mensagem central do estudo aponta que trabalhadores com saúde mental mais frágil são os mais sensíveis a longos deslocamentos e os que mais se beneficiariam de regimes substanciais de trabalho remoto. Pessoas com saúde mental debilitada têm capacidade mais limitada de lidar com eventos estressantes.

Para mulheres com problemas de saúde mental, trabalhar em casa pode representar um benefício relevante para o bem-estar. Para homens com problemas de saúde mental, a redução do tempo de deslocamento também pode ser benéfica, ainda que o trabalho remoto em si não mostre efeito direto.

Trabalhadores com boa saúde mental parecem menos sensíveis tanto ao deslocamento diário quanto ao trabalho remoto. Eles podem valorizar a flexibilidade, mas as implicações para a saúde mental associadas aos arranjos de trabalho são menores, segundo os dados analisados.

Recomendações derivadas do estudo

Os autores apresentam recomendações com base nas descobertas. Para trabalhadores, a orientação é monitorar como o deslocamento e os diferentes modelos de trabalho remoto afetam o bem-estar, evitando pressupor uma abordagem única como ideal.

Para quem enfrenta problemas de saúde mental, a sugestão é planejar tarefas mais exigentes para dias trabalhados no ambiente considerado mais confortável. Essa adaptação pode mitigar impactos negativos associados ao estresse.

Para empregadores, recomenda-se oferecer opções flexíveis de trabalho remoto, especialmente para funcionários com problemas de saúde mental. Modelos híbridos com trabalho em casa e no escritório aparecem como os mais benéficos para parte da força de trabalho.

Ao discutir carga de trabalho e bem-estar, o tempo de deslocamento deve ser considerado. Políticas de retorno ao escritório iguais para todos devem ser evitadas, segundo as conclusões do estudo, para não ignorar diferenças individuais.

Para formuladores de políticas públicas, as recomendações incluem investir na redução do congestionamento e na melhoria da capacidade do transporte público. Também é indicado fortalecer estruturas que incentivem modalidades de trabalho flexíveis.

O apoio ao acesso a serviços de saúde mental é destacado como componente complementar às políticas de mobilidade e trabalho. Essas medidas ampliam os benefícios potenciais identificados na análise de longo prazo.

O estudo é assinado por Jan Kabatek, pesquisador associado do Instituto de Pesquisa Econômica e Social Aplicada de Melbourne, da Universidade de Melbourne, e por Ferdi Botha, pesquisador sênior do mesmo instituto, com base nos dados da pesquisa HILDA analisados ao longo de vinte anos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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