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Ave pré-histórica engole mais de 800 pedras, fica com a garganta entupida e morre há 120 milhões de anos em um dos fósseis mais estranhos já encontrados

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/02/2026 às 11:22
Atualizado em 10/02/2026 às 11:24
Fóssil raro indica que ave pré-histórica morreu engasgada após ingerir mais de 800 pedras há cerca de 120 milhões de anos.
Fóssil raro indica que ave pré-histórica morreu engasgada após ingerir mais de 800 pedras há cerca de 120 milhões de anos.
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Fóssil excepcional de uma ave pré-histórica com cerca de 33 gramas, preservado em depósito do tipo Lagerstätte, revela acúmulo de mais de 800 pedras no esôfago, permitindo aos pesquisadores identificar uma causa provável de morte individual há aproximadamente 120 milhões de anos

Uma ave pré-histórica do tamanho de um pardal, que viveu há aproximadamente 120 milhões de anos, morreu após ficar com mais de 800 pequenas pedras presas no esôfago, em um episódio considerado pelos pesquisadores como a causa quase certa de sua morte e um dos raros casos de óbito individual identificáveis no registro fóssil.

Descoberta rara permite identificar a causa da morte de uma ave pré-histórica

O fóssil pertence à espécie Chromeornis funkyi, uma ave pré-histórica recém-descrita que chamou a atenção da paleontóloga Jingmai O’Connor, do Museu Field, ao ser analisada em uma coleção chinesa. Segundo a pesquisadora, é extremamente incomum conseguir determinar a causa da morte de um indivíduo específico a partir de fósseis.

A ave apresentava uma massa compacta de pequenas pedras localizada no esôfago, logo abaixo dos ossos do pescoço.

A posição e o volume desse material indicam que o engasgamento ocorreu ainda em vida, provavelmente durante uma tentativa de regurgitação, levando à morte do animal. O’Connor afirma ter quase certeza de que esse processo foi fatal para o pequeno pássaro.

Preservação excepcional em depósito fossilífero do tipo Lagerstätte

O exemplar foi encontrado em uma formação fossilífera classificada como Lagerstätte, conhecida por preservar organismos com nível extraordinário de detalhe. No caso dessa ave pré-histórica, o fóssil manteve não apenas ossos e bico, mas também contornos da pele do pescoço, asas e pernas, além de penas, vestígios de pigmento escuro nos olhos e possíveis indícios musculares.

Esse grau de preservação permitiu aos pesquisadores reconstruir com precisão a anatomia do animal e determinar sua posição na árvore evolutiva das aves pré-históricas. O espécime pesava cerca de 33 gramas e fazia parte da família extinta Longipterygidae, caracterizada por aves pequenas com dentes apenas na ponta de bicos longos e afilados. O gênero mais próximo conhecido é Longipteryx.

Análise das pedras descarta deposição natural após a morte

Ao examinar a estranha concentração de pedras, os pesquisadores identificaram um detalhe crucial. A mineralogia das pedrinhas diferia tanto da rocha que envolvia o fóssil quanto entre elas próprias. Essa diversidade descartou a hipótese de que o material tivesse sido depositado no esôfago após a morte, por processos naturais no fundo de um lago.

A conclusão foi que a ave pré-histórica engoliu deliberadamente as pedras enquanto ainda estava viva. No entanto, a localização no esôfago, e não no estômago, levantou dúvidas imediatas sobre o motivo desse comportamento. Segundo O’Connor, não há registro semelhante em outros fósseis conhecidos, tornando o achado ainda mais intrigante.

Pedras não serviam para digestão, indicam dados anatômicos

Em muitas aves atuais, a ingestão de pedras ocorre como auxílio digestivo. Esses elementos, chamados gastrólitos, ficam alojados na moela e ajudam a triturar o alimento com o auxílio de um moinho gástrico muscular. Quando ficam lisas demais, algumas aves regurgitam as pedras e substituem por outras mais ásperas.

No caso do Chromeornis funkyi, os dados anatômicos indicam que a família Longipterygidae não possuía um moinho gástrico funcional. Além disso, o número e o volume das pedras eram incompatíveis com a capacidade digestiva de uma ave desse porte. Foram identificadas mais de 800 unidades, algumas das quais sequer eram rochas propriamente ditas, lembrando pequenas bolas de argila.

Com base nesses dados, os pesquisadores afirmam com clareza que as pedras não foram ingeridas para auxiliar na digestão. Esse ponto elimina uma das explicações mais comuns para comportamentos semelhantes em aves modernas e reforça o caráter anômalo do caso.

Doença pode ter levado ave pré-histórica a comportamento atípico

Diante da ausência de função digestiva, os cientistas consideraram a possibilidade de que a ave pré-histórica estivesse doente. Em aves atuais, há registros de ingestão de pedras associada à tentativa de eliminar parasitas ou compensar deficiências nutricionais. Esses comportamentos são frequentemente observados em animais debilitados.

A hipótese provisória levantada pela equipe sugere que o pássaro, possivelmente enfermo, passou a ingerir grandes quantidades de pedras. Em algum momento, tentou regurgitar o material acumulado, formando uma massa grande demais para ser expelida. O bloqueio resultante no esôfago teria provocado o engasgamento fatal, um desfecho raro, mas plausível segundo os dados preservados.

Extinção posterior não invalida valor científico do único exemplar

Embora o Chromeornis tenha vivido milhões de anos antes da extinção em massa do Cretáceo-Paleógeno, ocorrida há 66 milhões de anos, toda a sua linhagem acabou desaparecendo nesse evento global. Ainda assim, esse único fóssil oferece uma janela limitada, porém valiosa, para compreender aspectos fisiológicos e comportamentais dessas aves.

Segundo os pesquisadores, aprender sobre espécies extintas e suas vulnerabilidades pode contribuir indiretamente para reflexões sobre conservação atual. A pesquisa detalhando o caso foi publicada na revista Palaeontologica Electronica, reforçando a importância do achado como um dos exemplos mais peculiares já documentados no estudo de aves pré-históricas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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