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The Line: a cidade futurista da Arábia Saudita que aposta em NEOM para superar o petróleo

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 15/12/2025 às 23:55
The Line é a megaconstrução da Arábia Saudita em NEOM que aposta em cidade sem carros para reduzir a dependência do petróleo.
Foto: IA
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The Line é a megaconstrução da Arábia Saudita em NEOM que aposta em cidade sem carros para reduzir a dependência do petróleo.

Uma cidade linear de 170 quilômetros de extensão, 500 metros de altura e capacidade para 9 milhões de habitantes está sendo erguida no deserto da Arábia Saudita como parte do projeto NEOM.

Batizada de The Line, a iniciativa foi idealizada pelo governo saudita para redefinir o conceito de urbanismo, eliminar carros, reduzir emissões e, sobretudo, preparar o país para um futuro menos dependente do petróleo, por meio de uma das maiores obras de construção já anunciadas no planeta.

O empreendimento é liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que aposta em tecnologia, inteligência artificial e arquitetura extrema para transformar uma área desértica em um novo polo econômico global.

A proposta é ambiciosa: criar uma cidade totalmente controlada, onde moradia, trabalho, lazer e serviços fiquem a poucos minutos de distância, reorganizando a vida urbana em uma única linha vertical.

The Line e a tentativa da Arábia Saudita de ir além do petróleo

A decisão de investir cerca de US$ 1 trilhão em The Line está diretamente ligada ao receio de longo prazo com a queda da relevância do petróleo.

O governo saudita observou a diversificação econômica de vizinhos como Dubai e decidiu ir além, criando um projeto capaz de reposicionar o país no centro da economia global.

Inserida na zona econômica especial de NEOM, a cidade terá regras próprias, legislação diferenciada e incentivos fiscais para atrair empresas, startups e investidores internacionais.

O plano é conectar, em poucas horas de voo, Ásia, África e Europa, transformando a região em um eixo estratégico do comércio mundial.

Construção monumental redefine o conceito de cidade no deserto

A construção de The Line rompe com praticamente todos os modelos urbanos tradicionais. Em vez de ruas horizontais, a cidade será organizada de forma vertical, concentrando tudo em uma estrutura contínua.

Segundo o projeto, o espaço urbano será dividido em três níveis sobrepostos, pensados para reduzir deslocamentos e otimizar o uso do solo.

Essa abordagem busca resolver um problema clássico das grandes cidades: o tempo perdido em trânsito.

Em The Line, os idealizadores prometem que qualquer serviço essencial estará a poucos minutos de caminhada ou deslocamento vertical, sem a necessidade de automóveis.

Fachada espelhada de The Line gera críticas ambientais

Apesar do discurso sustentável, o projeto enfrenta fortes questionamentos. Um dos pontos mais controversos é a fachada externa, revestida por espelhos contínuos, criada para refletir o calor intenso do deserto da Arábia Saudita e manter o clima interno controlado.

Especialistas alertam que essa superfície reflexiva pode causar sérios impactos ambientais, como o aumento da temperatura ao redor da estrutura e riscos à fauna local.

Há preocupação especial com aves migratórias, que podem colidir com o espelho gigante, transformando a megacidade em uma armadilha invisível.

NEOM e os desafios sociais de viver em uma cidade linear

Além das questões ambientais, The Line também levanta debates sociais. Viver em uma cidade extremamente linear e confinada pode gerar efeitos psicológicos e desigualdades.

Experiências passadas de cidades planejadas, como Brasília, mostram que grandes distâncias e modelos rígidos tendem a criar segregação e elevar o custo de vida.

Críticos argumentam que, mesmo sem carros, a organização espacial pode empurrar populações de menor renda para áreas menos valorizadas da estrutura, reproduzindo problemas urbanos já conhecidos, agora em um formato vertical.

The Line como símbolo máximo da ambição humana

Se concluída conforme planejado, The Line será comparável às Pirâmides do Egito em escala, ousadia e impacto histórico.

No entanto, o projeto também desperta reflexões sobre prioridades globais. Com o mesmo orçamento, especialistas apontam que seria possível combater a fome mundial por décadas ou financiar missões de colonização espacial.

Ainda assim, a obra avança como um símbolo da ambição da Arábia Saudita de liderar o debate sobre o futuro das cidades.

The Line pode se tornar um marco da engenharia moderna ou apenas uma miragem futurista no deserto.

O desfecho dessa gigantesca construção ajudará a definir se o futuro urbano será mais sustentável ou apenas mais espetacular.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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