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Tabarca, ilha murada do século XVIII com só 30 hectares e cerca de 50 moradores, vive isolada no Mediterrâneo e agora quer se separar de Alicante

Publicado em 11/04/2026 às 17:46
Atualizado em 11/04/2026 às 22:06
Assista o vídeoIlha, Tabarca, Alicante
Imagem: Ilustração
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Moradores de Tabarca, a menor ilha habitada da Espanha, iniciam processo para obter autonomia administrativa e enfrentar isolamento, turismo intenso e desafios diários

Tabarca, a menor ilha habitada da Espanha, com cerca de 50 a 60 moradores permanentes, iniciou o processo para se tornar independente admnistrativamente de Alicante após mais de uma década de reivindicações, num território onde isolamento, turismo e preservação definem a vida cotidiana.

Vida permanente entre muralhas e barcos

No Mar Mediterrâneo, Tabarca fica a oito milhas náuticas de Alicante e a pouco mais de três de Santa Pola.

O acesso só pode ser feito por mar, sem pontes, estradas ou rota alternativa quando a navegação enfrenta dificuldades.

A ilha mede 1.800 metros de comprimento, 400 de largura e soma cerca de 30 hectares. Apesar do tamanho reduzido, concentra uma rotina totalmente dependente dos barcos de linha regular que a conectam ao continente.

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Essas embarcações garantem a chegada de alimentos, materiais e insumos básicos. Também condicionam o atendimento médico de urgência, já que o deslocamento até o continente pode ficar comprometido quando o mar piora.

O isolamento que atrai turistas pesa de forma diferente para quem vive ali o ano inteiro. Em Tabarca, essa condição interfere diretamente na rotina, no abastecimento e na forma como os moradores enfrentam cada estação.

No inverno, a ilha revela sua escala real. Os cerca de 50 a 60 moradores registrados se conhecem pelo nome, compartilham hábitos e vivem num centro histórico murado, com casas caiadas de branco e quase nenhum veículo circulando.

O que levou ao pedido de autonomia

A associação de moradores reuniu 33 assinaturas dentro de um censo com cerca de 59 pessoas registradas para iniciar o processo que pode transformar Tabarca em uma entidade local menor.

Essa figura permitiria administrar diretamente certas competências e recursos próprios. Para os moradores, depender de uma cidade grande acessível apenas por barco significa submeter a ilha a decisões tomadas a partir de outra realidade.

Entre as principais queixas está a falta de avanços no transporte marítimo. Os moradores afirmam que uma reivindicação aprovada formalmente pelo parlamento regional em 2018 nunca saiu do papel.

Outro ponto é a ausência de decisões claras sobre o futuro urbanístico da ilha. Tabarca espera há anos a aprovação de um Plano Especial de ordenação que segue sem definição.

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Também pesa a sensação de que a administração municipal de Alicante decide sem considerar as particularidades de um território isolado no mar, com limitações permanentes e demandas muito diferentes das de uma área urbana continental.

A dificuldade de acesso a serviços básicos de saúde reforça a insatisfação. Em emergências, quando as condições do mar pioram, chegar ao continente pode se tornar mais complicado.

Patrimônio histórico e valor ambiental

A singularidade de Tabarca vai além da geografia. A ilha ganhou seu formato urbano atual no século XVIII, quando Carlos III ordenou a construção de muralhas e de um núcleo residencial planejado.

Esse espaço foi pensado para abrigar pescadores genoveses que haviam sido escravizados por piratas tunisinos e depois libertados por meio de negociações diplomáticas espanholas.

O passado segue visível nas ruas estreitas, nas casas baixas e no traçado preservado. Em poucos quarteirões, Tabarca concentra uma paisagem histórica praticamente intacta desde o período colonial.

A ilha também ocupa posição especial na conservação ambiental. Em 1986, foi declarada a primeira reserva marinha de toda a Espanha, marco que agora completa quatro décadas.

Sob suas águas cristalinas se estendem pradeiras de posidônia oceânica, planta marinha endêmica do Mediterrâneo e indicador importante da qualidade do ecossistema local.

Nos dias calmos, a visibilidade subaquática ultrapassa facilmente vinte metros. Isso fez de Tabarca um destino de referência para mergulho e snorkeling em toda a costa espanhola.

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O impacto da explosão turística no verão

A diferença entre inverno e verão ajuda a explicar o pedido de maior autonomia. Durante os meses frios, Tabarca mantém o ritmo sereno de uma comunidade pequena.

Entre julho e agosto, porém, a situação muda completamente. A ilha recebe entre 3.000 e 5.000 visitantes por dia vindos de Alicante e Santa Pola.

Eles procuram praias de areia branca, enseadas de água turquesa, caminhadas pelas muralhas históricas e o arroz com caldero servido nas teraças dos restaurantes.

A população cresce de forma desproporcional para um território de 30 hectares. Junto com o avanço da atividade econômica, aumenta também a pressão sobre serviços, circulação e preservação ambiental.

Esse contraste é apontado pelos moradores como um dos elementos que mais dificultam a gestão da ilha dentro da estrutura atual.

Para eles, Alicante não consegue priorizar, na mesma medida, um ecossistema frágil e uma comunidade tão pequena.

Um movimento local, não ideológico

O caso de Tabarca difere de outros movimentos independentistas recentes da Europa. O objetivo não é a separação de um Estado nacional nem uma ruptura de caráter ideológico.

Os moradores buscam a criação de uma entidade local menor com capacidade de autogestão administrativa, figura existente na legislação espanhola e usada por pequenas comunidades rurais e urbanas.

Na prática, trata-se de um pedido para uma realidade específica: uma ilha de 30 hectares, com cerca de 50 moradores permanentes, isolada por mar e cercada por patrimônio histórico e natural singular.

Para quem vive em Tabarca, a independência administrativa não é apresentada como gesto simbólico. Ela surge como forma de fazer com que as decisões sobre transporte, urbanismo, serviços e proteção da ilha sejam tomadas por quem conhece suas limitações.

No centro do pedido está a avaliação de que Tabarca precisa ser administrada por quem convive com suas limitações, sua pressão turística e seu valor histórico e ambiental.

Com informações de Catraca Livre.

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Romário Pereira de Carvalho

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